Tutela_Inhibitoria
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Tutela_Inhibitoria


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é suficiente a transgressão de um comando jurídico, pouco importando se o interesse privado tutelado pela norma foi efetivamente lesado ou se ocorreu um dano. \ufffd Como diz Michele Mòcciola, em ensaio publicado na Rivista Critica del Diritto Privato, a conseqüência lógica da distinção entre dano e ilícito conduz à formulação do critério segundo o qual todas as vezes em que a intervenção judiciária tem por objeto a fonte do dano, não há tutela ressarcitória. \ufffd
<texto>Deixando-se claro que a tutela de remoção do ilícito visa a eliminar o ilícito, e assim não tem relação com o dano, esclarece-se, igualmente, que esse tipo de tutela, à semelhança da tutela inibitória, não tem entre os seus pressupostos a culpa ou o dolo. Consoante escreve Cesare Salvi, a tutela ressarcitória (seja pelo equivalente ou na forma específica) pressupõe que o ofendido prove a responsabilidade do sujeito ao qual o dano é imputado (a não ser, obviamente, nos casos de responsabilidade sem culpa), o que não acontece no outro âmbito de tutela, em que está presente a tutela que visa a eliminar o ilícito. \ufffd
<aa>3.22 	A fungibilidade da tutela inibitória
<a1a>3.22.1 	Breves observações sobre o princípio da congruência entre o pedido e a sentença
<texto>O Código de Processo Civil, em duas oportunidades, frisa a necessidade de o juiz ater-se ao pedido formulado pelo autor. O art. 128 afirma que \u201co juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendo-lhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte\u201d; o art. 460, por sua vez, diz claramente que \u201cé defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado\u201d.
<texto>Entende-se, a partir daí, que a sentença deve limitar-se ao que foi pedido pelo autor, seja no que diz respeito ao pedido imediato, seja no que pertine ao pedido mediato. \ufffd
<texto>Em relação ao pedido imediato, ou no que concerne à natureza da providência solicitada, as sentenças podem variar em declaratória, constitutiva, condenatória, mandamental e executiva. Assim, por exemplo, se \u201cA\u201d pede que o juiz ordene sob pena de multa, o juiz não pode proferir uma sentença executiva; vice-versa, não cabe ao juiz proferir uma sentença mandamental quando o autor pediu algo que deve ser atendido através de uma sentença executiva ou condenatória. Por outro lado, o pedido mediato refere-se ao bem que se pretende conseguir; \ufffd determina-se o pedido mediato através do bem jurídico pretendido pelo autor. \ufffd
<texto>Os arts. 461 do CPC e 84 do CDC admitem expressamente que o juiz pode conceder a tutela específica da obrigação ou o resultado prático equivalente ao do adimplemento. Com isto, o juiz está autorizado, desde que respeitados os limites da obrigação originária, a impor o fazer ou o não-fazer mais adequado à situação concreta que lhe é apresentada para julgamento.
<texto>Poderia ser dito que o bem pretendido, por meio da ação inibitória, é a prevenção. Contudo, se bastasse ao autor da ação inibitória pedir prevenção, não haveria razão para pensar na possibilidade de o juiz conceder a tutela específica ou o seu resultado prático equivalente. Se o autor não necessita precisar o pedido, não há motivo para o legislador dar ao juiz a possibilidade de julgar fora do pedido. Isto pela razão de que o juiz, ao impor um não fazer ou um fazer, sempre estaria atendendo à necessidade de prevenção, e assim jamais julgando fora do pedido.
<a1a>3.22.2 	Os arts. 461 do CPC e 84 do CDC como exceções ao princípio de que a sentença deve ficar adstrita ao pedido
<texto>De acordo com os arts. 461 do CPC e 84 do CDC, o juiz pode conceder a tutela específica da obrigação ou o resultado prático equivalente ao do adimplemento.
<texto>Reconhece-se ainda, em ambos os dispositivos, a possibilidade de o juiz fixar a multa (§ 4.º, arts. 461 e 84) ou determinar as chamadas \u201cmedidas necessárias\u201d (§ 5.º, arts. 461 e 84) de ofício (na sentença ou na decisão concessiva da tutela antecipatória), para que seja obtida a tutela específica ou o resultado prático equivalente.
