Mario Ferreira dos Santos - Métodos Lógicos e Dialéticos - Volume II
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Mario Ferreira dos Santos - Métodos Lógicos e Dialéticos - Volume II


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A é distinto do saber que 
temos da coisa.
Espontaneamente e reflexivamente. Afirma-se que al­
cança o sujeito um determinado conhecimento? É êste es­
pontâneo ou reflexivo.
Mediatamente e imediatamente. A conclusão, que se 
afirma ter alcançado, é mediata, realizada por meios espe­
culativos; ou imediata, dada espontaneamente. A afirma­
tiva pode ser verdadeira se fôr considerada apenas um dos 
pólos da distinção.
Directamente e indirectamente. Assemelha-se ao ante­
rior.
Experimentalmente e reflexivamente. De que modo é 
tal conhecimento obtido? A distinção permite aceitar uma 
conclusão, ou negá-la?
Aprioristicamente e aposterioristicamente. O que se 
afirma, ou nega, é dado como obtido aprioristicamente, sem 
uma verificação, uma demonstração, ou aposterioristica­
mente, após a verificação de vários aspectos? O valor da 
conclusão está condicionada muitas vêzes à maneira de con­
siderar tais aspectos polares.
Realmente e ilusòriamente. Note-se se a afirmação se 
refere a alguma coisa real ou apenas ilusória.
Actualmente e potencialmente. Verifique-se se o afir­
mado é algo actual ou potencial do sujeito.
Ontològicamente e logicamente. O que se diz pertence 
ao conceito ontológico, ou ao meramente lógico do sujeito. 
Quando se diz que ser é gênero supremo, diz-se lògicamentet 
e não ontològicamente, porque, como tal, ser não é gênero.
Compositivamente e justapostamente. Quando se tra­
ta de conceitos colectivos ou que se referem à totalidade, no­
te-se se os elementos componentes são compositivos ou me­
ramente justapostos, ou sejam, agregados.
214 M ARIO F E R R E IR A DOS SANTOS
Quando se trata de uma totalidade deve-se verificar qual 
espécie de totalidade. Devem-se aproveitar as distinções 
que examinamos ao tratar do todo e da parte.
Implicitamente e explicitamente. O que se diz é implí­
cito, ou explícito?
Propriamente e impropriamente. O que afirmamos de 
um sujeito, fazemo-lo propriamente, ou impropriamente? O 
exame dêsse aspecto permite concluir com mais segurança.
Simpliciter (absolutamente) e secundum quid (relativa­
mente à qüididade). O que se diz ou se nega de alguma 
coisa, é feito de modo absoluto ou relativo? Afirmando-se o 
mal de alguma coisa, afirma-se absolutamente ou relativa­
mente?
Necesàriamente e contingentemente. O que é afirmado 
é necessariamente do sujeito, ou é contingentemente dêste? 
É necessariamente hipotético, ou simplesmente?
Eminentemente e potencialmente. Quando se afirma 
que alguma coisa contém ou pode conter outra, contém-na 
ou eminentemente, ou potencialmente, ou virtualmente, ou 
não?
Totalmente ou parcialmente. Toma se quanto ao todo 
ou quanto à parte, o que se afirma ou se nega?
Ex parte e ex toto. A mesma relação acima descrita.
Deficientemente e indeficientemente. Afirma-se como 
falta, como ausência de alguma coisa que devera ter, ou 
não?
Concretamente e abstractamente. Toma-se o conceito 
concretamente; ou, seja, referindo-se ã forma e à matéria, 
ou apenas à forma?
Próximo e remoto. O que se afirma ou nega é próximo 
ou remoto à coisa da qual se afirma ou nega?
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Distributivamente e colectivamente. O qüe se afirma 
ou nega, afirma-se ou não de cada elemento de um modo 
ou apenas do todo?
Analogamente ou univocamente. O que se afirma, faz- 
-se univocamente? Pertence, em sua plenitude, ao conceito 
que recebe a afirmação, ou é apenas analògicamente que tal 
se afirma?
Sob a mesma razão ou sob razão diversa. O que se diz
de um e de outro, se diz sob a mesma razão, ou sob razão 
diversa?
Negativamente e precisivamente. O que se afirma, afir­
ma-se em separado, ou unitivamente?
Determinadamente e indeterminadamente. O que se
afirma de um conceito é afirmado determinadamente a to­
dos os que compõem a sua extensão, ou indeterminada­
mente?
