Tutela_Inhibitoria
401 pág.

Tutela_Inhibitoria


DisciplinaDireito Processual Civil I45.895 materiais808.662 seguidores
Pré-visualização50 páginas
que constitui objeto de uma obrigação específica precisamente aquela situação final que ele tem o direito de obter. \ufffd
<texto>Se o objetivo que preside a \u201ctutela específica das obrigações de fazer e de não-fazer\u201d é proporcionar a quem tem direito à situação jurídica final, que constitui objeto de uma obrigação, precisamente aquela situação final que ele tem o direito de obter, parece correto admitir que o juiz pode deixar de atender ao pedido formulado para \u2013 convertendo uma \u201cobrigação\u201d em outra \u2013 conferir ao autor a tutela específica da obrigação originária ou um resultado prático equivalente ao do adimplemento.
<texto>Ora, se os arts. 461 do CPC e 84 do CDC excepcionam expressamente a regra da congruência entre o pedido e a sentença, e ainda afirmam que o juiz \u201cdeterminará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento\u201d, eles conferem ao juiz o poder necessário para que ele \u2013 mediante a conversão de uma obrigação em outra \u2013 possa conceder um resultado prático equivalente ao do adimplemento, deixando de atender ao pedido formulado pelo autor, que pode ser de tutela específica da obrigação originária ou de um outro resultado prático equivalente ao do adimplemento. Na verdade, se o autor desde logo postula um resultado prático equivalente ao do adimplemento, o juiz pode conceder a tutela específica da obrigação originária ou um outro resultado prático equivalente ao do adimplemento. É uma só idéia, ou seja, a noção de que o juiz deve ter o poder decisório suficiente para garantir a adequada e efetiva tutela do direito, que está por detrás de tudo isto. Como diz Kazuo Watanabe, o art. 461 procura dar efetividade, nos limites da possibilidade prática e jurídica, ao postulado chiovendiano da máxima coincidência entre a tutela jurisdicional e o direito que assiste à parte, tanto em relação às obrigações de fazer como às de não-fazer. \ufffd
<texto>Para que tudo fique mais claro, nada melhor do que alguns exemplos. Se \u201cA\u201d, alegando que \u201cB\u201d está poluindo o meio ambiente, pede que o juiz ordene, sob pena de multa, a cessação de suas atividades, a determinação da instalação de um filtro, sob pena de multa, constitui um resultado prático equivalente ao da ordem de não-fazer? Em um outro exemplo, se \u201cA\u201d requer a ordem de instalação do filtro, está o juiz autorizado a ordenar a cessação da atividade ilícita, uma vez constatada que a instalação do equipamento não será suficiente para impedir o prosseguimento da poluição? E se \u201cA\u201d requer que \u201cB\u201d instale um equipamento sofisticado e caro, e verifica-se que basta a instalação de um simples filtro, o juiz está autorizado a ordenar a instalação deste filtro?
<texto>Kazuo Watanabe, considerado o principal artífice dos arts. 461 do CPC e 84 do CDC, \ufffd referindo-se à sub-rogação de uma obrigação em outra como forma de se obter a tutela específica ou o resultado prático equivalente ao do adimplemento, diz o seguinte: \u201cPensemos, por exemplo, no dever legal de não poluir (obrigação de não fazer). Descumprida, poderá a obrigação de não fazer ser sub-rogada em obrigação de fazer (v.g., colocação de filtro, construção de um sistema de tratamento de efluente etc.), e descumprida esta obrigação sub-rogada de fazer poderá ela ser novamente convertida, desta feita em outra de não fazer, como a de cessar a atividade nociva\u201d. \ufffd
<texto>O art. 84 do CDC (assim como o art. 461 do CPC), ao permitir ao juiz conceder a tutela que implica um resultado prático equivalente ao do adimplemento, visa a viabilizar a tutela da obrigação originária da forma mais adequada possível. Assim, verificando-se que a instalação do filtro é o meio mais idôneo para a situação ilícita, está o juiz autorizado a ordenar a sua instalação. Desta forma, aliás, permite-se que a tutela seja prestada de forma efetiva e com a imposição do menor gravame possível ao réu. A instalação do filtro, no caso em que é requerida a ordem de cessação da atividade ilícita, proporciona ao autor um resultado prático que o satisfaz, já que é adequado para solucionar a situação de ilicitude.
