Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria

Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria


DisciplinaDireito Processual Civil I45.899 materiais808.902 seguidores
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o concluiu a 3 de maio passado, no julgamento dos RE\u2019s 90.209, 
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90.652 e 90.636, todos conhecidos e providos. Com base nesses precedentes, esta Primeira Turma julgou, no mesmo sentido, a 7 do corrente, o RE 90.723, de que foi Relator o eminente Ministro Rafael Mayer. 
Conheço do recurso e lhe dou provimento para, reformando as decisões das instâncias ordinárias, determinar que seja regularmente processada a ação. 
EXTRATO DA ATA
RE 90.924 - SP - Rel., Min. Xavier de Albuquerque. 
Recte.: Consórcio Nacional Ford (Advs.: Mitsuru Makishi e outros). Recdo.: Bosco de Araújo Menezes (Adv.: Antonio Martin). 
Decisão: Conhecido e provido, decisão unânime. 
Presidência do Sr. Ministro Thompson Flores. Presentes à Sessão os Senhores Ministros Xavier de Albuquerque, Cunha Peixoto, Soares Muñoz e Rafael Mayer. Subprocurador-Geral da República, o Dr. Francisco de Assis Toledo. 
Brasília, 28 de agosto de 1979 - Antonio Carlos de Azevedo Braga, Secretário. 
ACÓRDÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 90.924 - SP
(Primeira Turma)
Relator: O Sr. Ministro Xavier de Albuquerque Recorrente: Consórcio Nacional Ford - Recorrido: Bosco de Araújo Menezes
(STF RTJ 91/356)
Alienação Fiduciária. Consórcios. Busca e apreensão. - O instituto da alienação fiduciária não tem aplicação restrita ao campo de atuação das entidades financeiras. A
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legitimidade da utilização da alienação fiduciária pelos consórcios advém de imposição normativa constante do art. 7º da Lei nº 5.768/71, e dos desdobramentos que se lhe seguiram (D. 70.951, art. 40 - redação dada pelo D. 
72.411/73; Instruções Normativas nºs 31, de 21-8-72 e 55, de 13-9-72, da Secretaria da Receita Federal e Portaria nº
446 do Ministro da Fazenda). - Recurso extraordinário conhecido e provido. 
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, na conformidade da ata de julgamentos e notas taquigráficas, à unanimidade, conhecer do recurso e dar-lhe provimento. 
Brasília, 7 de agosto de 1979 - Thompson Flores, Presidente - Rafael Mayer, Relator. 
RELATÓRIO
O Sr. Ministro Rafael Mayer: - O Consórcio Nacional Ford, através de sua administradora Ford Administração e Consórcios Ltda. com apoio no art. 66 da Lei nº 4.728/65, ajuizou ação de busca e apreensão de veículo alienado fiduciariamente, contra Alfred Kaufmann, alegando descumprimento de obrigações contratuais por parte deste. 
O juiz indeferiu liminarmente a inicial, fundado no art. 3º do Decreto-lei nº 911/69, por entender que o instituto da alienação fiduciária não se aplicava ao consórcio, mas somente às entidades financeiras. 
Interposta apelação desse despacho, foi denegada, resul-tando no presente recurso extraordinário, pelas letras \u201ca\u201d e \u201cd\u201d, com argüição de relevância da questão federal. 
Quanto à letra \u201ca\u201d, a recorrente alega violação do art. 66
da Lei nº 4.728/65, e do Decreto-lei nº 911/69, visto que a alienação fiduciária não é privativa das sociedades financeiras. 
Sustenta, também, que a decisão recorrida \u201cdesconheceu a vali-
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dade da Lei nº 5.768/71 e do Decreto nº 70.951/72 da Instru-
ção Normativa nº SRF-31/72, da Portaria nº 446/76 do Sr. 
Ministro da Fazenda\u201d, uma vez que essas disposições, reguladoras dos consórcios, mencionam expressamente a possibilidade dos mesmos firmarem contratos de alienação fiduciária. 
Indeferido o recurso, subiu em razão do acolhimento, pelo Conselho, da Argüição de Relevância. 
