Tutela_Inhibitoria
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Tutela_Inhibitoria


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da tutela antecipatória, já que a afirmação de que o direito não existe seria suficiente para descalçar a tutela antecipatória de um dos seus pressupostos, que é exatamente o fumus boni iuris. \ufffd
<texto>Porém, é necessário perceber que o desaparecimento da tutela que ampara o autor que teme sofrer iminente lesão pode tornar absolutamente inútil o julgamento de segundo grau. Ou seja, é preciso enxergar que, se a execução imediata da tutela antecipatória pode, em alguns casos, não ter justificativa, também a revogação desta tutela, em determinadas hipóteses, pode não ser a melhor solução.
<texto>A afirmação de que o direito não existe não é inconciliável com a necessidade de manutenção da tutela. A declaração de que o direito não existe, no caso de tutela inibitória, não elimina a possibilidade de lesão iminente e, dessa forma, a completa frustração do escopo da própria tutela.
<texto>Como a doutrina não trabalha com a lógica da tutela inibitória, e porque não se dizer, com a lógica da tutela dos direitos não patrimoniais, é natural que não perceba que é fundamental, em se tratando de tutela inibitória, a prevenção, e, em casos excepcionais, a manutenção da tutela antecipatória em caso de sentença de improcedência. Ora, se a sentença revoga a tutela inibitória antecipada, ela abre oportunidade para a lesão e, assim, retira qualquer chance de efetividade da tutela inibitória, restando verdadeiramente inútil o julgamento do tribunal. \ufffd
<texto>Portanto, no caso de sentença de improcedência do pedido inibitório, cabe ao juiz ponderar se a tutela inibitória antecipada não deve ser mantida, evitando-se, assim, que ela seja substituída por uma tutela (ressarcitória) completamente inidônea à efetiva proteção do direito material. \ufffd
<a1a>3.26.4	A evidente distinção entre tutela inibitória antecipada e tutela cautelar
<texto>Classificando-se as tutelas de acordo com as suas reais repercussões no plano do direito material, fica fácil perceber a distinção entre a tutela antecipatória e a tutela cautelar.
<texto>Não há dúvida de que a tutela que antecipa pagamento de soma à vítima de ato ilícito é tutela ressarcitória antecipada. A dificuldade de compreender a tutela ressarcitória na forma antecipada deriva do fato de que, ao imaginar-se que o pagamento de dinheiro tem por fim somente ressarcir o dano cometido, torna-se impossível perceber que, algumas vezes, o imediato ressarcimento em dinheiro é imprescindível para que um direito não-patrimonial, conexo ao direito de crédito, não seja irreparavelmente prejudicado. Em outros termos, é a visão patrimonialista dos direitos, que está à base do direito liberal e da doutrina processual preocupada apenas em classificar as técnicas processuais, que impede que se enxergue o real significado da tutela ressarcitória antecipada.
<texto>Porém, quando entram em cena as tutelas inibitória e de remoção do ilícito na forma antecipada, percebe-se, com maior nitidez, a razão pela qual há uma grande dificuldade na distinção das tutelas cautelar e antecipatória. É que o significado das tutelas inibitória e de remoção do ilícito ainda é pouco difundido, estando os operadores do direito ainda submetidos à unificação das categorias da ilicitude e da responsabilidade civil.
<texto>A tutela antecipatória que determina a retirada de cartazes publicitários que configuram concorrência desleal, evidentemente não é uma tutela que pode receber a designação de instrumental, justamente porque elimina, desde logo, a ilicitude. Uma tutela como esta, logicamente não fica limitada a assegurar o resultado útil do processo, pois o resultado útil que se espera do processo é cumprido exatamente no momento em que os cartazes são retirados, eliminando-se o ilícito.
<texto>Quando se teme um eventual ilícito, ou mesmo um eventual dano, a tutela que deve ser dirigida a impedir a sua produção é a inibitória, que tem absoluta autonomia, retratando uma genuína ação de conhecimento, em tudo diferente da ação cautelar, que sempre exige uma ação principal.
