Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria

Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria


DisciplinaDireito Processual Civil I45.757 materiais805.037 seguidores
Pré-visualização50 páginas
não é suficiente para tal mister. 
Além disso, no boletim de ocorrência acima referido a vítima é Marcos Eduardo Alves e dele consta que o proprietário do veículo é Francisco Alvino Felipe, dados estes não esclarecidos pelo demandado. É o caso de se indagar: teria ele, ilicita-mente, vendido o veículo alienado para terceiros?\u201d O acórdão, de sua parte, apenas no voto vencido enfocou a questão (fls. 54):
Não se colocou em dúvida o furto do veículo. Considerou, porém, a autora subsistente a responsabilidade do réu. O certo, porém, é que se deu, em razão do furto, o perecimento do objeto da garantia, restando à autora outras formas de satisfação do crédito, como seja a execução, porque tornou-se impossível a restituição do bem e é inviável a decretação da prisão.\u201d 
O depositário deverá restituir o bem depositado, não podendo furtar-se à sua restituição, sob pena de ser compelido a fazê-lo mediante prisão. Obsta, entretanto, a restituição se \u201ca coisa foi furtada ou roubada\u201d (HC, arts. 1.268 e 1.277). 
Certa a ocorrência de furto do veículo de que o paciente é depositário por força de contrato, fica afastada sua responsabi-
 Da Busca e Apreensão na Alienação Fiduciária 97
lidade como depositário infiel, não podendo subsistir contra ele a ameaça de prisão civil, sem prejuízo de que o credor demande o pagamento do que lhe é devido pelas vias adequadas (art. 906 do CPC). Assim entendeu esta Corte nos precedentes elencados no parecer da Procuradoria-Geral da República. 
Em face do exposto, defiro o habeas corpus para afastar a ameaça de prisão civil contra o paciente. 
EXTRATO DE ATA
HC n. 76.941-1 - SP - Relator: Min. Ilmar Galvão. Pacte.: Sídnei de Brito. Impte.: Décio Grisi Filho. Coator: Segundo Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo. 
Decisão: A Turma deferiu o pedido de habeas corpus, nos termos do voto do Relator. Unânime. 1ª Turma, 12.05.98. 
Presidência do Senhor Ministro Moreira Alves. Presentes à Sessão os Senhores Ministros Sydney Sanches, Octavio Gallotti, Sepúlveda Pertence e Ilmar Galvão. 
Subprocurador-Geral da República, Dr. Wagner Natal Batista. 
Ricardo Dias Duarte, Secretário. 
 98 Busa Mackenzie Michellazzo
Devedor fiduciário - Equiparação ao depositário infiel - Entendimento predominante no Supremo Tribunal Federal - Habeas corpus indeferido. 
(JSTF - Volume 233 - Página 367)
\u201cHABEAS CORPUS\u201d Nº 75.418-0 - PR
Segunda Turma (DJ, 31.10.1997)
Relator: O Sr. Ministro Nelson Jobim
Paciente: Moacir Tavares
Impetrantes: Cleci Terezinha Muxfeldt e outro Coator: Tribunal de Alçada do Estado do Paraná EMENTA: - HABEAS CORPUS - PRISÃO CIVIL. DEVEDOR FIDUCIÁRIO. EQUIPARAÇÃO AO DEPOSITÁ-
RIO INFIEL. ENTENDIMENTO PREDOMINANTE NO
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. 
 Habeas corpus indeferido. 
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Mi-
 Da Busca e Apreensão na Alienação Fiduciária 99
nistros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, na conformidade da ata de julgamento e das notas taquigráficas, por maioria de votos, em indeferir o habeas corpus. 
Brasília, 19 de agosto de 1997. 
NÉRI DA SILVEIRA, Presidente - NELSON JOBIM, Relator. 
RELATÓRIO
O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (Relator): -
Sentença julgou procedente ação de depósito e determinou \u201ca expedição de mandado para que se proceda à entrega dos bens ou o equivalente em dinheiro, em 24 hs. sob pena de prisão de até um (01) ano\u201d (fls. 44). 
O Tribunal manteve a sentença (fls. 71/75). 
O Impetrante sustenta a inadmissibilidade da prisão civil (art. 5º, LXVIII, da Constituição Federal). 
O Ministério Público Federal opina pelo indeferimento da ordem (fls. 132/134). 
É o relatório. 
