Mario Ferreira dos Santos - Métodos Lógicos e Dialéticos - Volume II
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Mario Ferreira dos Santos - Métodos Lógicos e Dialéticos - Volume II


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estática 
formal material
A formal indica ter a perfeição pela forma adita ao su­
jeito, e a material indica ser perfeição limitada, não preci­
samente que alguma forma tenha sido recebida no sujeito,
190 M ARIO F E R R E IR A DOS SANTOS
mas que consta das notas limitadas. Esta participação po­
de ser ainda
participação estática \u2014 et \u2014 participação estática 
formal física formal lógica
A formal física indica que a perfeição havida é distinta 
realmente pela forma, e não pela essência do sujeito. As­
sim, a água é quente pela forma do calor, que é realmente 
distinta da água; o homem sapiente é sábio pela forma real­
mente distinta do saber.
A formal lógica consiste em que a perfeição é havida por 
forma distinta do sujeito segundo a razão, e tal se dá quan­
do o predicado é mais universal que o sujeito.
Só o Ser Supremo ó ser por essência; tôda criatura é ser 
por participação. Precisar qual a participação é de máxima 
importância, quando se deseja analisar, distintamente, os 
diversos aspectos de uma argumentação.
O monismo, apesar de ser uma doutrina panteísta im­
perfeita, apresenta alguns argumentos sérios a seu favor. 
Hellin os examina e os refuta do seguinte modo, graças ao 
emprêgo das distinções. Vejamos os argumentos e as refu­
tações correspondentes:
Tôdas as coisas são um em razão do ser; ora, é impos­
sível serem muitas numericamente. E argumenta-se ainda: 
porque se fôssem muitas, ou difeririam em ser ou em não- 
-ser; ora, em ser não poderiam distinguír-se, porque tôdas 
as coisas são ser; e em não-ser não poderiam distinguir-se, 
porque tal distinção seria nada; portanto, não são muitos 
sêres.
A refutação é a seguinte: que tôdas as coisas são um em 
razão do ser, realmente tal não é procedente; logicamente, é 
preciso distinguir. Por conveniência unívoca, nega-se; por
MÉTODOS LÕGICOS E DIALÊCTICOS 191
conveniência análoga, aceita-se. Como decorrência, contra- 
distingue-se, porque o ser é análogo, pois as coisas podem 
convir e diferir na mesma razão de ser, porque de modo di­
verso se verifica o ser nos entes inferiores.
A refutação de Hellin é coerente com o pensamento 
suareziano, seguido por êle. Dentro da dialéctica concreta, 
que é a nossa, os sêres se distinguem pelo tipo de dependên­
cia e pela estructura essencial física e metafísica que têm. 
Sucede que todo ser finitç é híbrido de limitação e de ilimi- 
tação, como já o demonstrava o pitagorismo, e que é um 
enunciado de Filolau. Todo ser finito é ser enquanto é o 
que é, mas é não-ser no limite em que deixa de ser tudo 
quanto não é. Todo ser finito não é tudo quanto pode ser, 
dentro do âmbito de sua essência e de sua existência. É um 
misto de ser e de não-ser. Mas êsse não-ser não é pura­
mente negativo, mas positivo, porque o que não-é, é algo po­
sitivamente fora dêle, o que dá positividade indirecta ao 
seu não-ser. Ora, o Ser Supremo, e provamo-lo apoditica- 
mente em Filosofia Concreta, é o único ser que é apenas, e 
só, ser, que não tem composição de ser e de não-ser. Por 
essa razão, o monismo, reduzindo todos os entes formalmen­
te ao Ser Supremo, comete um êrro, e enleia-se em dificul 
dades teóricas insuplantáveis.
Vejamos outro argumento, e a refutação oferecida por 
Hellin:
Deus é infinito; portanto, fora dêle nada há; pois se 
houvesse alguma coisa fora de Deus, o que houvesse, se 
acrescentado a Deus, daria uma entidade maior, e, neste 
caso, Deus não seria infinito.
Que Deus é infinito, logicamente não padece dúvida. 
Mas o que se dá fora dêle depende dêle, segundo a essência 
e segundo a existência. Se não fôsse assim, haveria razão 
no argumento.
Outro argumento: Deus é o próprio ser; ora, ser não 
pode ser real em si, mas nas diferenças; portanto, necessà­
riamente Deus fêz tôdas as coisas singulares.
192 M ÃRIO f e r r e i r a d o s s a n t o s
A resposta é: que Deus é o próprio ser, não há dúvida. 
