Mario Ferreira dos Santos - Métodos Lógicos e Dialéticos - Volume I
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menos que 
a universal.
DIVISÃO DA PROPOSIÇÃO SEGUNDO A 
QUANTIDADE
A quantidade de uma proposição depende do sujeito.
E como êste pode ser universal, particular ou singular, a 
proposição será, conseqüentemente, universal, particular ou 
singular.
"Assim: \u201c Todos os homens são mortais\u201d é universal. 
Tomamos aqui homens em tôda a sua extensão. Se se diz: 
\u201co homem é mortal\u201d, é universal também, mas homem está 
tomado em sua compreensão.
\u201cAlguns brasileiros são paulistas\u201d é uma proposição par­
ticular.
\u201cNapoleão Bonaparte foi imperador dos franceses\u201d é 
uma proposição singular.
Eis o clássico paralelogramo das preposições, segundo 
a quantidade e a qualidade:
TODO n ín h u m
HOMEM HOMEM
ê MOR TAL CONTRÁf> IAS í M0K
soBAirif SUBMTCRNAS
AlCUM 
HOM£M 
t MORTAL
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HOMEM 
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74 MARIO FERREIRA DOS SANTOS
Dois juízos contrários não podem ser ambos verdadei­
ros, mas podem ser ambos falsos; da verdade de um, segue* 
-se a falsidade do outro, não ao contrário; dois juízos sub- 
-contrários podem ser ambos falsos, mas podem ser ambos 
verdadeiros em matéria contingente. Da falsidade de um, 
segue-se a verdade do outro, mas da verdade de um nada se 
segue em matéria contingente (não essencial). Dois juízos 
contraditórios não podem ser ambos nem verdadeiros nem 
falsos, um será verdadeiro e o outro falso, não havendo lu­
gar para um terceiro juízo; dois juízos subalternos podem 
ser ambos verdadeiros ou ambos falsos: a) da verdade uni­
versal conclui-se a verdade particular, não ao contrário; b) 
da falsidade particular infere-se a falsidade universal, não 
ao contrário.
Considerando-se essas regras clássicas e verdadeiras, 
podemos estabelecer o seguinte: pode-se concluir por subor­
dinação da verdade de um juízo universal a verdade do juí­
zo particular subordinado, e da falsidade de um juízo parti­
cular subordinado a falsidade do juízo superior. É o prin­
cípio do dictu de omni. . ., o que é verdadeiro para todos é 
verdadeiro para cada um da totalidade. Não se pode, con­
tudo, concluir afirmativamente do particular ao geral, nem 
negativamente do geral ao particular. Essa evidência é es­
quecida, contudo, por muitos ao realizar a inducção.
Pode-se ainda a contrario concluir da verdade de um 
juízo universal a falsidade do juízo contrário; da falsidade 
de um juízio particular a verdade de um juízo sub-contrário; 
da verdade ou da falsidade de um juízo qualquer, a falsida­
de ou a verdade do juízo contraditório. Fundam-se essas 
conclusões, como as anteriores, nos princípios de identidade, 
de contradição e de contingência. Dêles usam até os cépti- 
cos para justificar seu cepticismo ou as diversas tomadas 
de posição que escolhem.
Contudo, não se pode concluir da falsidade de um juízo 
universal a verdade do juízo contrário, nem da verdade de 
um juízo particular a falsidade do juízo sub-contrário, como 
vimos.
m é t o d o s l ó g ic o s e d ia l é c t t c o s 75
DIVISÃO DA PROPOSIÇÃO SEGUNDO A UNIDADE
Segundo a razão da unidade, as proposições podem 
ser simples ou compostas.
A proposição é simples quando tem um predicado atri­
buído ou não a um sujeito. Ex.: \u201cPedro é homem\u201d .
A proposição é composta quando é composta de várias 
proposições; ou seja, composta de muitos sujeitos ou de 
muitos predicados. Ex.: \u201cPedro e Paulo são homens e bra­
sileiros\u201d.
DA DEFINIÇÃO
Pode-se propor esta classificação das definições, mais 
consentâneas com os estudos clássicos, cujo esquema em­
prestamos de Salcedo:
nominal
Definição
real
simbólica
comum
arbitrária ou privada
essencial
descritiva
física
metafísica
própria
accidental
causai
genética
A nominal é aquela proposição que explica brevemente 
a significação dos vocábulos. Esta será puramente nominal 
se explica apenas o vocábulo ou alguma acepção ignorada. 