Com obscuridade e com clareza. O que se afirma de­
corre da obscuridade do nosso conhecimento, ou da clareza 
do mesmo?
Propriamente dito ou impropriamente dito. O conteú­
do conceituai afirmado ou negado é tomado em seu sentido 
próprio ou não, e o que se afirma ou nega se faz de modo 
propriamente dito, ou impropriamente dito?
Quanto a si ou quanto a nós. O que se diz de uma coi­
sa é feito quanto a ela em si mesma, ou quanto ao que dela 
conhecemos?
Éstes exemplos de polaridades de distinção servem para 
familiarizar o estudioso no exame dos argumentos, facíli- 
tando-lhe a mais nítida compreensão do que está em foco, 
evitando, conseqüentemente, erros comuns que são evitáveis.
DA DISPUTA ESCOLÁSTICA
Reproduzimos, abaixo, uma síntese realizada por Gredt 
em sua \u201cElementa Phílosophiae\u201d I, pág. 73, que ilustra per­
feitamente as regras de proceder na disputa escolástica:
\u201cA disputa escolástica é a disputa na forma (in forma); 
ou, seja, na qual rigorosamente se observa a forma silogís- 
tica. Distingue-se da disputa vulgar extra formam, e da 
disputa socrática, que consiste em interrogações, por meio 
das quais se deduz o que pouco a pouco vai concedendo o 
adversário.
O munus defendendi (a função da defesa). Na disputa 
escolástica, defende-se um argumento em forma silogística. 
Examinam-se as premissas, concedem-se as verdadeiras 
(concedo), negam-se as falsas (nego), distinguem-se as am­
bíguas (distinguo). Se é vicioso o silogismo, nega-se a con­
seqüência. Se surge uma distinção, precisa-se sôbre o que 
ela cai, se sôbre as premissas, se sôbre o predicado ou se sô­
bre o sujeito. Se se distingue a maior, contradistingue-se a 
menor, e negam-se o conseqüente e a conseqüência. Se a dis­
tinção fôr apenas na maior ou na menor, distingue-se o con­
seqüente.
O munus arguentis (a função do que argúi). O argüen- 
te deve provar as proposições que são negadas pelo defen- 
dente. Para ilustrar melhor o método vamos reproduzir o 
esquema de disputa escolástica que nos oferece Gredt no li­
vro citado.
"Defendente: \u2014 A tese a ser defendida é a seguinte: \u201cA 
verdade principalmente, e a priori, está no intelecto"; o que 
explico e provo, . .
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E realiza a prova.
Argüente: \u2014 Contra a tese que foi oferecida: \u201cA verdade 
principalmente.. , proponho o argumento: A verdade, prin­
cipalmente e a priori, não está no intelecto; logo, a tese é 
falsa,
Defendente: \u2014 A verdade, principalmente e a priori, 
não está no intelecto; portanto, a tese é falsa.
Nego antecedente; deves provar.
Argüente: \u2014 Provo antecedente: o que está a priori no 
intelecto é algo subjectivo. Ora, a verdade não é algo sub­
jectivo; logo, não está a priori no intelecto.
Defendente: \u2014 O que está a priori no (repete inte­
gralmente o argumento). \u2014 O que está a priori no intelecto 
é algo subjectivo. Concedo a maior. \u2014 Ora, a verdade não 
é algo subjectivo. Distingo a menor: A verdade ontológica 
não é . . . concedo a menor; a verdade lógica não é . . . nego 
a menor. \u2014 Logo, a verdade a priori não está no intelecto. 
Distingo o conseqüente: a verdade ontológica não é . . . con­
cedo conseqüente; a verdade lógica não é . .. nego conse­
qüente. E explico a distinção: a verdade lógica é a adequa­
ção entre o intelecto e a coisa, portanto alguma coisa sub­
jectiva; a verdade ontológica é a adequação da coisa com o 
intelecto, portanto algo objectivo ou extra intelecto.
Argüente: \u2014 Ora, a verdade lógica não é algo subjectivo. 
Portanto, a verdade a priori não está no intelecto, e a tese é 
falsa.
Defendente: \u2014 O que está no objecto... (repete inte­
gralmente o argumento). O que está no objecto não é algo 
subjectivo. Distingo a maior: O que está no objecto formal­
mente não é . . . concedo a maior. Ora, a verdade lógica es­
tá no objecto. Contradistingo a menor: a verdade lógica es­
tá no objecto formalmente, nego a menor; . . . está no ob­
jecto fundamentalmente, concedo a menor. Portanto, a
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