Agostinho Ramalho Marques Neto - A Ciência do Direito - Conceito, Objeto, Método - 2º Edição - Ano 2001
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Agostinho Ramalho Marques Neto - A Ciência do Direito - Conceito, Objeto, Método - 2º Edição - Ano 2001


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e Octanny Silveira da Mota. São Paulo, Cultrix, Ed. 
da Universidade de São Paulo, 1975, p. 175, 174. 
20. LINS, Mario. Op. cit., p. 15. 
21. Tem-se, com certa freqüência, interpretado erroneamente esta proposição de EINSTEIN, 
atribuindo-lhe a afirmação de que qualquer tipo de espaço só pode existir se houver matéria. 
Na verdade, ele se refere apenas ao espaço físico, este sim, existente somente onde houver 
matéria ou energia, tanto quanto o espaço social, por exemplo, não pode existir 
independentemente da matéria social. Cada um pode, portanto, conjeturar sobre a hipótese de, 
para além do espaço físico, existir um tipo de espaço que, não sujeito ao tensor material, seria 
euclidiano, isto é, apresentaria curvatura igual a zero. 
22. Cf. PONTES DE MlRANDA, Francisco Cavalcanti. Sistema de ciência positiva do 
Direito. Rio de Janeiro, Borsoi, 1972, t. I, p. 47. 
23. Essas observações demonstraram, por exemplo, que os raios luminosos, ao penetrarem no 
campo de força de um corpo celeste, descrevem uma geodésica, e não uma reta. Por outro 
lado, o deslocamento altera as propriedades de um corpo, inclusive sua forma, em função da 
velocidade. 
24. Cf. GRÜNBAUM, Adolf. Op. cit., p. 178. 
25. Id. Ibid., p. 18l. 
26. \u201cA simultaneidade é relativa: sejam três pontos A, B e C; B é eqüidistante dos outros; 
fatos de A e C (raios luminosos) são simultâneos, se se encontram em B; mas se imaginarmos 
em movimento, no comboio, o observador, não o são: porque, em relação a C, recua e, em 
relação a A, avança; verá, portanto, primeiro a luz de A e, retardada, a de C. É a relatividade 
da simultaneidade: cada sistema de referência (sistema de coordenadas), diz A. EINSTEIN, 
tem seu tempo próprio; não tem sentido qualquer indicação de tempo, se se não indica o 
sistema de comparação utilizado para medir o tempo\u201d. PONTES DE MIRANDA, Francisco 
Cavalcanti. Op. cit., t. I, p. 52-3 (Grifos nossos). 
27. MARTINS, José Maria Ramos. Da noção de espaço ao fenômeno jurídico. São Luís, M. 
Silva & Filhos, 1955, p. 18 (Tese de concurso). 
28. \u201c(...) de um modo geral, é a noção de espaço fundamental a todo conhecimento, do 
empírico, imediato, ao científico e ao filosófico\u201d. Id. Ibid., p. 23-4. 
29. \u201cO velho sistema de cisão foi superado: não há surpreender o fenômeno social em sua 
dinâmica, supondo, de um lado, um espaço social continente e, de outro, relações sociais 
conteúdas, como queria o classicismo\u201d. Id. Ibid., p. 27. 
30. Cf. UNS, Mario. Op. cit., p. 11-2. 
31. PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Introdução à Sociologia Geral. Rio 
de Janeiro, A.B.L., 1926, p. 141. 
32. \u201cNo terreno teórico de uma concepção materialista da História, ou seja, de uma ciência da 
História, capaz de produzir teoricamente o seu objeto de conhecimento, não encontramos um 
tempo homogêneo e unitário, como em HEGEL, mas uma temporalidade diferenciada, 
decalada, em que a síntese das diferentes escalas de tempo nada tem que ver com o corte de 
essência, em que um tempo único e contínuo reflete o conjunto do todo social. Nesta 
concepção, não se encontrará mais um corte de essência que nos dê o \u201cpresente\u201d de uma 
totalidade histórica, pois o corte a um nível ou região (o econômico, por ex.) não 
corresponderá ao corte em outros níveis ou regiões (político, ideológico ete.), já que a cada 
um desses níveis caberá um tempo e ritmo próprios. (...) Daí a impossibilidade de pensar, em 
um mesmo tempo histórico, o processo de desenvolvimento dos diferentes níveis do todo: 
para cada nível, teremos um tempo e uma história própria relativamente autônomos\u201d. 
BEZERRA FILHO, Cabral. Ciência da História. In: ESCOBAR, Carlos Henrique et alii. 
Epistemologia e teoria da ciência. Petrópolis, Vozes, 1971, p. 22-3 (Grifas nossos). 
