Compreendendo a Física - Vol. 3

Compreendendo a Física - Vol. 3


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num 
corpo. 
Essa hipótese foi descartada, mas a denomi-
nação foi mantida no modelo atômico e adquiriu 
conotação algébrica porque se tornou conveniente 
\u2014 a soma algébrica das cargas do elétron, 2e, e do 
próton, 1e, é nula, o que está de acordo com a neu-
tralidade elétrica do átomo. 
No entanto, é importante notar que são apenas 
nomes, palavras que indicam oposição mútua. 
Poderiam chamar-se preta e branca, quente e 
fria, esquerda e direita ou carga e anticarga, talvez a 
denominação mais adequada do ponto de vista da 
Física moderna.
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16 unidade 1 \u2013 eletrostÁtica
Veja a representação esquemática desse proces-
so. Os elétrons do corpo A passam para o corpo B. O 
corpo A torna-se eletricamente positivo, enquanto o 
corpo B torna-se eletricamente negativo.
Os físicos ainda não sabem exatamente qual é a 
natureza do atrito, por isso ainda não se sabe tam-
bém com clareza qual o papel que ele desempenha no 
processo de eletrização, mas não há dúvida de que a 
proximidade entre as superfícies em contato é o fator 
determinante.
atritar ou esfregar?
Atritar e esfregar podem ser entendidos como 
sinônimos \u2014 dois corpos podem ser eletrizados 
atritando-se ou esfregando-se um contra o outro. 
No entanto, a palavra que melhor expressa o fenô-
meno da eletrização é esfregar. Segundo o Dicio-
nário eletrônico Houaiss, esfregar é \u201croçar seguida-
mente um corpo sobre (ou em) outro\u201d, ideia mais 
adequada à eletrização do que atritar ou friccionar.
Atritar ou friccionar são ações que nos levam 
a supor que é o movimento que gera a eletrização 
e, por consequência, que quanto mais se atrita um 
corpo mais eletrizado ele fica, o que, além de não 
ser correto, leva a equivocadas relações entre aque-
cimento e eletrização. Na eletrização, o que importa 
é o melhor contato obtido na esfregação, não a ener-
gia gasta pela fricção, ideia falsa que aparece quan-
do falamos em atrito. Mas feita esta ressalva, vamos 
manter neste livro a expressão habi tual \u2014 eletriza-
ção por atrito \u2014, embora, do ponto de vista concei-
tual, fosse melhor eletrização por esfregação.
Eletrização por contato
De acordo com a Física moderna, os átomos e as 
moléculas que constituem os materiais têm estrutu-
ras diferentes que lhes dão diferentes propriedades. 
Uma dessas diferenças é a força de atração que exer-
cem sobre os elétrons que se localizam nas camadas 
mais distantes dos núcleos.
Assim, quando dois corpos de materiais diferentes, 
eletricamente neutros, são postos em contato muito 
próximo (fortemente pressionados um contra o outro), 
as suas camadas eletrônicas superficiais ficam também 
muito próximas. Por isso os elétrons de um corpo podem 
migrar para o outro. Embora seja impossível saber o que 
de fato acontece nesse nível microscópico, a figura a 
seguir ilustra esquematicamente essa situação.
núcleo
núcleo
nuvens eletrônicas
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Dessa forma, é possível eletrizar dois corpos simul-
taneamente colocando-os em contato muito pró ximo. 
O corpo que adquire elétrons torna-se eletricamente 
negativo; o que perde elétrons torna-se eletricamen- 
te positivo. A forma mais eficiente de estabelecer ou 
provocar esse contato é esfregar um corpo contra o 
outro. Daí essa forma de eletrização ser chamada de 
eletrização por atrito.
A característica da eletrização por atrito é a obten-
ção de dois corpos com cargas elétricas opostas a 
partir de dois corpos inicialmente neutros. 
