Agostinho Ramalho Marques Neto - A Ciência do Direito - Conceito, Objeto, Método - 2º Edição - Ano 2001
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Agostinho Ramalho Marques Neto - A Ciência do Direito - Conceito, Objeto, Método - 2º Edição - Ano 2001


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ARISTÓTELES, \u201cpor temperamento\u201d, é 
empirista, inclinando-se para a realidade do mundo, que observa, mas \u201cpor educação\u201d, é 
racionalista, por influência de seu mestre PLATÃO\u201d. CRETELLA JÚNIOR, José. Filosofia 
do Direito. Rio de Janeiro, Forense, 1977, p. 33 (Grifos do autor). 
17. \u201cChamaremos de \u201cidealistas\u201d, por definição, as doutrinas que elevam ao absoluto uma 
parte do saber adquirido, fazendo de tal parte uma idéia ou pensamento misteriosos que, 
segundo eles, existem antes da natureza e do homem real\u201d. LEFEBVRE, Henri. Op. cit., p. 53 
(Grifo do autor). 
18. Id. Ibid., p. 51 (Grifas do autor). 
19. REALE, Miguel. Op. cit., v. I, p. 105 (Grifos do autor). 
20. Id. Ibid., V. I, p. 107. 
21. Cf. REALE, Miguel. Op. cit., v. I, p. 109-10. 
22. Id. Ibid., v. I, p. 91 (Grifas do autor). 
23. Id. Ibid., v. I, p. 91-2. 
24. Id. Ibid., v. I, p. 93. 
25. Id. Ibid., v. I, p. 114 (Grifo do autor). 
26. Cf. PIRES, Eginardo. Op. cit., p. 167. 
27. Cf. REALE, Migue1. Op. cit., v. I, p. 101. 
28. Cumpre observar que o termo epistemologia é tomado neste trabalho no sentido de uma 
crítica do conhecimento, sobretudo do conhecimento científico. Não se trata de mero capítulo 
da Filosofia, embora com ela tenha íntimas relações. Abordar criticamente os princípios, 
pressupostos, métodos, proposições, resultados e limitações das ciências, não de modo 
abstrato, mas na forma como elas concretamente existem, considerando-as em seus aspectos 
genéticos, históricos, gnosiológicos e lógicos, é o objetivo precípuo da epistemologia. Ela se 
aplica não propriamente à ciência já feita, mas à que se faz, à ciência real, que progride, que 
evolui, analisando os problemas tais como se colocam ou deixam de ser colocados, se 
resolvem ou deixam de ser resolvidos, na prática efetiva das ciências. Por isso, a 
epistemologia chega sempre a um \u201cconhecimento provisório, jamais acabado ou definitivo\u201d. 
JAPIASSU, Hilton Ferreira. Op. cit., p. 27. Por outro lado, o termo dialética é utilizado neste 
trabalho para designar aquelas correntes de pensamento crítico que se propõem a 
compreender o real numa perspectiva não contemplativa ou metafísica; que não separam o 
sujeito do objeto porque compreendem que a relação entre eles é o que há de mais importante 
no processo do conhecimento; que vêem neste processo uma atividade de permanente 
construção teórica e prática, feita pelo homem real,\u2022 concreto, agente da História e, por isso 
mesmo, sujeita a retificações. Procuraremos desenvolver e explicitar, no corpo do trabalho, os 
conceitos que acabamos de apresentar. 
29. Cf. LEFEBVRE, Henri. Op. cit., p. 50. 
30. \u201cO sujeito e o objeto estão em perpétua interação; essa interação será expressa por nós 
com uma palavra que designa a relação entre dois elementos opostos e, não obstante, partes de 
um todo, como numa discussão ou num diálogo; diremos, por definição, que se trata de uma 
interação dialética\u201d. Id. Ibid., p. 49 (Grifos do autor). 
31. \u201cA atitude primordial e imediata do homem, em face da realidade, não é a de um abstrato 
sujeito cognoscente, de uma mente pensante que examina a realidade especulativamente, porém 
a de um ser que age objetiva e praticamente, de um indivíduo histórico que exerce a sua 
atividade prática no trato com a natureza e com os outros homens, tendo em vista a consecução 
dos próprios fins e interesses, dentro de um determinado conjunto de relações sociais\u201d. KOSIK, 
Karel. Dialética do concreto. Trad. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1976, p. 9-10. 
32. \u201cA teoria do conhecimento como reprodução espiritual da realidade põe em evidência o 
caráter ativo do conhecimento em todos os seus níveis. O mais elementar conhecimento 
sensível não deriva em caso algum de uma percepção passiva, mas da atividade perceptiva\u201d. 
Id. Ibid., p. 27 (Grifos do autor). 