VOTO
O SENHOR MINISTRO NELSON JOBIM (Relator): -
A jurisprudência predominante nesta Corte é no sentido da equiparação do devedor fiduciário ao depositário infiel (HC
74.739, dentre outros). 
Na linha desse entendimento, indefiro o habeas corpus. 
VOTO
O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO: - Senhor
Presidente, a regra é no sentido de não se ter prisão por dívida; a exceção corre à conta de preceito, a meu ver, numerus clausus, ou seja, de norma que revela as hipóteses em que viável essa prisão. E, aí, temos apenas dois casos contemplados: aquele alusivo ao inadimplemento de prestação alimentícia e o outro, que diz respeito ao depositário infiel. 
Pois bem, é possível ter-se devedor, ainda que considera-
 100 Busa Mackenzie Michellazzo
da a alienação fiduciária, como depositário do bem? É possível agasalhar-se a extensão das exceções constitucionais pelo legislador ordinário, a partir de uma ficção jurídica, do empréstimo de uma qualificação, de uma nomenclatura, a certa pessoa, à posição de certa pessoa? A meu ver, não. Sob o meu ponto de vista, a Carta necessariamente remete ao contato de depósito e neste todos sabemos que a obrigação do depositário é a de guardar o bem para restituí-lo tão logo o peça o depositante. 
Na espécie da alienação fiduciária, tem-se como obrigação principal o pagamento do valor devido pela aquisição do bem. 
A par desses aspectos considero ainda que o Brasil, ao subscrever o Pacto de São José da Costa Rica, caminhou no sentido de derrogar o Código Civil e o Código de Processo Civil, no que prevista a prisão do depositário, e, portanto, não temos mais regulada, no nosso cenário normativo, a espécie. 
Peço vênia ao nobre Relator para conceder a ordem. 
VOTO
O SR. MINISTRO CARLOS VELLOSO: - Sr. Presidente, no Habeas corpus nº 72.131, do Rio de Janeiro, fiquei vencido, no Plenário, sustentando a tese no sentido da ilegitimidade constitucional da prisão civil do alienante fiduciário. Por cerca de duas vezes votei aqui, ressalvando meu ponto de vista pessoal; todavia, estou informado de que o impetrante pretende apresentar embargos de declaração. Fez-me, inclusive, apelo para que meu voto fosse encaminhado; verifiquei que o meu voto está dependendo de revisão de apartes e está no gabinete de um Colega. 
Sr. Presidente, ciente disso e porque ainda não existe acórdão desse Habeas corpus nº 72.131, não posso sustentar a tese no sentido de que a jurisprudência seria em favor da prisão civil, dado que pende esse acórdão, ainda não publicado, de recurso. 
Então, por entender que não há ainda julgamento completo do Pleno - e devo informar que o HC 72.131 foi
 Da Busca e Apreensão na Alienação Fiduciária 101
julgado em 1995 -, com a devida vênia, o meu voto é no sentido de, reiterando o voto que proferi no Plenário, deferir o habeas corpus. 
EXTRATO DE ATA
HC n. 75.418-0 - PR - Relator: Min. Nelson Jobim. 
Pacte.: Moacir Tavares. Imptes.: Cleci Terezinha Muxfeldt e outro. Coator: Tribunal de Alçada do Estado do Paraná. 
Decisão: Por maioria, a Turma indeferiu o habeas corpus, vencidos os Senhores Ministros Marco Aurélio e Carlos Velloso. 2ª Turma, 19.08.97. 
Presidência do Senhor Ministro Néri da Silveira. 
Presentes à Sessão os Senhores Ministros Carlos Velloso, Marco Aurélio, Maurício Corrêa e Nelson Jobim. 
Subprocurador-Geral da República, Dr. Edinaldo de Holanda Borges. 
Imposição a terceiro a que, por conluio fraudulento, foi transferido veículo alienado fiduciariamente à Caixa Econômica Federal - Inadmissibilidade - Ofensa ao disposto no artigo 5º, LVII, da Constituição Federal - Prisão civil, ademais, aplicada como pena, com desvio de sua finalidade - Habeas corpus deferido. 
(JSTF - Volume 238 - Página 366)
\u201cHABEAS CORPUS\u201d Nº 76.712-1 - PE
Primeira Turma (DJ, 22.05.1998)
Relator: O Sr. Ministro Moreira Alves
Paciente: Eduardo Mayer de Castro Souza
Impetrante: Luiz Rafael Mayer
Coator: Tribunal Regional Federal da 5ª Região