Trabalho de Direito Processual Trabalhista
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Trabalho de Direito Processual Trabalhista


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racional, surgido nos códigos napoleônicos, foi adotado tanto pelo CPC, quanto pela CLT, através dos artigos 131 e 832, \u201ccaput\u201d, respectivamente. Tal sistema é uma mescla dos dois anteriores, na medida em que o juiz não pode formar seu entendimento de forma arbitrária, mas deve baseá-lo nas provas produzidas por meios morais e legítimos, bem como na convicção formada sobre as mesmas.
Segundo o entendimento de Manoel Antônio Teixeira Filho[118]:
\u201c[\u2026] No sistema da persuasão racional, embora se permita ao juiz apreciar livremente as provas, isto não significa que possa se deixar orientar por suas impressões pessoais: ao contrário, a sua convicção deverá ser formada com base na prova produzida nos autos (\u201ciudex secundum allegata et probata partium iudicare debet\u201d). O seu convencimento, por isto, longe de ser arbitrário, fica ajoujado a certas regras jurídicas específicas, bem como a regras de lógica jurídica, sem desprezo das máximas de experiência. Por esta razão, ele apreciará livremente a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes, mas deverá indicar na sentença os motivos que lhe formaram o convencimento.\u201d
Assim, o referido doutrinador considera que a convicção do juiz deve observar quatro preceitos, quais sejam: os fatos alegados pelas partes, as provas à cerca destes fatos, regras legais e máximas de experiência e indicação do motivo que formou o convencimento.
Por fim, numa perspectiva mais filosófica, Ovídio A. Baptista da Silva[119] afirma:
\u201c[\u2026] O sistema de persuasão racional, por certo o que mais condiz com os princípios da cultura ocidental moderna, exige magistrados altamente capazes e moralmente qualificados, enquanto o velho princípio da dosimetria legal das provas pode funcionar razoavelmente bem ainda que seus juízes se ressintam de maiores deficiências culturais.\u201d
3.4 MÁXIMAS DE EXPERIÊNCIA
Conforme já ressaltado anteriormente, o juiz, além de deter a prerrogativa legal de presidir a instrução probatória, pode agir com impulso oficial para alcançar a realidade dos fatos. Mas, além disso, o magistrado pode proferir julgamentos utilizando-se das máximas de experiência, assim definidas por Manoel Antônio Teixeira Filho[120]:
\u201c[\u2026] As máximas de experiência constituem, portanto, na expressão legal, regras de que o juiz poderá valer-se para atingir a verdade dos fatos e cuja importância ainda mais se avulta nos sistemas que consagram o princípio da livre apreciação da prova.\u201d
Moacyr Amaral Santos[121] faz a seguinte consideração sobre o tema:
\u201c[\u2026] O juiz, como homem culto e vivendo em sociedade, no encaminhar as provas, no avaliá-las, no interpretar e aplicar o direito, no decidir, enfim, necessariamente usa de uma porção de noções extrajudiciais, fruto de sua cultura, colhida de seus conhecimentos sociais, científicos, artísticos ou práticos, dos mais aperfeiçoados aos mais rudimentares. São noções que se costumou, por iniciativa do processualista STEIN, denominar máximas da experiência ou regras da experiência, isto é, juízos formados na observação do que comumente acontece e que, como tais, podem ser formados em abstrato por qualquer pessoa de cultura média.\u201d
São conteúdos das máximas de experiência as regras de experiência comum e de experiência técnica, nos termos do artigo 335 do CPC, sendo que as primeiras decorrem de observações do que habitualmente ocorre em sociedade e as segundas referem-se às próprias experiências profissionais do magistrado.
A doutrina realiza uma diferenciação entre máximas de experiências e fatos notórios, indícios, prova \u201cprima facie\u201d[122], e usos e costumes.
