Mario Ferreira dos Santos - Métodos Lógicos e Dialéticos - Volume I
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ou tem priori­
dade ou posterioridade, que são divisões do tempo (instante, 
agora, que eqüivale à simultaneidade, e passado, à priori­
dade, e futuro, à posterioridade).
DO HÁBITO PREDICAMENTAL
Hábito é o que imediatamente nos corpos resulta de 
um adjacente extrínseco, não mensurante. Quando é men- 
surante resulta o ubi, onde; quando não é mensurante, re­
sulta o hábito. Assim, as vestes, que são extrínsecas ao 
homem, tomam o nome de hálito.
Demos essas categorias aristotélicas por serem muito 
usadas na Lógica clássica. Ademais, convém lembrar que 
elas favorecem as distinções, que decorrem nitidamente da 
maneira segura de considerá-las.
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DOS POSTPREDICAMENTOS
Chamam-se de postpredicamentos as propriedades co­
muns dos predicamentos.
Temos a oposição, a prioridade, a simultaneidade, a 
moção e o haver, que se referem a todos os predicamentos.
Diz-se que há oposição entre muitos, quando entre si 
não convém.
Há prioridade, quando um precede a outro em qualquer 
ordem (cronológicamente, axiològicamente, ontològicamente, 
etc.).
Simultaneidade é a negação de prioridade e posteriori­
dade.
O haver é o modo, segundo o qual uma coisa se ordena 
a outra. Temos, assim, o modo de haver por inerência, que 
é o modo, a modal, pelo qual o accidente se há em relação 
à substância; por continência, quando contido na substân­
cia por posse, quando é um haver da substância, por rela­
ção como a que se dá entre pai e filho e por justaposição, 
quando se diz que algo tem outro pôsto ao lado, como a 
Itália tem a Suíça ao norte.
Moção se diz do estado de tendência e da via, pelo qual 
um sujeito se transfere de um modo de haver para outro. 
Entre as moções, temos a corrupção, o devir.
Quando a moção é substancial, temos a corrupção se 
há perda da forma; geração, quando adquire uma forma; 
alteração, quando há moção de qualidade para qualidade; 
movimento local, quando há transferência, transladação de 
um ubi para outro ubi; aumento, quando passa de menor 
para maior quantidade; diminuição, ao inverso.
A SEGUNDA OPERAÇAO DO ESPÍR ITO
DAS PROPOSIÇÕES
É o juízo a segunda operação do espírito, que é por nós 
expressa na proposição ou oração. Mas a proposição, que 
expressa propriamente e exclusivamente o juízo, é a propo­
sição enunciativa. Trataremos posteriormente do juízo. Por 
ora, trataremos daquela.
A proposição enunciativa possui três elementos: sujei­
to, predicado e o verbo.
Matéria da proposição é o sujeito, ou seja o do qual 
algo é enunciado, e o predicado o que é enunciado de algo.
Forma da proposição é o verbo (ou cópula), que afir­
ma ou nega, e que é freqüentemente expresso pelo verbo 
substantivo ser, no modo indicativo e no tempo presente.
Podemos tomar o verbo ser participativamente, quan­
do lhe damos o sentido de existir. Assim, quando se diz 
\u201cDeus é\u201d, diz-se o mesmo que "Deus existe\u201d.
Tomado substancialmente, significa apenas o haver de 
identidade ou de conveniência entre o sujeito e o predicado. 
Neste caso, a afirmação funda-se no ser da coisa.
Nas orações constituídas de um só têrmo, êsses três 
elementos estão ocultos, mas subentendidos. Assim: \u201ccho­
ve'\u2019 eqüivale \u201ca chuva é aqui e agora\u201d . Em orações de dois 
têrmos, como \u201cPedro anda\u201d, esta eqüivale a \u201cPedro é an- 
dante agora\u201d.
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As orações, que são empregadas em tempos verbais ou­
tros que o Indicativo presente, podem ser reduzidas a êste 
tempo. Assim: \u201c os homens justos serão felizes\u201d, pode ser 
substituída pela equivalente: \u201cos homens justos são felizes 
no futuro\u201d.
Quanto ao fundamento, as proposições podem ser clas­
sificadas de modo inverso.
1) Quando o fundamento da divisão é a verdade, a 
proposição pode ser verdadeira ou falsa.
2) Quando o fundamento é a certeza, a proposição 
pode ser certa, incerta ou provável.
