Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria

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DisciplinaDireito Processual Civil I45.738 materiais804.635 seguidores
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e que, se assegure, a final, \u201c... nos moldes da Constituição Federal e Pacto de São José da Costa Rica, o funcionamento da rádio comunitária ora impetrante sem a necessidade de qualquer autorização, de quem quer que seja\u201d - fls. 16. 
A medida liminar foi indeferida - fls. 104/105. 
As informações foram prestadas; e o \u201cParquet\u201d opinou pelo não conhecimento do \u201cwrit\u201d, ante a impropriedade da via eleita. 
Dispensada a inclusão em pauta de julgamento (Emenda Regimental n. 11, de 23.03.94). 
É o relatório. 
VOTO
O EXMO. SR. JUIZ GERALDO APOLIANO (Relator):
- Requereu-se medida liminar, em Ação de Segurança, ao objetivo básico de que se determinasse a proibição da prática de qualquer ato tendente a impedir o funcionamento da Impetrante (emissora de radiodifusão comunitária), enquanto pendente o presente \u201cmandamus\u201d e que, se assegure, a final, \u201c... nos moldes da Constituição Federal e Pacto de São José da Costa Rica, o
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funcionamento da rádio comunitária ora impetrante sem a necessidade de qualquer autorização, de quem quer que seja\u201d. 
Entendo que os fundamentos do mérito da Ação Mandamental \u201csub examine\u201d foram por deveras esclarecidos no despacho de fls. 104/105, os quais passo a confirmá-los, 
\u201cverbis\u201d:
\u201cNão se põe em xeque a afirmativa segundo a qual, há de ser livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; é o que está inscrito na Constituição em vigor - cf. art. 5º, inc. 
IX.Tampouco se desconhece que os direitos e garantias expressos na Constituição, não excluem outros, sejam eles decorrentes do regime e dos princípios por ele adotados, ou que defluam de tratados internacionais referendados pela República Federativa do Brasil (CF, art. 5º, § 2º) e, nem mesmo, que o País seja signatário do Pacto de São José da Costa Rica. 
Mas, é induvidoso que compete à União explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão, os serviços (dentre outros) de radiodifusão sonora (CF de 1988 -
alínea \u201ca\u201d do inc. XII do art. 21), nos moldes regulados (ainda hoje e apesar da edição do Decreto n. 678/92) pelo Código Brasileiro de Telecomunicações - Lei n. 4.117, de 1962. 
Assentadas essas considerações, destaco que, consoante a exordial, a potência de emissão do equipamento apreendido, 
\u201c... não ultrapassa sequer, os limites territoriais dos municípios vizinhos\u201d - fls. 10; por isso mesmo, não haveria como se interfe-rir nas atividades de radiodifusão das emissoras comerciais de
\u201c... Cajazeiras, Pombal, Sousa e outras adjacentes...\u201d. 
Caracterizando-se, portanto, como emissora de baixíssima potência, prescindiria (notadamente ante a omissão do Código, no respeitante à disciplina das rádios comunitárias) de qualquer autorização do Estado para operar, livre e
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licitamente. 
Cópia do auto de apresentação e apreensão demora às fls. 93/94; mesmo que se subscreva (\u201cad argumentandum\u201d) a posição delineada nos pronunciamentos judiciais trazidos à colação pela ora Impetrante, não há naquele documento, \u201cdata venia\u201d, qualquer assertiva que chancele a afirmação contida no tópico antecedente. 
Essa constatação autoriza a que se questione (ao menos para os fins da Ação de Segurança) a própria liquidez e certeza do direito ora alegado. 
Importa deixar averbada uma outra consideração: refiro-me ao fato de que (é pacífico) somente o ato judicial com feições de indisfarçável teratologia, é que deve de ataque possível pela via estreita do \u201cremédio heróico\u201d; e na hipótese trazida a exame, 
\u201cdata venia\u201d, o ato judicial aguilhoado, não se revela, ao menos em tese, abusivo ou enodoado por flagrante e induvidosa ilegalidade. 
Cumpre ver ainda que, cuidando-se de objetos apreendidos em sede de investigação criminal, há procedimento específi-co, disciplinado na lei penal básica de ritos, para a restituição das coisas apreendidas. 
