Tutela_Inhibitoria
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Tutela_Inhibitoria


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\u201cla più preoccupante, come è di tutte le prevenzioni che possono eccessivamente limitare l\u2019umana autonomia\u201d. \ufffd A doutrina italiana mais moderna, \ufffd entretanto, não se rende ao velho argumento de que a inibitória pode colocar em risco a liberdade do homem.
<texto>A idéia de que a tutela inibitória encontra obstáculo na liberdade do homem guarda raízes em princípios próprios do direito liberal clássico, os quais não podem servir para inspirar uma doutrina que vive em um outro Estado, sob diversos valores e em uma diferente época. A tutela preventiva, como já foi dito, é fundamental para a efetividade de direitos muito importantes dentro do contexto do Estado atual.
<texto>No direito alemão, apesar do teor do § 1.004 do BGB, \ufffd que se refere expressamente a prejuízos ulteriores, admite-se o uso da inibitória na forma pura, isto é, não apenas para impedir a continuação ou a repetição do ilícito. O mesmo ocorre no direito anglo-americano, onde há a chamada quia timet injunction, \ufffd que abre oportunidade para uma tutela genuinamente preventiva. \ufffd
<texto>Seguindo-se o velho ditado de Coke, \u201cpreventive justice excelleth punishing justice\u201d, admite-se, através da quia timet injunction, \ufffd a obtenção da injunction não só independentemente do dano, mas também de uma violação atual do direito. \ufffd
<texto>De acordo com Baker e Langan, o autor pode obter uma injunction ainda que a violação seja apenas temida ou represente uma ameaça. \ufffd Neste caso, o autor tem de provar a probabilidade da violação: \u201cNo one can obtain a quia timet order by merely saying \u2018Timeo\u2019\u201d. \ufffd A tutela, nestas hipóteses, visa a impedir a prática do ilícito, pouco importando se algum ilícito foi anteriormente praticado. \ufffd
<texto>Por outro lado, afirma-se, no direito italiano, que a melhor definição legislativa de tutela inibitória está presente na Lei sobre Direito de Autor, \ufffd que assim dispõe no seu art. 156: \u201cQuem tem razão para temer a violação de um direito de conteúdo econômico a si pertencente em virtude desta lei, ou mesmo deseja impedir a continuação ou a repetição de uma violação já ocorrida, pode agir em juízo para pedir que o seu direito seja declarado e inibida a violação ...\u201d
<texto>Não é difícil compreender a razão pela qual a doutrina entende que esta é a melhor definição legislativa de inibitória. O art. 156 da Lei sobre Direito de Autor, ao afirmar que \u201cchi ha ragione di temere la violazione\u201d pode agir em Juízo, admite expressamente a tutela inibitória independentemente de um ilícito anterior, o que, aliás, é confirmado quando a própria norma acrescenta que a tutela também é cabível nos casos em que se pretende impedir \u201cla continuazione o la ripetizione di una violazione già avvenuta\u201d.
<texto>O que importa, porém, é justamente o fato de a doutrina entender que a melhor definição legislativa de inibitória é aquela que admite a tutela na forma pura, e não apenas para impedir a continuação ou a repetição do ilícito. Isto revela a sensibilidade da doutrina italiana mais moderna para a imprescindibilidade de uma tutela inibitória antecedente a qualquer ilícito.
<texto>No direito brasileiro, o Dec.-lei 7.903/45 dispunha, no art. 189, que \u201cindependentemente da ação criminal, o prejudicado poderá intentar ação para proibir ao infrator a prática do ato incriminado, com a cominação de pena pecuniária para o caso de transgressão do preceito\u201d. \ufffd Esta norma, como se vê, admitia a propositura da ação civil para impedir a prática do ilícito, \ufffd não fazendo qualquer referência à necessidade de um ilícito já praticado. \ufffd
<texto>De qualquer forma, os exemplos mais legítimos de tutela inibitória pura no direito brasileiro estão no interdito proibitório e no mandado de segurança preventivo.
