Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria

Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria


DisciplinaDireito Processual Civil I45.519 materiais801.257 seguidores
Pré-visualização50 páginas
179
gitimidade da prisão do devedor fiduciante, que é constituído depositário pela própria lei. Precedente do STF - \u2018 Habeas corpus\u2019 indeferido\u201d. 
8. Isto posto, somos pelo não conhecimento, ou acaso conhecido, pelo não provimento do recurso extraordinário\u201d. 
Nesse sentido, também, a decisão no RE nº 96.698-6-RJ, Segunda Turma, a 16-4-1982, relator o Ministro Djaci Falcão, estando o acórdão assim ementado:
\u201cAlienação fiduciária. Conversão do pedido de busca e apreensão em ação de depósito. Prisão civil do devedor. Art. 
66 da Lei nº 4.728/66, na redação do Decreto-lei nº 911/69. 
Precedentes do Supremo Tribunal Federal. Recurso extraordinário provido\u201d. 
Também no HC nº 59.113-2, de que fui Relator para o acórdão, decidiu esta Turma, a 1º-12-1981, em aresto com a seguinte ementa:
\u201c\u2018 Habeas corpus\u2019. Prisão civil. Depositário infiel. Constituição, art. 153, § 17; Código de Processo Civil, art. 904, pa-rágrafo único; Decreto-lei nº 911, de 1º-10-1969, art. 4º. Ação de depósito. Alienação fiduciária. Devedor considerado depositário infiel. Possibilidade da decretação de sua prisão civil. 
Não é inconstitucional a disposição do art. 4º do Decreto-lei nº
911/1969. \u2018 Habeas corpus\u2019 indeferido\u201d. 
Do exposto, não conheço do recurso. 
EXTRATO DA ATA
RE 93.274-RJ - Rel.: Min. Néri da Silveira. Recte.: Spectra Engenharia Industrial S.A. (Advs.: Albert F. Bumachar, Humberto de Azevedo Soares Leite e outros). Recdo.: Financeira Lar Brasileiro S.A. Crédito, Financiamento e Investimento. (Advs.: J. Roberto Queiroz e outros). 
Decisão: Não se conheceu do recurso extraordinário. Decisão unânime. 
Presidência do Senhor Ministro Soares Muñoz. Presentes
 180 Busa Mackenzie Michellazzo
à Sessão os Senhores Ministros, Rafael Mayer, Néri da Silveira e Oscar Corrêa. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Alfredo Buzaid, Subprocurador-Geral da República, Dr. Francisco de Assis Toledo. 
Brasília, 23 de maio de 1983 - Antônio Carlos de Azevedo Braga, Secretário. 
ACÓRDÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 93.274 - RJ
(Primeira Turma)
Relator: O Sr. Ministro Néri da Silveira
Recorrente: Spectra Engenharia Industrial S.A. - Recorrido: Financeira Lar Brasileiro S.A. - Crédito, Financiamento e Investimento
(RTJ 116/564)
\u201cHabeas corpus\u201d. Prisão civil. Depositário infiel. 
Constituição, art. 153, § 17; Código de Processo Civil, art. 
904, parágrafo único; Dec.-lei 911, de 1.10.69, art. 4º. 
Ação de depósito. Alienação fiduciária. Devedor considerado depositário infiel. Possibilidade da decretação de sua prisão civil. Não é inconstitucional a disposição do art. 4º do Dec.-lei 911/69. \u201cHabeas corpus\u201d indeferido. 
\u201cHabeas corpus\u201d 59.113-2 - SP - 1ª Turma - Impetrante: Marcus Vinícius Sayeg - Paciente: Rubens Nemeth - DJU
25.6.82. 
ACÓRDÃO
- Vistos, relatados e discutidos estes autos: Acordam os Ministros da 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal, na conformidade da ata de julgamento e notas taquigráficas, indeferir o
 Da Busca e Apreensão na Alienação Fiduciária 181
pedido de \u201chabeas corpus\u201d, vencido o Min. Relator. 
Brasília, 1 de dezembro de 1981 - CUNHA PEIXOTO, pres. - NÉRI DA SILVEIRA, relator para o acórdão. 
RELATÓRIO
- O Min. Clóvis Ramalhete: 1. Foi impetrado ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em favor de Rubens Nemeth, a presente ordem de \u201chabeas corpus\u201d, dizendo padecer constrangimento ilegal, pois o 1º Tribunal de Alçada Civil de São Paulo confirmou a prisão administrativa do paciente decretada na ação de depósito movida por UNIBANCO Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimento. O Juiz da 12ª Vara Civil decretou sua prisão como depositário infiel. 