Esta definição é importante como ponto de partida para o 
exame de alguma distinção. A definição nominal pode ser 
comum ou privada. Comum é a que declara que o vocábulo 
é de uso comum entre os homens. Privada ou arbitrária,
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quando tomada segundo alguma significação que lhe é dada. 
Simbólica diz-se da definição que declara a significação de 
algum símbolo.
Definição real é a proposição que define a coisa por 
suas notas reais, que se distinguem de tôdas as outras. Es­
ta pode ser essencial ou descritiva. Essencial, quando ex­
plica a coisa pelas notas que constituem a sua essência. Es­
ta pode ser física, se define a coisa pelas notas essenciais 
que, real-realmente, se distinguem na coisa. Assim o ho­
mem é um composto de corpo orgânico e de uma alma ra­
cional. Será metafísica se explica a coisa por notas que se 
distinguem apenas por razão, como a definição que é feita 
pelo gênero próximo e pela diferença específica, proposta 
por Aristóteles. Ex.: homem é animal racional. Esta é a 
definição que se deve preferir na Lógica e na Filosofia.
Definição descriptiva, a que explica a coisa não por sua 
estricta essência, mas pelas propriedades, ou pelos acciden­
tes, ou pelas causas ou por qualquer outro modo, que seja 
pela enumeração de diversas notas não essenciais. Será, 
pois, própria, se explica a coisa pelas propriedades que se 
dizem emanar da essência da coisa, corno as definições que 
encontramos nas Ciências Naturais, porque lhes escapa a 
essência íntima das coisas, embora se fundem nas proprie­
dades captadas nas coisas.
Definição accidental explica a coisa pelo complexo dos 
seus accidentes.
Definição causai, quando a coisa é explicada por suas 
causas externas (predisponentes), como a eficiente, a final. 
\u201cO relógio é um instrumento para indicar as horas\u201d (causa 
final).
Definição genética, a que explica a coisa indicando o 
modo e a razão de sua gênese, como se vê na geometria. 
Ex.: \u201co círculo é a figura plana que surge do movimento 
da linha recta, convertente para o seu extremo fixo. Outro
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exemplo é a definição do eclipse lunar. O que a distingue da 
definição causai é que não indica apenas a causa, mas tam­
bém o modo como é gerada.
Ao examinar tais definições, verifica-se que algumas são 
perfeitas e outras imperfeitas. Diz-se que é perfeita a defi­
nição que não admite outra maneira de definir. Na disputa 
filosófica são imensamente importantes as definições, pois 
facilitam a melhor compreensão das questões e do estado 
das mesmas.
LEIS DA DEFINIÇÃO
A definição será mais clara quanto mais claro fôr o de­
finido. Para tanto devem evitar-se:
a) que os vocábulos, que entram na definição sejam 
obscuros, vagos, metafóricos, pois não se pode definir o que 
não se conhece pelo que se desconhece.
b) Deve-se evitar o círculo vicioso; ou seja, definir o 
mesmo pelo mesmo, como repetir, na definição, o têrmo a 
ser definido. Assim definir a psicologia como ciência dos 
factos psicológicos.
A definição deve ser a mais breve possível.
Ter a máxima clareza.
Devem-se evitar todos os têrmos desnecessários e inú­
teis.
Ser recíproca com o definido. \u201cAssim homem é animal 
racional\u201d, \u201canimal racional é homem\u201d.
Não ser meramente negativa, porque impede a recipro­
cidade. Há definições que são aparentemente ngativas. As­
sim o ser infinito é o que absolutamente não é composto, 
pois o ser absolutamente não composto é o absolutamente 
simples.
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DO EMPRÊGO DA DEFINIÇÃO
Se tentássemos definir tudo, chegaríamos ao círculo vi­
cioso. Há, pois, muitas coisas que não são definíveis, por­
que são reductíveis a outras por serem simples. Conse­
qüentemente, nem todas as coisas podem ser definidas.
Nem tôdas as coisas podem ser definidas por definição 
essencial e até metafísica.
Tal se dá pela simplicidade da coisa, como são os con­
ceitos