Porém não é um ser abstracto, mas concreto. O ser abs­
tracto não pode ser em si e em suas diferenças, é evidente. 
Mas, que o ser concreto não pode ser em si nega-se.
Temos, assim, nos argumentos examinados, as seguintes 
polaridades
por conveniência unívoca \u2014 et \u2014 por conveniência análoga 
realmente \u2014 et \u2014 logicamente 
abstracto \u2014 et \u2014 concreto
Outro argumento importante é o seguinte:
A causa deve conter em acto o seu efeito; ora, se con­
tém, não o produz do nada, mas apenas o transforma; por­
tanto, Deus nada faz do nada, mas apenas transforma sua 
substância na qual está contido o efeito.
A resposta é: que a causa deve conter em acto o seu 
efeito formalmente, nega-se; apenas virtual e eminentemen­
te, concorda-se.
A polaridade é
formalmente \u2014 et \u2014 virtualmente
(ou eminentemente)
Outro argumento fundamental do panteísmo, e conse­
qüentemente do monismo, é êste: Substância é o que não 
exige outro para existir; ora, tal entidade é única, na ver­
dade, Deus; logo, Deus é a única substância, e as outras são 
ou ilusões ou modificações da sua substância.
A resposta é a seguinte: se não exige outra para exis­
tir enquanto sujeito da inesão (como fundamento subjec­
tivo, que sub-estã, da in-hesão), concede-se; enquanto causa 
eficiente, êle subdistingue: se é incriada, aceita-se; se é cria­
da, nega-se.
eqiiívoco \u2014 unívoco \u2014 análogo
Vamos resumir o de que já tratamos, mas aplicando-o 
às distinções.
M ÉTODOS LOGICOS E DIALECTICOS 193
Eqiiívoco é o que se diz de muitos, com acepções diver­
sas. Assim cão, que se refere ao animal, a uma peça da ar­
ma, a uma constelação.
O unívoco pode ser
unívoco universal \u2014 et \u2014 unívoco transcendental
Unívoco é o que tem sempre a mesma acepção. Unívoco 
universal diz-se de muitos sempre com a mesma acepção. 
Transcendental é o nome que se diz das coisas que não têm 
entre si nenhuma ordem de prioridade e de posterioridade; 
ou, seja, que transcendem tôdas as diferenças. Assim, o têr­
mo ente, que se diz do animal, da pedra, do Homem, de Pe­
dro e de Antônio. No unívoco universal há ordem de priori­
dade e de posteridade, porque num está de modo principal, 
e noutro de modo secundário, ou como fonte num, ou como 
causa noutro, ou como derivação ou como dependência. As­
sim, animal que, embora sendo o mesmo, é de modo diverso 
no cavalo e no homem.
Análogo é o nome que se diz de muitos, parte do mes­
mo modo e parte de modo diverso. Assim são se diz da 
comida, do remédio e do homem, de modo análogo, ou seja, 
do mesmo modo e de modo diverso.
Análogo pode ser por
analogia de atribuição \u2014 et \u2014 analogia de atribuição 
intrínseca extrínseca
Intrínseca quando é formalmente, podendo ser princi­
palmente e por derivação e por dependência do principal. 
Assim, ente diz-se de todos intrínseca e formalmente, mas 
em Deus é dito principalmente, e como em origem, e nos 
outros como em imitação, e em dependência daquele.
Extrínseca é o que num é intrinsecamente, e noutros 
por denominação extrínseca ao primeiro, ao qual se refere
194 M ARIO F E R R E IR A DOS SANTOS
como causa, ou como efeito, ou como sinal. Assim são, sau­
dável diz-se intrinsecamente do animal, mas diz-se extrin- 
secamente do remédio, que produz saúde ou a conserva. 
Assim, divino diz-se de Deus intrinsecamente, mas extrinse- 
camente de suas obras.
Análogo ainda pode ser
por analogia de propor- \u2014 et \u2014 por analogia de propor­
cionalidade intrínseca cionalidade extrínseca
Intrínseca, quando significa a forma que é tomada in­
trinsecamente e formalmente nos inferiores, sendo a pro­
porção a mesma, como a existente entre 4:2 : : 6:3.
Extrínseca, quando significa a forma tomada intrínseca 
e formalmente nos primeiros, é nos outros tomada apenas 
extrínseca e formalmente, por semelhança de proporção. As­
sim 4:5 : : 7:9. Se leão se diz do animal e do soldado, ao pri­
meiro se diz intrinsecamente, ao segundo, apenas extrinseca- 
mente. Assim se dá