No primeiro caso, Manoel Antônio Teixeira Filho[123] entende que a diferença existe devido ao grau de raciocínio utilizado pelo magistrado para fundamentar o julgamento com base nas máximas de experiência ser maior do que o despendido com fatos notórios. Assim, alude que as máximas de experiência consistem num raciocínio dedutivo decorrente das experiências de vida, enquanto os fatos notórios não requerem \u201cpara sua configuração, uma repetição costumeira, como ocorre com os fatos que ensejam o estabelecimento das máximas\u201d. [124]
Com relação à diferença entre máximas de experiência e indícios, o mesmo doutrinador afirma: \u201cas máximas se assentam exclusivamente na experiência vivencial para a dedução a ser extraída, ao passo que os indícios se lastreiam nas próprias circunstâncias que envolvem o caso concreto\u201d. [125]
Quanto às provas prima facie (ou prova de primeira aparência), tem-se que são originadas das máximas de experiência, que se constituiria, neste caso, como fonte. Tal entendimento é explanado pelo mesmo doutrinador, o que faz com base no próprio conceito de prova de primeira aparência, segundo o qual este tipo de prova decorre da observação do que costumeiramente acontece, bem como dos elementos constantes nos autos.
Os usos e costumes, embora sejam fontes do direito, muito diferem das máximas de experiência, na medida em que sobre eles falta a reflexão crítica presente nas máximas de experiência Diante disso, Manoel Antônio Teixeira Filho[126] entende que os usos e costumes seriam os fatos costumeiros sobres os quais se fundam as máximas de experiência.
O referido doutrinador afirma que as máximas de experiência são amplamente utilizadas, em caráter supletivo, no processo do trabalho, tendo em vista ser possível ao magistrado observar o que costumeiramente ocorre nos casos que lhe são postos á apreciação. Entende-se que \u201csempre que as regras de experiência apontarem na mesma direção das alegações do autor-empregado, deve-se inverter o onus probandi\u201d. [127]
Reconhece-se, porém, que as máximas de experiências são mutáveis no tempo, entendendo que, sendo modificada a situação sobre a qual se fundou à máxima, esta \u201chaverá de ser reformulada, para ajustar-se à nova realidade, sendo imperativo, em outros casos, a sua revogação ou desfazimento\u201d. [128]
3.5. DA INICIATIVA PROBATÓRIA DO JUIZ DO TRABALHO
No processo do trabalho vigem os princípios dispositivo e inquisitivo.
Segundo o princípio dispositivo, o juiz só pode julgar tendo por base os fatos alegados e as provas produzidas pelas partes. O princípio inquisitivo ou autoritário, por sua vez, confere ao juiz não só o poder de dirigir o processo, mas também o de contribuir para a formação do complexo probatório, \u201csendo que em casos excepcionais, a ele se outorga o poder-dever de iniciar a ação, mesmo sem a provocação da parte\u201d. [129]
No entanto, o grau de aplicação destes princípios difere em se tratando de dissídios coletivos e individuais. Neste diapasão, Manoel Antônio Teixeira Filho, destaca que os dissídios coletivos são \u201cnitidamente inquisitivos\u201d[130], o que faz tomando como fundamento as seguintes características: o Presidente do Tribunal do Trabalho, de ofício ou a requerimento da Procuradoria, tem legitimidade para \u201cinstaurar instância (art.856 da CLT) quando houver a paralisação do trabalho; em acórdão normativo pode conter julgamento \u201cultra petita\u201d, sendo que os efeitos dessa decisão podem ser estendidos ao outros empregados da empresa que forem da mesma profissão que os dissidentes.
Já nas ações individuais, o autor afirma ser predominante o princípio dispositivo, apontando que: a propositura da ação é dependente de iniciativa da parte; o juiz não pode julgar fora dos limites do pedido, devendo ater-se ao que fora alegado e provado pelas partes. Sob este último aspecto, faz uma consideração excepcional no seguinte sentido:
\u201c[\u2026] Isto não significa, porém, que se deva deixar de reconhecer, em alguns casos, um certo componente inquisitivo como ocorre, por exemplo, na hipótese do art.39 e §§ da CLT, onde haverá ação sem iniciativa do autor, sendo certo que o traço de inquisitoriedade também está insculpido no próprio art.765, do mesmo texto. Nem se ignore a faculdade de o juiz ou Tribunal converter o pedido de reintegração de empregado estável em indenização dúplice, na forma do permissivo do art.496 da CLT e a exceção da sentença ou do acórdão ex officio