Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria

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DisciplinaDireito Processual Civil I45.757 materiais805.037 seguidores
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EMENTA: - \u201cHabeas corpus\u201d. Prisão civil imposta a terceiro a que, por conluio fraudulento, foi transferido veículo alienado fiduciariamente à Caixa Econômica Federal. 
- Correto o parecer da Procuradoria-Geral da República, porquanto a prisão civil, que não é pena, mas meio de coerção processual destinado a compelir o devedor a cumprir a obriga-
ção não satisfeita, só pode ser imposta, em face do artigo 5º, LVII, da Constituição, ao devedor de obrigação alimentícia e ao depositário infiel, hipóteses que não ocorrem no caso, em que, aliás, se aplicou a prisão civil como pena, desviando-a, portanto, de sua finalidade. 
\u201cHabeas corpus\u201d deferido. 
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos, em deferir o pedido de habeas corpus, nos termos do voto do Relator. 
Brasília, 24 de abril de 1998. 
MOREIRA ALVES, Presidente e Relator. 
RELATÓRIO
O SENHOR MINISTRO MOREIRA ALVES (Relator):
- Assim expõe e aprecia o presente \u201chabeas corpus\u201d o parecer da Procuradoria-Geral da República de autoria do Dr. Edson Oliveira de Almeida:
\u201c1. Ivan Alves de Lira obteve junto à Caixa Econômica Federal empréstimo para a aquisição de um táxi, a juros subsi-diados, constando do contrato respectivo a garantia acessória da alienação fiduciária. 
2. Verificada a inadimplência do devedor, a CEF ingressou com ação de busca e apreensão, restando apurado pelo oficial de justiça que o veículo fora repassado para o paciente. Foi então requerida a transformação da busca e apreensão em ação
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de depósito, bem como a citação do paciente como litisconsorte passivo. A ação foi julgada procedente, sendo determinada a expedição de mandado de entrega do bem, em 24 horas, contra os réus Ivan Alves de Lira e Eduardo Mayer de Castro Souza. 
3. Consta do acórdão que negou provimento à apelação dos réus: \u201cdo que se pode extrair dos depoimentos prestados em juízo, estou plenamente convencido de que houve um conluio entre o réu e o litisconsorte passivo para obtenção, através de meios fraudulentos, de financiamento junto à CEF e, em seguida, tansferência do veículo, visando lograr vantagem econômica\u201d (fls. 48). 
4. Como bem argumenta o impetrante, a prisão civil só é cabível contra o devedor fiduciante, não podendo ser estendida a terceiro, que não figurou no contrato sequer como avalista ou fiador. O simples fato de que esse terceiro possa ser eventualmente beneficiário na transação, pouco importa se de boa ou má-fé, não permite a prisão civil dele, por inexistência de título permissivo. 
Ensinam os doutrinadores que a prisão civil não é pena, mas \u201cmeio de coerção processual destinado a compelir o devedor a cumprir a obrigação não satisfeita\u201d (JOSÉ CARLOS
MOREIRA ALVES. A Ação de Depósito e o Pedido de Prisão. 
Revista de Processo, São Paulo, (36):12, out./dez. 1984). No caso, a decisão a quo, detectando a fraude na transferência do veículo, desviou-se da finalidade da prisão civil, transformando-a em meio de punição do terceiro, tido como beneficiário. 
5. Isso posto, opino pelo deferimento da ordem.\u201d (fls. 64/65). 
Esclareço que, a fls. 33, havia sido deferido o pedido de liminar. 
É o relatório. 
VOTO
O SENHOR MINISTRO MOREIRA ALVES (Relator):
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- 1. Correto o parecer da Procuradoria-Geral da República, porquanto a prisão civil, que não é pena, mas meio de coerção processual destinado a compelir o devedor a cumprir a obriga-
ção não satisfeita, só pode ser imposta, em face do artigo 5º, LVII, da Constituição, ao devedor de obrigação alimentícia e ao depositário infiel, hipóteses que não ocorrem no caso, em que, aliás, se aplicou a prisão civil como pena, desviando-a, portanto, de sua finalidade. 
2. Em face do exposto, defiro o presente \u201chabeas corpus\u201d. 
EXTRATO DE ATA
HC n. 76.712-1 - PE - Relator: Min. Moreira Alves. 