E a jurisprudência deste Tribunal é assente no sentido de que, se há (e é o caso), procedimento próprio para se requerer a restituição das coisas apreendidas em sede de jurisdição penal, o \u201cwrit\u201d não se apresenta como via própria para o ataque de atos como o de que, neste instante, se está a cogitar. 
Atento a essas peculiaridades, obstenho-me de outorgar o provimento liminar reclamado. I-se\u201d. 
No mesmo sentido, o douto presentante do \u201cParquet\u201d Federal, assim se manifestou (fls. 111/113):
\u201cO assunto levantado no presente mandado de segurança é bastante simples, inclusive já pacificado perante os Tribunais, eis que a legislação processual penal vigente, em seu art. 120, 
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prescreve o procedimento adequado para serem reivindicados os bens apreendidos em sede de procedimento penal. 
Assim sendo, somente no caso de negativa do pedido formulado através do incidente de \u201crestituição de coisas apreendidas\u201d, é que seria viável a utilização do mandado de segurança como remédio jurídico possível, o que não é o caso. 
\u201cData venia\u201d, para transcrever acórdãos referentes à ma-téria em apreço:
\u201cEMENTA: - MANDADO DE SEGURANÇA. CABI-
MENTO. INQUÉRITO POLICIAL. CRIME DE
ALICIAMENTO DE TRABALHADORES (ART. 207 DO
CP). APREENSÃO DE VEÍCULOS DESTINADOS AO
TRANSPORTE DOS ALICIADOS. RESTITUIÇÃO. 
I - É cabível o Mandado de Segurança para pleitear-se a restituição de bens apreendidos em Inquérito Policial, uma vez indeferida no procedimento incidental de que trata o art. 120, §
2º, do CPP. 
II - O crime de aliciamento de trabalhadores definido no art. 207 do Código Penal se consuma no momento em que o agente convence o trabalhador a transferir-se para outra localidade do território nacional, acertando com ele as condições e os meios como isso se fará. Por conseguinte, os veículos de qualquer natureza utilizados para deslocar-se ao lugar de destino, de nenhuma forma podem ser considerados instrumento desse ilícito ou prova de sua materialidade. 
Desnecessárias, portanto, sua apreensão e a retenção, desde que, além de não interessarem ao processo, não estão incluídos entre os bens passíveis de perda, mencionados no art. 91, II, do Código Penal. 
III - Mandado de Segurança conhecido e deferido\u201d (TRF
- 5ª Região, Pleno, MS n. 501.879/90, Rel. Juiz PETRÚCIO
FERREIRA, publ. DJ de 19.09.90, p. 24.631). 
\u201cEMENTA: - MANDADO DE SEGURANÇA. APRE-
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ENSÃO DE AÇÚCAR EM CIRCUNSTÂNCIAS SUSPEI-
TAS DE TENTATIVA DE CONTRABANDO. IMPROPRIE-
DADE DA VIA ELEITA. AUSÊNCIA DE PROVA PRÉ-
CONSTITUÍDA DA APREENSÃO. 
- Os bens apreendidos em inquérito policial podem ser reivindicados através do incidente de \u201crestituição de coisas apreendidas\u201d, previsto no CPP\u201d (TRF - 5ª Região, 1ª Turma, AMS n. 501.923/90, Rel. Juiz RIDALVO COSTA, publ. DJ
de 12.10.90)\u201d. 
Portanto, verificando-se que a Impetrante não se utilizou do procedimento específico aos fins que objetiva - ou seja: a restituição dos equipamentos de transmissão da Rádio Canaã FM -, resta, tão-somente, não conhecer do presente \u201cwrit\u201d (o exame de quaisquer outras pretensões acaso deduzidas nestes autos, fica prejudicada). 
Esforçado nessas razões, sou pelo não conhecimento do Mandado de Segurança. 
É como voto. 
Alienante fiduciário equiparado ao depositário infiel -
Cabimento da pena de prisão. 
(JTACSP - Volume 167 - Página 344)
ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA - Emenda da mora - Possibilidade independentemente do valor mínimo porcentual resgatado, sempre no tríduo legal. 
Independentemente do valor mínimo porcentual resgatado há possibilidade de emenda da mora, sempre no tríduo legal. 
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