Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria

Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria


DisciplinaDireito Processual Civil I45.849 materiais807.388 seguidores
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(\u201cin\u201d \u201cProcesso Cautelar\u201d, LEUD, 2ª ed., 1976, pág. 108). E a jurisprudência não discrepa desse entendimento (cf. as decisões publicadas \u201cin\u201d RJTJSP 118/213, Rel. Des. ISIDORO CARMONA e 119/
361 Rel. Des. FERREIRA DA CRUZ, 97/196, Rel. Des. JOSÉ
CARDINALE, 97/314, Rel. Des. BARROS MONTEIRO e
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RT 634/55, Rel. Des. ARTHUR DE GODOY). Tal tutela não pode ser alçada a uma espécie de panacéia processual, \u201ctera-pêutica contra a enfermidade endêmica da jurisdição comum\u201d, no afirmar de Ovídio A. Baptista da Silva (\u201cComentários ao Código de Processo Civil\u201d, vol. XI, Do Processo Cautelar, Lejur Ed., 1985, pág. 10). Ao contrário, o manejo da jurisdição cautelar deve estar envolvido pela técnica específica dos provimentos dessa natureza, pois, como adverte o citado autor, não se oferecem vantagens processuais a uma das partes senão à custa da outra e a utilização indiscriminada das medidas cautelares, com a perseguida antecipação da eficácia sentencial, obscurece o fato de serem elas destinadas à tutela de simples segurança (ob. cit., pág. 12), não devendo ser empregadas para a obtenção de resultados que comprometem sua legitimidade e eficiência. Ela não serve para que seja resolvida de cambulhada a relação de direito material existente. E especificamente em relação ao uso da ação cautelar de busca e apreensão para tentar resolver definitivamente a relação de direito de propriedade ou posse de bem móvel já se proclamou nesta Câmara ser ele inadmissível (cf. Ap. Cível n. 627.645-5, de Ibitinga, relatada pelo subscritor do presente). 
Finalmente, anote-se que ainda que constitua truísmo a possibilidade de aplicação do direito sem que haja pedido expresso da parte, pois que compete às partes a narração dos fatos e ao magistrado a aplicação das normas incidentes, não é possível todavia convolar pedido de tutela cautelar, que tem seus contornos específicos, em pedido de antecipação de tutela de mérito, tal como prevista no artigo 273 do Código de Processo Civil. Não pode o julgador, a pretexto de deficiência da peça vestibular, transformar ação cautelar em ação de conhecimento, e conceder não a liminar cautelar, mas a antecipação agora possível; porém, apenas nas ações de conhecimento (cf., a propósito do elastério do aludido dispositivo
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legal, Cândido Rangel Dinamarco, \u201cA Reforma do Código de Processo Civil\u201d, Ed. Malheiros, 3ª ed., 1996, pág. 141; Kazuo Watanabe, \u201cTutela Antecipatória e Tutela Específica das Obrigações de Fazer e Não Fazer\u201d, \u201cin\u201d \u201cReforma do Código de Processo Civil\u201d, coordenação de Sálvio de Figueiredo Teixeira, Ed. Saraiva, pág. 34; Arruda Alvim, \u201cTutela Antecipatória\u201d, \u201cin\u201d ob. cit., pág. 107). Não há como confundir as tutelas e não seria possível a convolação de ofício. 
A solução, levada em conta a não propositura da ação principal, há de ser a revogação da liminar, já que a lei impõe a cessação de seus efeitos, retornando os litigantes ao estado anterior, com base no artigo 808, I, do Código de Processo Civil, anulando-se de ofício a sentença. 
Pelo exposto, anulam de ofício a sentença, revogada a liminar. 
Participaram do julgamento os Juízes Andrade Marques (Revisor) e Roberto Bedaque. 
São Paulo, 18 de dezembro de 1997. 
CAMPOS MELLO, Presidente e Relator. 
Ação de busca e apreensão - Intimação do protesto do título feita por edital - Ausência de intimação pessoal -
Ineficácia do ato notarial - Ação extinta sem julgamento do mérito - Recurso improvido. 
(JTACSP - Volume 169 - Página 365)
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ALIENAÇÃO FIDUCIÁRIA - Ação de busca e apreensão - Intimação do protesto do título feita por edital - Ausência de intimação pessoal - Ineficácia do ato notarial - Ação extinta sem julgamento do mérito - Recurso improvido. 
