Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria

Busa Mackenzie Michellazzo - Da Busca e Apreensao na Alienacao Fiduciaria


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adotando também a ressalva feita pelo Ministro Soares Muñoz. 
Aguardo outra oportunidade para reexaminar a matéria relativa à extensão do instituto às entidades particulares. 
EXTRATO DA ATA
RE 90.636 - SP - Rel: Min. Moreira Alves. Recte: Ford -
Administração e Consórcios Ltda (Advs: Mitsuru Makishi e outros). Recdo: Adão Guilherme Coelho Caldas. 
Decisão: Conhecido e provido, unanimemente. 
Presidência do Sr. Ministro Antonio Neder. Presentes à sessão os Srs. Ministros Djaci Falcão, Thompson Flores, Xavier de Albuquerque, Leitão de Abreu, Cordeiro Guerra, Moreira Alves, Cunha Peixoto, Soares Muñoz, Decio Miranda e Rafael Mayer. - Procurador-Geral da República, Dr. Firmino Ferreira Paz. 
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Brasília, 3 de maio de 1979 - Alberto Veronese Aguiar, Secretário. 
ACÓRDÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 90.636 \u2013 SP
(Tribunal Pleno)
Relator: O Sr. Ministro Moreira Alves. 
Recorrente: Ford - Administração e Consórcios Ltda. -
Recorrido: Adão Guilherme Coelho Caldas. 
(RTJ 93/1274)
Alienação fiduciária em garantia. 
ACÓRDÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 91.149 - SP
(Segunda Turma)
Relator: O Sr. Ministro Moreira Alves. 
Recorrente: Ford Administração e Consórcio Ltda. - Recorrido: Manoel Galvão de França. 
Alienação fiduciária em garantia. 
A garantia real (propriedade fiduciária) decorrente da alienação fiduciária em garantia pode ser utilizada nas operações de consórcio, que se situam no terreno do sistema financeiro nacional, e que se realizam sob fiscalização do Poder Público, da mesma forma como ocorre com as operações celebradas pelas financeiras em sentido estrito. 
- Precedentes do Supremo Tribunal Federal (RREE
90.209, 90.636 e 90.652). 
Recurso extraordinário conhecido e provido. 
ACÓRDÃO
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Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e dar-lhe provimento. 
Brasília, 14 de agosto de 1979. - Djaci Falcão, Presidente
- Moreira Alves, Relator. 
RELATÓRIO
O Sr. Ministro Moreira Alves: É este o teor do acórdão recorrido (fls. 45/46):
\u201cAcordam, em Quinta Câmara do Primeiro Tribunal de Al-
çada Civil, por votação unânime, negar provimento ao recurso. 
A recorrente requereu busca e apreensão de um automó-
vel, com base num contrato de alienação fiduciária em garantia. 
O juiz indeferiu \u201cin limine\u201d a petição inicial. Apela a requerente, pedindo a reforma dessa decisão. 
A apelante não pode ser atendida. Somente as instituições financeiras, regularmente constituídas, é que podem se utilizar da faculdade concedida pelo Dec.-lei 911 de 1969, no tocante à busca e apreensão do bem dado em alienação fiduciária e sua venda extrajudicial. 
Orlando Gomes esclarece que, embora outras entidades, que não as instituições financeiras, possam contratar a alienação fiduciária, não poderão usar das medidas processuais de exce-
ção, contidas no aludido Dec.-lei 911. \u201cSalta aos olhos, diz esse emérito civilista, a preocupação de organizar um sistema de proteção jurisdicional em função da segurança e estabilidade do sistema financeiro nacional. A venda imediata do bem, sem avaliação, extrajudicialmente, é modo violento de execução de uma dívida que somente se justifica para permitir às sociedades de crédito e financiamento a recuperação rápida do empréstimo e reaplicação contínua do dinheiro que movimenta. A ação de depósito é, do mesmo modo, instituída para maior segurança
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das financeiras\u201d (in Alienação Fiduciária, n. 142). 
Aliás, esse instituto de alienação fiduciária em garantia foi colocado na Lei nº 4.728 de 1965, exatamente para sujeitar-se à disciplina prevista nessa lei, quanto às instituições financeiras.\u201d Interposto recurso extraordinário, foi ele admitido pelo seguinte despacho (fls. 90/91):
\u201cTrata-se de busca e apreensão requerida por Ford Administração e Consórcio Ltda. contra Dr. Manoel Galvão de França, tendo como objeto um automóvel alienado fiduciariamente. 