3) Quando o fundamento é a fonte e o motivo de afir­
mar, pode ser mediata e imediata; sintética (ou a posterio- 
r í) e analítica (ou seja a priori). A posterioridade e a 
prioridade são consideradas em relação à experiência. En­
tre as proposições sintéticas, classificam os modernos diver­
sos juízos, como o de existência ("Pedro existe"); o de valor 
("A vale mais que B "); o declarativo ( \u201cêste animal é um 
leão"); o de propriedade ("o céu tem nuvens\u201d ); o de gôsto 
ou de opinião ( \u201cpara mim A é B \u201d ), etc.
Os elementos da proposição, como já vimos, são o su­
jeito, o predicado e o verbo. E segundo êles, podem as pro­
posições serem classificadas conforme a quantidade, a qua­
lidade e segunda a forma.
Segundo o modo de haver do predicado ao sujeito, que 
aponta a razão de matéria da proposição, estas podem ser:
a) necessárias (ou de matéria necessária), quando o 
predicado se conexiona de modo necessário ao sujeito ( \u201can­
terior é o que de certo modo tem prioridade\u201d );
b ) impossíveis (ou de matéria impossível), quando o 
predicado repugna ao sujeito ( \u201co círculo é um quadrado\u201d );
c) possíveis (contingentes) de matéria possível ou 
contingente, quando o predicado não convém em acto ao su­
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jeito, mas pode convir ao sujeito; ou seja, quando convém 
e pode não convir ( \u201co homem é sábio\u201d ).
Regra dessas proposições: As proposições afirmativas 
em matéria necessária são verdadeiras; as negativas são 
falsas; em matéria impossível, as afirmativas são falsas e 
as negativas são verdadeiras; em matéria contingente, as 
proposições universais em geral são falsas e as particulares, 
em geral, verdadeiras.
Quanto aos têrmos, que compõem a proposição (elemen­
tos), elas se dividem:
a) em proposições de terceiro adjacente, quando cons­
tam de sujeito, predicado e verbo ( \u201co homem é mortal\u201d );
b) de segundo adjacente, quando apenas de sujeito e 
verbo ( \u201ceu ando\u201d );
c) de primeiro adjacente, quando apenas de verbo 
( \u201cescrevo\u201d ).
Contudo, os elementos, nesta última proposição, estão 
implicitamente contidos nela, não explicitamente, como 
vimos.
D IV ISÃO DAS PROPOSIÇÕES SEGUNDO A FORMA
A forma é dada pelo verbo. A proposição pode ser, 
portanto, afirmativa ou negativa. Chamam os lógicos de 
qualidade essencial a essa qualidade.
É negativa a proposição, cujo verbo é negado (não é). 
Uma proposição como o homem tem não-asas, não é nega­
tiva, porque a negação é apenas do predicado, não do verbo.
A proposição é afirmativa quando o verbo (é ) é implí­
cita ou explicitamente enunciado.
O predicado como o sujeito podem ser considerados na 
proposição segundo a sua extensão e a sua compreensão 
Daí decorrem algumas regras que são de máxima importân­
cia, e fundamentais para o silogismo.
1) Segundo a extensão: a) na proposição afirmativa, 
o predicado per se é têrmo particular. Só é tomado na to 
tal extensão do sujeito nas definições. Assim, quando dize­
mos: \u201chomem é um animal\u201d, animal é tomado particular­
mente. Quando dizemos: \u201chomem é animal racional\u201d, ani­
mal racional, como definição de homem, é tomado em tõda 
a extensão de homem, ou seja é todo homem.
b) Na negativa, o predicado é tomado universalmente. 
Quando dizemos: homem não é pedra, recusamos ao homem 
ser pedra em tôda a extensão do predicado, Estas regras 
são de máxima importância no silogismo e devem ser sem­
pre lembradas.
2) Segundo a compreensão: a) na afirmativa, o pre­
dicado é atribuído ao sujeito, segundo tôdas as suas notas. 
Daí decorre que uma proposição não é verdadeira se alguma 
nota do predicado não convém ao sujeito.
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b) Na negativa, não se negam distributivamente tôdas 
as notas do predicado, mas apenas tomado colectivamente. 
Quando dizemos que homem não é planta, não se nega que 
seja vivente, substância, etc., nega-se apenas ao homem a ca­
rência da sensação e da intelecção. A proposição negati­
va afirma menos que a afirmativa, e a particular