Trabalho de Direito Processual Trabalhista
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Trabalho de Direito Processual Trabalhista


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Para o direcionamento do tema à luz das particularidades do direito processual do trabalho, a análise dos princípios probatórios do processo do trabalho tornou-se indispensável, assim como o estudo dos poderes instrutórios do juiz do trabalho no alusivo à utilização das máximas de experiência e de sua iniciativa probatória.
Ao longo do presente estudo, verificou-se que o ônus da prova é tratado de forma insuficiente pelo artigo 818 da CLT. Porém, tal insuficiência não significa que haja omissão do referido dispositivo, eis que o mesmo atribui às partes a prova de suas alegações, mas sim que existe necessidade de melhor sistematização de tal regra, à luz de princípios que visem conferir tratamento igualitário aos litigantes.
A aplicação subsidiária do artigo 333 do CPC ao direito processual do trabalho (admitida em larga escala) exige do intérprete, sobejados esforços, sob a ótica de certos princípios e costumes, de modo a evitar-se a descaracterização da própria natureza da relação processual trabalhista, não sendo o melhor instrumento para que o magistrado valore as provas que lhe são postas à apreciação.
Em decorrência disto, é evidente que o direito processual do trabalho carece de melhor sistematização legal quanto ao ônus da prova, devendo ser ampliada a disposição contida no artigo 818 da CLT com a positivação das regras principiológicas já aplicadas na prática, a exemplo do princípio da aptidão para a prova e das regras de pré-constituição.
No tocante ao princípio da aptidão para a prova, verifica-se ser a melhor solução para a resolução de controvérsias no âmbito trabalhista, pois viabiliza ao magistrado o conhecimento da verdade dos fatos, na medida em que, segundo tal regra, a prova deve ser produzida pela parte que detenha melhores condições para tanto.
Ademais, com o presente estudo, concluiu-se que é facilmente refutada a alegação de que o trabalhador sempre estará em condições processuais mais favoráveis que o empregador pelos \u201cfavores legais\u201d conferidos pelo sistema jurídico pátrio na questão da prova, tendo em vista que o princípio da aptidão para a prova pode imputar ao empregado o ônus de comprovar certos fatos sobre os quais possua condição probatória mais vantajosa em relação ao empregador, a exemplo da OJ 215 da SBDI-I do TST.
A lei processual não fornece qualquer tratamento piedoso ao trabalhador. O que ocorre é que, ao julgador é possibilitado socorrer-se de normas estranhas ao direito processual do trabalho para solucionar determinadas controvérsias, a exemplo do que ocorre com o artigo 6º, VIII do CDC, que trata da inversão do ônus da prova, desde que verificada a verossimilhança das alegações do empregado ou sua hipossuficiência em relação ao empregador.
Ademais, ao magistrado é possibilitado pautar-se em princípios próprios do direito material do trabalho não para a distribuição do ônus da prova ou para sua valoração, mas para a apreciação do direito demandado, eis que, tais princípios, sendo transportados inadvertidamente para o processo podem ocasionar a quebra do princípio da isonomia.