Tutela_Inhibitoria
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Tutela_Inhibitoria


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os arts. 461 e 84 apenas reafirma uma idéia que sempre esteve na base da \u201ctutela cautelar\u201d. Os processualistas sempre se mostraram muito sensíveis à necessidade de tutela adequada às situações de perigo, \ufffd muitas delas envolvendo hipóteses de tutela genuinamente inibitória.
<texto>Barbosa Moreira, como já foi dito, ao aludir à falta de efetividade da ação cominatória (que era fundada no art. 287) para a prevenção do ilícito, na época que ainda não estava presente no Código de Processo Civil o novo art. 461 e, portanto, a tutela antecipatória inibitória, afirmou que não deveria \u201cescandalizar ninguém a sugestão de buscar-se nos arts. 798 e 799 o apoio textual\u201d a uma tutela preventiva provisória. \ufffd O que dizia Barbosa Moreira, trocando-se os termos, é que, embora os arts. 798 e 799 pudessem não constituir, \u201cdo ponto de vista científico\u201d, sede própria para a tutela que proíbe, antecipadamente, a prática de um ato, qualquer escrúpulo desse gênero seria como a hesitação em ministrar ao enfermo o remédio que comprovadamente lhe melhora o estado, só porque nas indicações da bula não se designa a enfermidade pelo nome cientificamente mais correto. \ufffd Como é óbvio, Barbosa Moreira, com essa construção, pretendia dar efetividade à prevenção, tornando possível uma tutela inibitória antecipada que pudesse eliminar, desde logo, o perigo de ilícito.
<texto>Isto significa, com efeito, que a tutela inibitória antecipada sempre foi prestada sob o manto protetor da tutela cautelar. Ou seja, como a evolução da sociedade e o surgimento de novas situações de direito substancial evidenciaram a necessidade de tutela inibitória antecipada, e esta não podia ser prestada através do processo de conhecimento \u2013 feito para atender a outras necessidades \u2013, admitiu-se o uso da via cautelar\ufffd para permitir a obtenção da tutela inibitória.
<texto>Entretanto, a melhor doutrina, preocupada com a efetividade da tutela cautelar e, conseqüentemente, com a efetividade da tutela inibitória antecipada, admitia que o juiz pudesse conceder tutela cautelar diversa da solicitada. Se o juiz estava autorizado a conceder, antecipadamente, uma tutela preventiva diversa da solicitada através dos pedidos de tutela cautelar e de tutela final, isto decorria da necessidade de se dar a ele o poder necessário para tutelar da forma mais adequada possível a situação de perigo. \ufffd
<texto>O que se pretende evidenciar, como se pode perceber, é que o Leitmotiv que inspirou a doutrina a criar a brilhante tese\ufffd de que o juiz pode conceder tutela cautelar diversa da pedida\ufffd é o mesmo que nos leva a propor a interpretação dos arts. 461 do CPC e 84 do CDC no sentido já enunciado. \ufffd
<aa>3.23	O pedido de tutela inibitória e as violações de eficácia instantânea suscetíveis de repetição no tempo
<texto>De acordo com o art. 290 do CPC, \u201cquando a obrigação consistir em prestações periódicas, considerar-se-ão elas incluídas no pedido, independentemente de declaração expressa do autor; se o devedor, no curso do processo, deixar de pagá-las ou de consigná-las, a sentença as incluirá na condenação, enquanto durar a obrigação\u201d.
<texto>A doutrina, ao interpretar a primeira parte do art. 290, costuma distinguir as prestações vencidas das vincendas, dizendo que nas obrigações de caráter periódico o devedor fica desincumbido de pedir, expressamente, o adimplemento das prestações vincendas. \ufffd
<texto>Como é óbvio, não interessa, neste momento, a condenação para o futuro, presente na referida norma. A condenação para o futuro, como será melhor explicado mais tarde, \ufffd constitui condenação anterior à violação, tendo o objetivo de criar antecipadamente o título executivo. Ela é solicitada com base no argumento de que a violação acontecerá, porém é preciso criar desde logo o título executivo, para que a realização do direito, posterior à violação, possa ocorrer de maneira mais rápida. Como está claro, a condenação para o futuro não objetiva impedir a violação do direito. Ao contrário, aquele que pede condenação para o futuro afirma que a violação ocorrerá. A sua finalidade não é a prevenção, mas apenas uma maior tempestividade da tutela repressiva. Deixe-se claro, assim, que a condenação para o futuro não é idônea para prevenir o ilícito. Aliás, a \u201ccondenação\u201d \ufffd constitui meio processual completamente incapaz de propiciar verdadeira tutela preventiva.