33. Cf. MARTINS, José Maria Ramos. Da noção de espaço ao fenômeno jurídico. São Luís, 
M. Silva & Filhos, 1955, p. 3 (Tese de concurso). 
34. CARDOSO, Miriam Limoeiro. O mito do método. Rio de Janeiro, P.U.c., 1971, p. 4, 
mimeografado. 
35. Id. Ibid., p. 4, 7 (Grifos nossos). 
36. Cf. CARDOSO, Miriam Limoeiro. Op. cit., p. 27. 
37. \u201cOs novos momentos do conhecimento científico não se acumulam em continuidade com 
os momentos anteriores. A sua novidade exige descontinuidade nessa acumulação. Permanece 
lícito falar em cumulatividade desde que o novo aqui não se constrói por mera oposição ao 
antigo, mas o mantém, limitando-o e o ultrapassa, acrescentando-se a ele. Assim é que o nível 
é cada vez mais alto\u201d. CARDOSO, Miriam Limoeiro. Op. cit., p. 15. 
38. PIRES, Eginardo. Op. cit., p. 168 (Grifo nosso). 
39. \u201cC\u2019est Ia façon la plus élémentaire et la plus optimiste de concevoir la démarche 
scientifique: la théorie, si l\u2019on peut dire, est contenue dans les phénomenes, d\u2019ou il suffit de 
l\u2019extraire. Non seulement cette conception de la science ne laisse pas de place à une activité 
de l\u2019imagination, mais elle l\u2019exc1ut formellement\u201d. THUILLIER, Pierre. Jeux et enjeux de la 
science. Paris, Laffont, 1972, p. 23 (Grifos nossos). 
40. PIAGET, Jean. Op. cit., p. 100. 
41. Criticando ironicamente o pensamento ultra-idealista, LEFEBVRE assim se expressa: \u201cSe 
olho em volta de mim, e percebo a vinte metros uma árvore, um carvalho de folhas sombrias e 
de tronco rugoso, o metafísico da escola idealista que estamos criticando dirá nesse momento: 
\u201cSim, você tem a sensação de verde e de castanho-escuro, sem nenhuma dúvida! Mas quando 
você pretende perceber um carvalho a vinte metros, é que está projetando fora de você esses 
estados subjetivos. É possível que nada exista fora de você; e que essa projeção seja 
inteiramente ilusória... Ou ainda: pode ser que o que exista fora de você não tenha nenhuma 
relação com essas impressões subjetivas, que são, por conseguinte, desprovidas de 
objetividade, de relação com o objeto... \u201cLEFEBVRE, Henri. Op. cit., p. 51. 
42. Cf. LEFEBVRE, Henri. Op. cit., p. 60 (Grifo do autor). A propósito, MARX e ENGELS 
observam que, na filosofia hegeliana, \u201cas idéias., os pensamentos e os conceitos produzem, 
determinam, dominam a vida real dos homens, seu mundo material, suas relações reais\u201d. 
MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. A ideologia alemã. Trad. de José Carlos Bruni e Marco 
Aurélio Nogueira. São Paulo, Ciências Humanas, 1979, p. 19. 
43. KOSIK, Karel. Op. cit., p. 12 (Grifo do autor). 
44. WARA T, Luís Alberto et alii. Filosofia e teoria social. Florianópolis, U.F.S.C., 1979, p. 
2, mimeografado. 
45. KOSIK, Karel, Op. cit., p. 18-9 (Grifo do autor). 
46. LUZ, Marco Aurélio. Por uma nova filosofia. In: ES¬COBAR, Carlos Henrique et alii. 
Op. cit., p. 39. 
47. Id. Ibid., p. 39. 
48. MIALLE, Michel. Uma introdução crítica ao Direito. Trad. de Ana Prata. Lisboa, Moraes, 
1979, p. 61 (Grifos do autor). 
49. A grosso modo, podemos afirmar, acompanhando LÊNIN, que o marxismo comporta três 
partes fundamentais: uma filosófica, constituída pelo materialismo dialético; uma política, 
cujo ponto capital é a teoria da luta de classes (materialismo histórico); e uma econômica, que 
se apóia sobretudo na teoria da mais-valia. É especialmente da primeira que nos ocupamos 
neste trabalho, pois é ela que contém o posicionamento epistemológico de MARX em face do 
problema do conhecimento. Claro que, com isso, não estamos ignorando as demais, pois 
sabemos que todas elas se interpenetram e se complementam. A obra de MARX tem sido 
duramente atacada, às vezes por pessoas que mal a conhecem. Apresentemos, sucintamente, 
as três principais críticas geralmente formuladas à parte filosófica do marxismo, ou seja, ao 
materialismo histórico: 
a) Os críticos de MARX costumam afirmar que sua obra é mais política do que 
científica. É bem verdade que os aspectos