33. MARTINS, José Maria Ramos. Da noção de espaço ao fenômeno jurídico. São Luís, M. 
Silva & Filhos, 1955, p. 28 (Tese de concurso). 
34. Cf. MARTINS, José Maria Ramos. Da noção de espaço ao fenômeno jurídico. São Luís, 
M. Silva & Filhos, 1955, p. 27 (Tese de concurso). 
35. \u201cO geral não corresponde justamente à totalidade dos dados particulares; excede-a: (...) o 
conjunto torna-se unidade\u201d. PONTES DE MIRANDA, Francisco Cavalcanti. Sistema de 
ciência positiva do Direito. Rio de Janeiro, Borsoi, 1972, t. 1, p. 33-4. 
36. \u201cSeule une image mutilée de Ia démarche expérimentale peut faire de la \u201csoumission aux 
faits\u201d l\u2019impératif unique\u201d. BORDIEU, Pierre et alii. Op. cit., p. 63 (Grifo do autor). 
37. Muitas pesquisas sociais desenvolvidas em nossas Universidades têm esquecido essa 
importante questão, deixando assim de prestar uma contribuição mais efetiva à teoria 
sociológica, no que tange à produção de novos conhecimentos. Essas pesquisas, que geralmente 
versam sobre pequenos estudos fragmentários, estreitamente definidos, costumam considerar a 
metodologia como a parte essencial de seus trabalhos. Daí o abuso de técnicas estatísticas que, 
em muitos casos, nada dizem, porque dissociadas de todo um contexto teórico, e recolhidas, 
freqüentemente, de outras pesquisas desenvolvidas sob enfoques diferentes e até opostos. Esta 
tendência cada vez mais generalizada de explicar tudo quantitativamente ignora uma das mais 
importantes lições de WEBER: \u201cÉ erro acreditar que não haveria conhecimento científico 
válido que não fosse de ordem quantitativa. Com efeito, a quantificação e a medida são e não 
são senão processos metodológicos. Como tais, não poderiam constituir o fim da ciência, pois 
este consiste na verdade, para todos os que querem a verdade\u201d. Cf. FREUND, Julien. Op. cito p. 
36. O abuso do emprego de técnicas estatísticas, entendido tal abuso como a sua utilização mais 
ou menos dissociada de uma concepção teórica sólida, geralmente revela a crença na eficácia do 
uso de questionários e entrevistas, como se estes, por si sós, pudessem garantir a adequação do 
material coletado aos fins da pesquisa. Ouçamos o que, a propósito, diz MIRIAM CARDOSO: 
\u201cSe na análise da sociedade e dos grupos eu trabalho com questionários, faço perguntas aos 
indivíduos e utilizo as suas respostas como se fossem a realidade daqueles indivíduos - 
buscando a \u201cobjetividade\u201d -, posso verificar que a técnica de entrevistas tem por trás a 
suposição de que a realidade dos indivíduos é a sua consciência, mesmo se eu estiver levando 
em consideração a deformação da situação pergunta-resposta. Além disso, aquela técnica me 
obriga a atomizar o meu objeto de estudo. Pode a teoria em que me baseio dizer que não é 
assim, mas o uso do questionário supõe alguma \u201cteoria\u201d em que a sociedade e os grupos não 
sejam senão a soma dos indivíduos que os compõem. Se eu seleciono os indivíduos por 
amostras aleatórias, estou de sa\ufffd\ufffdda, e sem qualquer possibilidade de recuperação posterior, 
supondo que não há distinção essencial entre eles, ou melhor, que as distinções sociais são todas 
superficiais, de tal modo que posso tratar a todos igualmente, que todos entenderão igualmente 
a minha pergunta igual (basta que eu tenha cuidado no momento de formulá-la) e que, assim, o 
significado de respostas idênticas será também idêntico. Se estratifico as minhas amostras, os 
critérios que presidem à estratificação deverão considerar as variáveis trabalháveis pelas 
técnicas de amostragem. Se as distinções sociais efetivas dos grupos em questão não tiverem 
estas características...\u201d CARDOSO, Miriam Limoeiro. O mito do método. Rio de Janeiro, PUC, 
1971, p. 28-9, mimeografado (Grifos da autora). 
 
BIBLIOGRAFIA ADICIONAL 
CUVILLIER, Armand. Introdução à Sociologia. Trad. de Pedra Lisboa. Rio de Janeiro, 
Andes, 1954. 
ESCOBAR, Carlos Henrique et alii. Epistemologia e teoria da ciência. Petrópolis, Vozes, 1971. 
FEYERABEND, Paul K. Contra el método. Trad.