2. A inicial narra que a Financeira celebrou contrato de financiamento com a Sociedade Preciso de Automóveis Ltda., para a compra de materiais diversos, juntado o contrato a fls. 
Acrescenta o impetrante que, apesar de o paciente ser sócio da sociedade limitada, não foi ele quem negociou e nem concluiu ou firmou esse contrato de financiamento de alienação financeira com o UNIBANCO. E ressalta: é ele mero avalista no contrato, tal como consta nele publicado a fls. e como se vê da condição de sua assinatura a fls. 
3. E por não ser ele senão avalista e tendo sido outro sócio que convencionou a fidúcia com o UNIBANCO, entende sofrer constrangimento ilegal se, ao cabo da ação de depósito, e por não terem sido encontrados os bens, veio ele a sofrer prisão administrativa, como se depositário infiel fora, tendo sido apenas avalista do contrato. 
4. O Subprocurador da Justiça do Estado, em parecer a fls., opina:
Com tal qualidade naquele negócio, não firmando o contrato como representante da empresa devedora, mas como avalista, não podia o paciente ser considerado depositário infiel. 
Daí a ilegalidade da prisão administrativa a ser corrigida
 182 Busa Mackenzie Michellazzo
pela concessão do \u201cwrit\u201d. 
5. A 1ª Câmara Civil do Tribunal de São Paulo não tomou conhecimento do pedido de \u201chabeas corpus\u201d. Entendeu que, tendo a 8ª Câmara Civil do Tribunal de Alçada de São Paulo confirmado a decisão de primeira instância, em agravo de instrumento, mantendo a prisão, coatora torna-se aquela Câmara de Alçada e competente para este \u201chabeas corpus\u201d constituíra-se o STF, para o qual então remeteu o processo de \u201chabeas corpus\u201d. 
6. Instruem o processo certidões de arestos em que, como a fls., o juiz entende que \u201ca equiparação que em decreto-lei faz, de depositários com os alienantes fiduciários, é hábil contorno à proibição, mas viola o princípio liberal das modernas Constitui-
ções\u201d; \u201ca prisão deve ser indeferida porque a Constituição do Brasil proíbe prisão por dívida\u201d. 
O outro precedente de jurisprudência está no acórdão da Seção Criminal do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (fls.), em que se lê, a fls., como fundamento de decidir a concessão do \u201chabeas corpus\u201d: \u201cContudo, oferece o caso em apreço a particularidade de haver a ordem de prisão se volta-do não contra quem se constitui como depositário do objeto dado em garantia fiduciária, mas contra a pessoa que figura no negócio unicamente como seu fiador\u201d (HC 119.581-SP, Seção Crim. do TJSP). 
7. A Procuradoria-Geral da República opina pela negativa da ordem: 1º) porque o constrangimento não ofende a Constituição e 2º) porque, no cumprimento da citação, o paciente foi citado no processo de busca e apreensão (fls.), tendo sido, depois, esta medida transformada em ação de depósito (fls.), mas citado o paciente, sob pena de prisão. É o relatório. 
VOTO
- O Min. Clóvis Ramalhete (relator): 1. Sou pela concessão da ordem, fundada em ambos os fundamentos do
 Da Busca e Apreensão na Alienação Fiduciária 183
impetrante. 
2. O primeiro: à vista do que se lê a fls., o contrato de financiamento foi concluído com alienação fiduciária em garantia, de um lado por UNIBANCO Financeira e, de outro, com Mercantil Preciso Comércio de Automóveis Ltda.; sendo que em nome da devedora financiada firmaram-no outras duas pessoas, que não o paciente (fls.). 
Quanto à intervenção do paciente neste contrato, vê-se a fls., na primeira página do documento bancário: \u201cQualificação dos avalistas: Rubens Nemeth, residente à R. Antônio Marcondes 117, SP\u201d. E no espaço próprio para a assinatura, com o vínculo jurídico então formado, lê-se (fls.): \u201cAvalistas -
Rubens Nemeth\u201d - assinatura dificilmente legível; basta, no entanto, a declaração datilografada a fls. no contrato, de que o paciente Rubens Nemeth é avalista. 
3. Concedo a ordem, porque o mero avalista não pode ser tido como depositário infiel. 
O aval não se vincula aos bens transacionados, ainda que com garantia de alienação fiduciária. O aval é garantia acrescida apenas