<texto>Se o autor já requereu, através do seu pedido, um resultado equivalente ao do adimplemento, nada impede que o juiz conceda a tutela específica da obrigação originária ou um outro resultado equivalente ao adimplemento. Assim, se \u201cA\u201d pediu a instalação do filtro, que é um resultado equivalente ao do adimplemento do dever de não poluir, nada obsta a que o juiz, ao concluir que a instalação do filtro será insuficiente para evitar a continuação da poluição, ordene que o réu cesse as suas atividades sob pena de multa. Da mesma forma, se \u201cA\u201d requereu a instalação de um equipamento e verifica-se que outro é o apropriado, o juiz não fica impedido de ordenar a instalação do equipamento mais adequado.
<texto>Interpretar os mencionados artigos em sentido diverso seria desconsiderar a idéia de que o juiz pode deixar de lado o pedido para conceder a tutela jurisdicional capaz de atender de forma adequada e efetiva o direito material. Os limites da atuação do juiz, na conversão de uma obrigação em outra, são ditados pela própria obrigação originária; ou seja, não cabe ao juiz conceder uma tutela que implique um resultado que não esteja na própria obrigação originária.
<texto>Quando o autor pede a instalação de um filtro (que seria um resultado prático equivalente), o seu pedido, ainda que objetive um fazer, tem por escopo fazer cessar a atividade ilícita, visando, em outras palavras, a impedir que o réu continue a inadimplir a sua obrigação de não-fazer. Se os arts. 461 do CPC e 84 do CDC conferem ao juiz o poder decisório para a conversão de uma obrigação em outra, está ele autorizado, quando o fazer requerido não é suficiente para a tutela do direito, a ordenar o fazer ou o não-fazer que se afigure adequado à efetiva proteção do direito.
<texto>É preciso perceber, em outras palavras, que essas normas, ao darem ao juiz o poder decisório suficiente para a conversão de uma obrigação em outra, objetivam permitir a concessão da tutela jurisdicional adequada a cada caso conflitivo concreto. Ora, o juiz só pode ordenar a instalação do filtro quando, por exemplo, a ordem de não fazer, que determinaria a cessação das atividades do réu, não é o meio mais adequado à hipótese concreta.
<texto>Aliás, se os próprios arts. 461 e 84 excepcionam expressamente o princípio da congruência entre o pedido e a sentença, e se o espírito de tais normas é tocado pela idéia de que o processo deve proporcionar a tutela efetiva do direito, impõe-se a interpretação que admite que o juiz pode fugir do pedido para que o direito do autor não seja transformado em pecúnia \u2013 ou para que direitos, como o direito à higidez do meio ambiente, não sejam expropriados \u2013, quando o próprio juiz, em virtude do desenvolvimento do contraditório, está em condições de declarar a situação de ilicitude.
<a1a>3.22.4	O poder decisório do juiz e o princípio da efetividade
<texto>Entende-se, atualmente, que há um direito à adequada tutela jurisdicional, constitucionalmente garantido. \ufffd
<texto>Sustenta-se, na doutrina italiana, que o art. 24 da Constituição da República estabelece o princípio da efetividade da tutela jurisdicional. \ufffd Na interpretação desse princípio, afirma-se que o legislador é obrigado a traçar formas de tutela adequadas às várias situações de direito substancial e que o doutrinador e os operadores jurídicos devem ler e compreender as normas infraconstitucionais sempre à luz da garantia da efetividade. \ufffd
<texto>Os arts. 461 do CPC e 84 do CDC, como reconhece a doutrina brasileira, \ufffd constituem uma resposta à necessidade de uma efetiva tutela dos direitos. \ufffd Trata-se, em outras palavras, de normas que foram ditadas em razão do peso do princípio da efetividade, e que devem ser lidas e interpretadas à luz desse princípio.
<texto>Está presente, na própria dicção das normas dos arts. 461 e 84, uma nítida preocupação com a efetividade do processo. Esses artigos, ao afirmarem que o juiz pode conceder a tutela específica ou o resultado