Pacte.: Eduardo Mayer de Castro Souza. Impte.: Luiz Rafael Mayer. Coator: Tribunal Regional Federal da 5ª Região. 
Decisão: A Turma deferiu o pedido de habeas corpus, nos termos do voto do Relator. Unânime. 1ª Turma, 24.04.98. 
Presidência do Senhor Ministro Moreira Alves. Presentes à Sessão os Senhores Ministros Sydney Sanches, Octavio Gallotti, Sepúlveda Pertence e Ilmar Galvão. 
Subprocurador-Geral da República, Dr. Miguel Frauzino Pereira. 
Ricardo Dias Duarte, Secretário. 
. 
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Equipamentos de transmissão de rádio comunitária -
Objetos apreendidos em sede de investigação criminal -
Mandado de segurança - Impropriedade da via eleita -
Precedentes - Ordem não conhecida. 
(JSTJ e TRF - Volume 111 - Página 599)
MANDADO DE SEGURANÇA N. 60.047 - PB
(97.05.18187-0)
Tribunal Pleno
Relator: Exmo. Sr. Juiz Geraldo Apoliano
Impetrante: Rádio Comunitária Canaã FM
Advogados: Dr. José Luciano Gadelha e outros Impetrado: Juízo Federal da 3ª Vara/PB
EMENTA: - PROCESSUAL PENAL. MANDADO DE
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SEGURANÇA CONTRA ATO JUDICIAL. BUSCA E
APREENSÃO DE EQUIPAMENTOS DE TRANSMISSÃO
DE RÁDIO COMUNITÁRIA. IMPROPRIEDADE DA VIA
ELEITA. REIVINDICAÇÃO ATRAVÉS DO INCIDENTE
PREVISTO NO ART. 120, DO CÓDIGO DE PROCESSO
PENAL. NÃO CONHECIMENTO. PRECEDENTES. 
I - Ação de Segurança impetrada contra ato judicial que concedeu busca e apreensão de equipamentos de transmissão da Impetrante, ao objetivo de se determinar a proibição da prática de qualquer ato tendente a impedir o seu funcionamento. 
II - Cuidando-se de objetos apreendidos em sede de investigação criminal, há procedimento específico, disciplinado na lei penal básica de ritos, para a restituição das coisas apreendidas (art. 120, do Código de Processo Penal). 
III - A jurisprudência deste Tribunal é assente no sentido de que, se há (e é o caso), procedimento próprio para se requerer a restituição das coisas apreendidas em sede de jurisdição penal, o \u201cwrit\u201d não se apresenta como via própria para o ataque de atos como o de que se cogita. 
IV - Mandado de Segurança não conhecido. 
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, em que são partes as acima identificadas:
Decide o Pleno do Tribunal Regional Federal da Quinta Região, por unanimidade, não conhecer do Mandado de Segurança, nos termos do relatório, voto do Juiz Relator e notas taquigráficas constantes nos autos, que passam a integrar o presente julgado. 
Custas, como de lei. 
Recife, 26 de novembro de 1997 (data do julgamento). 
Juiz GERALDO APOLIANO, Relator. 
RELATÓRIO
O EXMO. SR. JUIZ GERALDO APOLIANO: - Cuida-
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se de Mandado de Segurança ajuizado contra decisão que, em sede de representação, subscrita pelo Delegado de Polícia Federal Augusto Cezar Oliveira Pinto, determinou a Busca e a Apreensão dos equipamentos de transmissão da Rádio Canaã FM, emissora dita clandestina, em operação na Cidade de Uiraúna/PB. 
A medida teria por objetivo - é o que desponta do ato impugnado -, ensejar a colheita de elementos \u201c... de convicção quanto à infração ao Código Brasileiro de Comunicações...\u201d - fls. 9. 
Pede-se na Ação de Segurança, que, liminarmente, se sus-penda \u201c... o despacho atacado até final julgamento do presente mandado de segurança\u201d - fls. 15. 
Clama-se, ainda, porque se determine \u201c... a proibição da prática de qualquer ato tendente a impedir o seu funcionamento (da emissora), enquanto pendente o mandado de segurança...\u201d