A
B
\u2013
\u2013
\u2013
\u2013
\u2013
\u2013
A
B
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
+
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\u2013
\u2013\u2013
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 capítulo 1 \u2013 introdução à eletricidade 17
2a) Se um dos corpos em contato estiver eletrica-
mente carregado, a passagem de elétrons desse 
corpo para outro, eletricamente neutro, pode 
ocorrer espontaneamente. Se o primeiro estiver 
carregado negativamente, parte de seus elétrons 
em excesso tende a ser repelida para o segundo; 
se estiver carregado positivamente, ele tende a 
atrair elétrons do outro. Por isso, em geral, basta o 
contato para que haja a transferência de elétrons. É 
a esse processo de eletrização que se costuma 
chamar de eletrização por contato. Nele, parte da 
carga elétrica do corpo eletrizado tende a passar 
para o corpo neutro e ambos adquirem cargas elé-
tricas de mesmo tipo. Veja a representação esque-
mática a seguir. Na figura 1, quando um corpo A, 
eletrizado positivamente, é posto em contato com 
um corpo B, neutro, ele tende a atrair elétrons de B, 
que, perdendo elétrons, também se torna eletrica-
mente positivo. Na figura 2, o corpo A, eletrica-
mente negativo, tende a perder elétrons para o 
corpo B, neutro, com o qual é posto em contato \u2014 
B torna-se também eletricamente negativo.
A
B
+
+
+
+
+
+
+
+
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+
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+
+
+
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\u2013
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\u2013
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A
B
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Figura 1
B
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+
+
+
+
+
A
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A
B
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\u2013
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\u2013
\u2013
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\u2013
\u2013
\u2013
\u2013 \u2013
\u2013
\u2013
\u2013
\u2013
\u2013
\u2013
\u2013\u2013
Figura 2
A natureza elétrica dos corpos em contato influi na 
eletrização: o contato entre corpos condutores é mais 
eficiente do que entre corpos isolantes, porque a pas-
sagem de elétrons entre eles é mais fácil.
Há ainda duas observações a fazer em relação a 
esse processo de eletrização:
1a) Nem todo par de materiais atritados se eletriza. 
É preciso que eles tenham diferentes tendências 
para reter ou ceder elétrons . Não é possível eletrizar 
corpos de materiais condutores segurando-os com 
a mão. Como nosso corpo também é condutor, os 
elétrons que esses condutores trocam por causa do 
atrito são escoados para o nosso corpo ou pelo nos-
so corpo para a Terra. 
 A tabela abaixo apresenta a série triboelétrica, 
relação de materiais que coloca, em sequência, 
aqueles que têm maior capacidade de ceder ou 
receber elétrons.
 Assim, do meio para cima, em vermelho, estão os 
materiais que têm tendência crescente em ceder 
elétrons, começando no papel até chegar à pele 
humana. Do meio para baixo, em azul, estão os mate-
riais que têm tendência crescente em receber (ou 
reter) elétrons, começando na madeira até chegar à 
ebonite; o aço, como o algodão, é eletricamente iner-
te. O desnível entre as linhas indica uma eletrização 
por atrito possivelmente mais eficiente. Alguns 
metais, como o cobre, a prata e o latão, são bons 
\u201crecebedores\u201d de elétrons, mas, como também são 
excelentes condutores, dificilmente se eletrizam.
tendência para
receber elétrons
lã
papel
alumínio
seda
pele de gato
chumbo 
náilon
cabelo
mica
quartzo
vidro
pele de coelho
couro
materiais neutros
algodão
aço
borracha de silicone
ebonite
vinil (PVC)
isopor
borracha sintética
acetato, raiom
ouro
enxofre
poliestireno
acrílico
âmbar
madeira
tendência para
ceder elétrons
pele humana
plástico de balão
de aniversário
poliéster\u2013
+
Série triboelétrica. Fonte: \u2039www.answers.com/topic/triboelectricity>.
Thiago Ribeiro
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