<texto>Atualmente não há mais razão para pensar em usar a ação cautelar para obter tutela inibitória. Quem precisa de tutela inibitória, nos dias de hoje, deve lançar mão da ação inibitória, a qual pode ser fundada, conforme o caso, no art. 461 do CPC (ação individual) ou no art. 84 do CDC (ação coletiva).
<texto>A tutela que é prestada antecipadamente na ação inibitória nada mais é do que uma tutela inibitória antecipada, que não pode ser confundida com a tutela dirigida a assegurar o resultado útil do processo. Na verdade, quando se tem consciência de que há ação destinada a impedir a prática, a repetição ou a continuação do ilícito, verifica-se, com absoluta nitidez, que a tutela antecipada que cumpre esta função dá ao autor o único resultado útil que ele esperava obter do processo, isto é, a prevenção do ilícito.
<texto>Um dos motivos que impedem a percepção de que a tutela inibitória, quando antecipada, não tem caráter instrumental, encontra-se exatamente na suposição de que a tutela final deve ser de reparação do dano, ou melhor, decorre da suposição de que a tutela preventiva destina-se a assegurar o resultado útil da tutela reparatória, o que é mais do que ilógico.
<texto>Frise-se, ademais, que a confusão entre tutela inibitória e tutela cautelar também advém da inexistência de sentença mandamental no quadro da classificação clássica das sentenças. Nenhuma das sentenças da classificação trinária (declaratória, constitutiva e condenatória) é capaz de permitir a imposição de uma ordem dirigida a impedir a prática, a repetição ou a continuação do ilícito, motivo pelo qual, aliás, não há como se postular tutela inibitória, na Itália, através de uma ação de conhecimento (a não ser em razão de procedimentos específicos).
<texto>Com efeito, no direito italiano, onde jamais existiu sequer a ação cominatória, há ainda mais razão para se confundir tutela cautelar com tutela inibitória. Se na Itália existem somente as ações declaratória, constitutiva e condenatória, não há outra saída, para se obter uma tutela inibitória célere, a não ser usar a tutela cautelar, que não por outra razão passou a ser utilizada, segundo o entendimento da própria doutrina italiana, de forma distorcida. \ufffd
<texto>A falta de distinção entre tutela antecipatória e tutela cautelar é o resultado de uma visão panprocessualista, em que não importa o resultado da tutela jurisdicional no plano do direito material, mas apenas as características formais e de ordem processual que permitem a sua identificação e conseqüente classificação.
<texto>Na realidade, a razão que levaria a doutrina a não classificar as tutelas de cognição sumária e a falar em \u201ctutela provisória\u201d, também autorizaria os processualistas a não classificar as \u201ctutelas finais\u201d, o que seria um grande absurdo.
<texto>Com efeito, afirma-se que a tutela antecipatória, por ser caracterizada pela \u201cprovisoriedade\u201d, não difere da tutela cautelar. O que se pretende, com isto, é criar uma tutela que deveria ser chamada de \u201cprovisória\u201d, e que teria como espécies a tutela cautelar e a tutela antecipatória.
<texto>Falar em \u201ctutela provisória\u201d, contudo, nada diz para quem realmente está preocupado em pensar o processo na perspectiva do direito material. Perceba-se que \u201ctutela provisória\u201d somente pode ser o contrário de \u201ctutela definitiva\u201d, até pelo motivo de que, quando se fala em tutela provisória, não se pensa exatamente na tutela (que é um bem da vida), mas sim no juízo que é pressuposto para a sua concessão. Falar em \u201ctutela provisória\u201d, portanto, é raciocinar em termos de \u201cjuízo\u201d e não de \u201ctutela\u201d; pois se o contrário de tutela antecipatória é tutela final, o contrário de juízo provisório é juízo definitivo. Melhor explicando: \u201cantecipatório\u201d e \u201cfinal\u201d são termos que dizem respeito à \u201ctutela\u201d, enquanto que \u201cprovisório\u201d e \u201cdefinitivo\u201d têm relação com o \u201cjuízo\u201d.
<aa>3.27	A execução da tutela inibitória
<a1a>3.27.1	A tutela inibitória e a multa
<b>	3.27.1.1	Primeiras observações
<texto>Para a