É o relatório. 
VOTO
O Sr. Ministro Rafael Mayer (Relator): - A matéria é de todo idêntica a que foi versada, no Pleno, nos RREE. 90.209/
SP e 90.652/SP, em julgamento realizado a 21-3-1979, sendo Relator o eminente Ministro Cunha Peixoto. 
Ali ficou definido que o instituto da alienação fiduciária não tem aplicação apenas restrita ao campo de atuação das entidades financeiras, pelo fato de sua regulação estabelecer-se na sistemática legal do mercado de capitais, pois, sem dúvida, ainda que houvesse qualquer restrição esta não valeria com relação a hipótese de consórcio. Com efeito, a legitimidade da utilização da alienação fiduciária, com relação aos consórcios, advém de imposição normativa que tem linha de seqüência a partir do art. 7º da Lei n. 5.768/71, com os dobramentos constantes do Decreto nº 70.951, em seu art. 40 (com a redação dada pelo Decreto nº 72.411/73); e das Instruções Normativas nºs 31, de 21-8-72, e 35, de 13-9-72, da Secretaria da Receita Federal, bem como da Portaria nº 446, do Ministro da Fazenda. 
Registre-se, aliás, que a invocação do Recorrente quanto à negativa de vigência de lei federal tem como fulcro a preceituação legal aí enfocada, estando demonstrado o dissídio jurisprudencial com outros Tribunais. 
De si, o valor da causa não permitiria prosperasse o recur-
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so, mas a acolhida da argüição de relevância supera o óbice regimental e conduz ao conhecimento e ao provimento. É o meu voto. 
EXTRATO DA ATA
RE. 90.723 - SP - Rel., Min. Rafael Mayer. Recte.: Consórcio Nacional Ford (Advs.: Mitsuru Makishi e outros). 
Recdo.: Alfred Kaufmann. 
Decisão: Conhecido e provido, decisão unânime. 
Presidência do Sr. Ministro Thompson Flores. Presentes à Sessão os Senhores Ministros Xavier de Albuquerque, Cunha Peixoto, Soares Muñoz e Rafael Mayer. - Subprocurador-Geral da República, o Dr. Francisco de Assis Toledo. 
Brasília, 7 de agosto de 1979 - Antonio Carlos de Azevedo Braga, Secretário. 
ACÓRDÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 90.723 - SP
(Primeira Turma)
Relator: O Sr. Ministro Rafael Mayer
Recorrente: Consórcio Nacional Ford - Recorrido: Alfredo Kaufmann
(RTJ 91/723)
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Alienação fiduciária em garantia. 
A garantia real (propriedade fiduciária) decorrente da alienação fiduciária em garantia pode ser utilizada nas operações de consórcio, que se situam no terreno do sistema financeiro nacional, e que se realizam sob fiscalização do Poder Público, da mesma forma como ocorre com as operações celebradas pelas financeiras em sentido estrito. 
Recurso extraordinário conhecido e provido. 
ACÓRDÃO
Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento das notas taquigráficas, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e dar-lhe provimento. 
Brasília, 03 de maio de 1979. - Antonio Neder, Presidente
- Moreira Alves, Relator. 
RELATÓRIO
O Sr. Ministro Moreira Alves: É este o teor do acórdão recorrido (fls. 40/42):
\u201cAcordam em Sexta Câmara do Primeiro Tribunal de Al-
çada Civil, por votação unânime, negar provimento ao recurso. 
Irresignado com a respeitável sentença f. 11 que pôs fim ao processo, indeferindo a petição inicial, interpõe o consórcio autor a presente apelação. Sustenta que a doutrina e a jurisprudência admitem que os contratos de alienação fiduciária não são restritos às instituições financeiras, às quais, aliás, a legislação vigente equipara os consórcios. 
O réu foi citado para responder à apelação, não tendo ingressado nos autos. O recurso foi regularmente processado, com preparo anotado. 
É o relatório. 
A respeitável sentença apelada merece subsistir por seus próprios fundamentos. 
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Instituída pela Lei 4.728/65, disciplinadora do mercado de capitais, a alienação fiduciária tem como função primordial