A inicial foi indeferida e extinto o processo, porque a autora não é entidade financeira (fls. 9/10). 
A Egrégia Quinta Câmara, por votação unânime, negou provimento à apelação da vencida (fls. 45/46). 
Daí o presente extraordinário, apoiado nas letras \u201ca\u201d e \u201cd\u201d do permissivo constitucional, com argüição de relevância (fls. 
47/63). Alega a autora violação da Lei federal nº 4.728, de 14.07.1965 (art. 66) e do Decreto-lei federal nº 911, de 1969, pois a alienação fiduciária não constitui privilégio de entidades financeiras. O venerando acórdão negou vigência, ainda, às normas reguladoras de consórcios (Lei federal nº 5.768, de 20.12.1971); Decreto nº 70.951/72; Instruções Normativas nºs 31/72 e 35/72 e Portaria nº 446/76). 
Os consórcios, hoje em dia, atuam na mesma área das entidades financeiras, podendo, nas suas operações, firmar contratos de alienação fiduciária, como mencionam expressamente as Instruções Normativas e a Portaria acima, referidas. 
O v. acórdão também se afastou da orientação dos Tribunais (RT, 435/134; 481/194; ac. 4.211, TRT, SP; Ap. 50.417, TARJ; Ap. 53.792, TARJ; Ap. 43.811, TARJ; Ap. 16.126, TARGS, julgado em 28.09.77). 
Aliás, o Pretório Excelso já apreciou caso semelhante
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entre particulares (RTJ, 63/524). 
Não houve impugnação (fls. 88/88vº). 
O valor da causa declarado na petição inicial (Cr$
26.656,59; fls. 3), inferior à alçada (Cr$ 156.000,00, ação ajuizada em 16.05.78, com decisões uniformes das instâncias ordinárias), impediria a abertura da instância extraordinária (RISTF, art. 308, VII). 
Todavia, o Pretório Excelso tem acolhido as argüições de relevância em casos semelhantes (ARv. 2.656-4, SP, DJU de 21.9.78; ARv 2.810-9, SP, DJU de 18.10.78; ARv 2.839-7, SP, DJU de 18.10.78; ARv 3.183-5, SP, DJU de 29.11.78). 
Diante, pois dos soberanos julgamentos da Corte Suprema, há que ser deferido o processamento do apelo extremo, a fim de se colher o ensimento daquele Mais Alto e Excelso Pretório. 
Processe-se a argüição de relevância\u201d. 
Observo, finalmente, que houve, também, argüição de relevância da questão federal, que foi acolhida, em sessão de 13.6.79. 
É o relatório. 
VOTO
O Sr. Ministro Moreira Alves (Relator: 1. A partir do julgamento dos RREE 90.209, 90.652 e 90.636, a 3.5.79, pelo Plenário desta Corte, firmou-se a orientação segundo a qual a garantia real (propriedade fiduciária) decorrente da alienação fiduciária em garantia pode ser utilizada nas operações de consórcio, que se situam no terreno do sistema financeiro nacional, e que se realizam sob fiscalização do Poder Público, da mesma forma como ocorre com as operações celebradas pelas financeiras em sentido estrito. 
2. Em face do exposto, conheço do recurso, e lhe dou provimento. 
EXTRATO DA ATA
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RE 91.149 - SP - Rel., Min. Moreira Alves. Recte.: Ford Administração e Consórcio Ltda. (Advs.: Mitsuru Makishi e outros) Recdo.: Manoel Galvão de França. 
Decisão: Conhecido e provido, unânime. 
Presidência do Sr. Ministro Djaci Falcão. - Presentes à Sessão os Srs. Ministros Leitão de Abreu, Moreira Alves e Decio Miranda. Ausente, justificadamente, o Sr. Min. Cordeiro Guerra. 
Subprocurador-Geral da República, o Dr. Mauro Leite Soares. 
Brasília, 14 de agosto de 1979. - Hélio Francisco Marques, Secretário. 
(RTJ 94/864)
Alienação fiduciária. Venda