Em ação de busca e apreensão oriunda de contrato de alienação fiduciária, não basta o protesto do título com intimação por edital para a comprovação da mora. É necessário que o oficial do cartório de protesto efetue a intimação pessoal, ainda que por via postal, sob pena de ineficácia do ato notarial. 
APELAÇÃO COM REVISÃO N. 482.708-00/1 -
INDAIATUBA
12ª Câmara
Apelante: Banco Ficsa S/A. 
Apelado: Nelson Donizetti Morais (complemento) (revel) Data do Julgamento: 04.09.97
Juiz Relator: Luís de Carvalho
Juiz Revisor: Ribeiro da Silva
3º Juiz: Campos Petroni
Juiz Presidente: Campos Petroni
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos, os juízes desta turma julgadora do Segundo Tribunal de Alçada Civil, de conformidade com o relatório e o voto do relator, que ficam fazendo parte integrante deste julgado, nesta data, negaram provimento ao recurso, por votação unânime. 
LUÍS DE CARVALHO, Relator. 
VOTO N. 1.609
Trata-se de ação de busca e apreensão fundada em contrato de alienação fiduciária, julgada extinta, sem apreciação do mérito, pela r. sentença de fls. 43/48, cujo relatório adoto. 
Inconformado, apela o autor, sustentando que o título foi protestado corretamente, haja vista que o Cartório de Campinas cumpriu rigorosamente as normas da Corregedoria de Justiça. 
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Portanto, deve ser provido o recurso para consolidar definitivamente a posse do veículo em suas mãos. 
O recurso veio preparado e deixou de ser respondido em face da revelia do réu. 
É o Relatório. 
Depois de haver deferido liminarmente a busca e apreensão do veículo e esta se concretizar (fls. 20), entendeu o magistrado que foi tirado irregularmente o protesto do título de fls. 
12, de sorte que não restou comprovada, para o devedor, a mora, que ocorrera com o vencimento da prestação não paga, conforme § 2º do artigo 2º do Decreto-lei n. 911, de 1969. 
Embora domiciliado em Indaiatuba, foi a nota promissória emitida pelo réu encaminhada para protesto ao 2º Cartório de Protestos de Campinas, haja vista ter sido esta cidade eleita, na cártula, como praça de pagamento. 
E o título foi protestado por edital, sem que o emitente tenha sido cientificado sequer por via postal, como se verifica da resposta dada pelo oficial ao ilustre juízo sentenciante (fls. 
37). 
Ora, a intimação pessoal ao devedor, antes de ser tirado o protesto, e de absoluto rigor, como se extrai das obras dos saudosos Professores Waldemar Ferreira (\u201cTratado de Direito Comercial\u201d, Saraiva, vol. 8, pág. 328) e José Maria Whitaker (\u201cLetra de Câmbio\u201d, RT, 7ª ed., pág. 243). 
E, para tanto, pouco importava se se tratasse de comarcas diversas, pois, como anota o ilustre Theotonio Negrão, \u201cEssa intimação pode ser feita mediante carta registrada, com aviso de recepção (RJTJESP 89/133)\u201d (\u201cCódigo de Processo Civil e legislação processual em vigor\u201d, Saraiva, 28ª ed., nota 4 ao artigo 10 da Lei de Falências, pág. 922). 
Portanto, embora a mora, nos casos de alienação fiduciária, seja \u201cex re\u201d, isto é, fique caracterizada pelo simples inadimplemento da prestação no respectivo vencimento, a sua
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comprovação, para o devedor, deve ser feita mediante protesto do título ou intimação pelo Cartório de Títulos e Documentos. 
Se o credor optar pelo protesto do título, deve este ser tirado regularmente, ou seja, mesmo que por edital, depois da prévia intimação pessoal do emitente, ainda que feita por via postal, sob pena de ineficácia do ato notarial. 
Em face do exposto, nego provimento ao recurso. 
LUÍS DE CARVALHO, Relator. 
Ação de busca e apreensão - Pedido de conversão em depósito indeferido pelo Magistrado \u201ca quo\u201d por inexistência de juridicidade no depósito previsto no Decreto-lei n. 911, de 1969 - Descabimento - Validade desse
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