<texto>O art. 932 do CPC afirma que \u201co possuidor direto ou indireto, que tenha justo receio de ser molestado na posse, poderá impetrar ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante mandado proibitório, em que se comine ao réu determinada pena pecuniária, caso transgrida o preceito\u201d. A tutela é nitidamente preventiva, já que protege aquele que ainda não foi molestado na posse (tem justo receio de ser), ordenando, sob pena de multa, que o réu não pratique ato de turbação ou de esbulho. A tutela também pode ser concedida liminarmente, utilizando-se também a multa como forma de se garantir a integridade do direito.
<texto>A Lei 1.533/51, tratando do mandado de segurança, diz, no seu art. 1.o, que \u201cconceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus, sempre que, ilegalmente ou com abuso do poder, alguém sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la por parte de autoridade, seja de que categoria for ou sejam quais forem as funções que exerça\u201d. O mandado de segurança, que sempre pode ser deferido liminarmente, pode ser concedido ainda que nenhuma violação tenha sido praticada. A norma, ao permitir que alguém, sem ter sofrido qualquer violação (apenas tendo justo receio de sofrê-la), possa obter uma tutela que impeça a autoridade coatora de praticar o ato, abre ensejo a uma tutela genuinamente preventiva.
<texto>Não apenas estas situações, mas todas aquelas \u2013 ainda que não tipificadas \u2013 que necessitam de uma tutela preventiva, ainda que nenhum ilícito anterior tenha sido praticado, abrem oportunidade à tutela inibitória na forma pura.
<texto>A tutela preventiva é imanente ao Estado de Direito e está garantida pelo art. 5.º, XXXV, da Constituição Federal, razão pela qual é completamente desnecessária uma expressa previsão infraconstitucional para a propositura da ação inibitória. Aliás, nem poderia ser de outra forma, pois não teria sentido admitir a tutela inibitória para a tutela da posse e da propriedade, ou apenas contra atos do poder público, deixando-se de lado os direitos não patrimoniais, especialmente os direitos da personalidade. \ufffd
<a>3.6	A cognição e a prova na ação inibitória
<texto>A partir do momento em que se faz a distinção entre dano e ilícito, deixando-se claro que este último, e não o primeiro, é pressuposto da ação inibitória, fica fácil concluir que o dano não constitui objeto da cognição do juiz nesta ação, e assim deve ficar longe da produção probatória.
<texto>Melhor explicando: não é necessária a alegação de probabilidade de dano, nem a sua prova. Porém, no caso em que não há como separar cronologicamente o ato ilícito e o dano, pois ambos podem acontecer no mesmo instante, a probabilidade de dano evidentemente deve ser afirmada e provada. Ou seja, se uma norma proíbe a prática de determinado ato ou atividade, e se esta violação é provável, bastará a sua alegação e demonstração, não sendo necessário afirmar e provar que, ao lado desta provável violação, ocorrerá um provável dano. Do ponto de vista probatório, é muito mais fácil provar a probabilidade da prática, repetição, ou continuação de ato contrário ao direito, do que a probabilidade de dano.
<texto>Na ação inibitória é necessário verificar não só a probabilidade da prática de ato, mas também se tal ato configura ilícito. Por isto, requer-se o confronto entre a descrição do ato temido e o direito.
<texto>É possível que o réu não negue que praticará o ato, mas afirme que este não terá a natureza ou a extensão do ato vedado pela regra legal. Neste caso, tratando-se de ação voltada a impedir a repetição ou a continuação do ilícito, basta verificar se o ato anteriormente praticado realmente enquadra-se na proibição legal. Mais difícil será a prova da ilicitude do ato quando ato \u201cigual\u201d não foi ainda praticado. Em tal hipótese deverá ser demonstrado que o ato que se pretende praticar é realmente vedado por norma legal, e assim deverá ser esclarecido o seguinte: o ato que será praticado se enquadra na moldura legal que o proíbe?
<texto>Nas situações em que se discute apenas a extensão e a natureza do ato que estaria sendo negado como ilícito, a prova não terá por fim demonstrar um fato que indique a probabilidade da prática de um ato futuro, mas sim evidenciar que o ato que se pretende