<texto>A doutrina brasileira tem admitido que os arts. 461 do CPC e 84 do CDC constituem exceções à regra geral de que a sentença não pode fugir do pedido. Arruda Alvim, por exemplo, referindo-se à multa prevista no art. 84 do CDC, afirma que \u201ca possibilidade de imposição desta multa diária independe de pedido do autor, o que é novidade. Não se segue a regra geral (principalmente, arts. 128 e 460, primeira frase, do CPC), de que qualquer decisão, ordem ou sentença, sempre depende de pedido da parte e haverá de a este se cingir para o respectivo acolhimento, ou não\u201d. \ufffd
<texto>Kazuo Watanabe, considerando essa mesma questão, não teve dúvidas em concluir que \u201cnão há que se falar, diante desse poder concedido ao juiz, em ofensa ao princípio da congruência entre o pedido e a sentença, uma vez que é o próprio legislador federal, competente para legislar em matéria processual, que está excepcionando o princípio\u201d. \ufffd Ada Pellegrini Grinover é ainda mais enfática ao dizer que \u201ccaberá à sensibilidade do juiz\u201d optar entre a multa e as medidas sub-rogatórias capazes de conduzir ao resultado prático equivalente ao adimplemento.\ufffd
Está expressa, nos arts. 461 do CPC e 84 do CDC, a possibilidade de o juiz determinar atuação diferente daquela que foi pedida, desde que capaz de conferir resultado prático equivalente àquele que seria obtido em caso de adimplemento da obrigação originária. Assim, por exemplo, se é requerida a cessação do agir ilícito, o juiz pode entender que basta a instalação de determinada tecnologia para que a poluição seja estancada (um filtro, por exemplo), e assim determinar a sua instalação.
<texto>No exemplo acima, determinou-se atuação diversa da pedida. Acontece que há também a possibilidade de o juiz, atendendo a postulação realizada pelo autor, ater-se àquilo que foi solicitado, mas mediante a imposição de meio \u201cexecutivo\u201d diverso do requerido. Ora, a possibilidade de imposição de atuação diversa da solicitada não se confunde com a possibilidade de imposição do pretendido através da utilização de meio \u201cexecutivo\u201d diferente do postulado. Isto ocorreria, observando-se ainda o exemplo acima narrado, se o autor houvesse requerido a instalação do filtro sob pena de multa, e o juiz, considerando as circunstâncias do caso concreto, determinasse que um terceiro o instalasse.
<texto>A distinção entre a determinação de algo diverso do solicitado e a imposição de meio \u201cexecutivo\u201d diverso para a imposição daquilo que foi requerido, não é meramente acadêmica, mas se destina a demonstrar que o juiz pode deixar de lado, além do meio executivo solicitado, o próprio pedido mediato, ou melhor, a providência (e não apenas o provimento ou o meio executivo) que foi pedida. 
<a1a>3.22.3 	A sub-rogação de uma obrigação em outra para a obtenção da tutela específica ou do resultado prático equivalente ao do adimplemento
<texto>O problema que passamos a enfrentar, ainda que bastante difícil, é fundamental para a efetividade da tutela inibitória.
<texto>A questão diz respeito a saber se o juiz pode converter uma obrigação (compreendida como uma obrigação que se deseja ver imposta pela tutela jurisdicional ao réu) em outra, para conferir ao autor a tutela específica da obrigação ou um resultado prático equivalente ao do adimplemento.
<texto>Se os arts. 461 do CPC e 84 do CDC excepcionam a regra da congruência entre o pedido e a sentença, isto decorre da tomada de consciência de que a tutela jurisdicional deve proporcionar, na medida do possível, a tutela específica dos direitos, evitando-se, principalmente nos casos de direitos não patrimoniais, a insatisfatória saída pela via da técnica ressarcitória. A doutrina brasileira, aliás, tem afirmado, parafraseando conhecida máxima de Chiovenda, \ufffd que a idéia central que está na base das normas de que nos ocupamos é proporcionar a quem tem direito à situação jurídica final