<texto>Tratando-se de tutela inibitória, é possível pensar em hipóteses em que a violação de um dever pode ocorrer em diversos momentos. Assim, por exemplo, se uma indústria tem o dever de inserir nas propagandas de um de seus produtos determinado aviso aos consumidores, não há dúvida de que esta indústria poderá violar este dever em diferentes oportunidades.
<texto>Em relação a hipóteses desta natureza, torna-se adequada, em vez da condenação para o futuro, a tutela inibitória, que apenas redundantemente poderia ser chamada de \u201cinibitória para o futuro\u201d. Isto porque se deseja meio processual idôneo para a inibição do ilícito. Note-se, por exemplo, que se já houve violação, ou seja, se a indústria já deixou de fazer constar referido aviso aos consumidores em uma de suas propagandas na televisão, isto não importa em termos de inibitória, uma vez que esta terá como objetivo apenas impedir a repetição do ilícito. \ufffd
<texto>Se o Ministério Público pede, através de uma ação coletiva inibitória, que a indústria que já praticou o ilícito não volte a praticá-lo, não é preciso, como é óbvio, que se deixem expressas as hipóteses em que a indústria deve inserir, em suas publicidades, o aviso aos consumidores, bastando que se peça que a indústria ré introduza tal aviso em suas futuras propagandas (já que ela tem o dever de sempre agir desta forma).
<texto>Compreende-se, por estar implícito, que aquilo que se deseja, quando se pede que alguém faça aquilo que tem o dever de fazer, é que não haja mais violação deste dever. Este item, na verdade, não fosse o fato de a tutela inibitória ainda ser desconhecida na doutrina brasileira, seria desnecessário, pois é evidente que quando se pede tutela inibitória de atos suscetíveis de repetição, pede-se que não haja qualquer violação futura em relação ao dever.
<texto>Contudo, a má compreensão do tema da coisa julgada material também pode dificultar a compreensão deste assunto. A imutabilidade da coisa julgada se projeta para o futuro, alcançando todas as situações que tenham identidade com a que foi objeto da decisão. Decidindo-se que determinado ato temido é ilícito, e assim não pode ser praticado, é pouco mais do que evidente que não é somente o ato expressamente narrado na petição inicial que não poderá ser praticado. Veda-se que o réu volte a praticar ato com o mesmo conteúdo do reconhecido ilícito na sentença que produziu coisa julgada material. \ufffd Assim, surgindo circunstâncias semelhantes àquelas que justificaram a decisão que já produziu coisa julgada material, bastará solicitar ao juiz ordem para que o novo ato temido não venha a ser praticado, não tendo cabimento exigir que o juiz decida, novamente, sobre a licitude ou ilicitude do ato.
<texto>Um ato temido, cuja substância não é nova, mas já foi dita ilícita em sentença que produziu coisa julgada material, não justifica outra ação. É a alteração da substância do ato, ou seja, um outro ato, que abre ensejo a outra ação. Resumindo: se o ato não é outro, mas sim apenas novo, vale a coisa julgada material. Mas se o ato temido for outro, evidentemente será necessária outra ação inibitória, e neste caso a coisa julgada material não poderá ser invocada.
<aa>3.24	Tutela inibitória e cumulação de pedidos. A tutela antecipatória mediante o julgamento antecipado de pedido inibitório cumulado com pedido ressarcitório
<texto>A tentativa de isolar o direito processual do direito material e a busca da construção de princípios e conceitos processuais universalmente válidos, que marcaram a escola italiana do direito processual civil do começo do século XX, \ufffd fizeram com que ficasse fora da Universidade qualquer experiência com casos