RESUMO - JUSNATURALISMO E JUSPOSITIVISMO
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RESUMO JUSNATURALISMO E JUSPOSITIVISMO
Platã o, Santo Agostinh o, São Tomás de Aquino e Kant
O J us naturalismo defende que o direito é inde pendente da vontade humana, ele e xiste
antes mesmo do homem e acima das leis do homem . Para os jus naturalistas o direito é algo
natural e tem como pressupostos os valores do ser humano, e busca sempre um ideal de
justiça. O jus naturalismo parte do princípio de que os direitos naturais são: ou porque
derivam da própria ideia de que existem leis naturais no univers o (jus natura lismo
cosmológico), ou foram estabelecidos e revelados por Deus aos homens ( jus naturalismo
teológico), ou constituem leis naturais da vida e ca be ao homem, usando a razão, descobri -las
(jus naturalismo racionalista).
Ainda que o s filósofos he nicos não tivessem a pre ocupação de estudar a na tureza
humana, podemos situar a origem do jus naturalismo na Grécia antiga, na m edida em que o
poder, para os gregos, advinha do cosmos, fundado na ide ia de que os direitos naturais
corresponderiam à dinâmi ca do próprio universo, refletindo as le is eternas e imutávei s. Desde
a Grécia ant erior ao século VI a.C., durante o denominado pe ríodo cosmológico, j á se a dmitia
uma justiça natural, emanada da ordem cósmica. Platão é um exem plo de como a justiça ideal
expressa a hi erarquia harmônica das três partes da alma, por exemplo: a alma concupiscível,
irascível e racional. Portanto, a justiça consiste de uma imperativa adequação da c onduta
humana à ordem ideal do cosmos e da alma , constituindo ela a l ei suprema da socieda de
organizada como Estado.
Mas é com os estoicos a partir da noção de l ogos que a concepção jus naturalista irá se
construir de fato. O estoicismo, fundado pel as ideias de Zenão de Cício, de fendia a noção de
que toda a reali dade existente é uma rea lidade racional. Tal razão pode conhecer determinadas
regras escritas na natureza, e a parti r daí, tirar leis natura is e não de simples convenção,
determinando a noção de justiça. Segundo Cíc ero, existiria uma verdadei ra lei: a reta razão
conforme a natureza, di fusa em todos e sempre eterna. Nesta definição, ide ntifica a razão com
a lei natural, centralizando as tendências estoicas à fundamentação racional de uma visão
FIS Faculdade de Integração do Sertão
Curso: Bacharelado em D ire ito
Aluna: Gio vanna Brenda Lima Alves
Turma: 2018.1
Serra Talhada, 25 de novembro de 2018
Disciplina: Filoso fia Jurídica
Professor a: M ilena Souza
Per íodo: - Noite
cosmopolita do direito e da justiça. Dessa forma , o funda mento da ética e de todo o conceito
de justiça reside na ordenação cósmico -natural.
Destaca-se também o epicurismo, ante rior ao estoicismo que tinha uma visão
filosófica oposta. O e picurismo, de E picuro de Samos, propunha a ideia de qu e o ser humano
deve buscar o prazer da vida. Para essa b usca, os epicuristas devem procurar evitar a dor e as
perturbações, dos luxos e xcessivos e busc ar viver em harm onia com a natureza. A noção de
justiça, não é a lgo determinado, é puramente convencional . Ocorre que os homens, devendo
se afastar daquilo que lhe causa sofrimento, ao cometerem injustiças, podem serem
descobertos, pe rseguidos e castigados. E ntre out ros, como O c eticismo, de Pirro de Éli s, foi
uma corrente filosófica que de fendia a ideia de q ue t udo é incerto, nenhum c onhecimento é
seguro, qual quer argumento pode ser contestado. E por fim, o cinismo, cri ada por Antístenes,
levava a o extrem o a tese socrática de que o ser humano de ve proc urar conhecer a si mesmo e
desprezar todos os bens materiai s.
O pensame nto j urídico e filosófico greco-romano vai muda r, no final da idade
antiga, com a entrada do cristianismo. Ao jus naturalismo cosmológico, que atribui uma
ordem natural ao c osmos que deve servir de orientação para as ações huma nas, os crist ãos vão
acrescentar a ideia de Deus, como sendo a origem desta ordem e do qual emana a ha rmonia
do universo. Para o c ristianismo, não é na justiça humana que reside a verdade, m as na lei de
Deus, que age de modo a bsoluto, ete rno e imutável. Segundo o jus n aturalismo teológico, o
fundamento dos direitos naturais seria a vontade de Deus. A então, passou a ser mais
importante que a razão.
Um dos princ ipais difusores do Cri stianismo foi Paulo de T arso, que reconhece a justiça a
partir de um a visão divina, o nde o poder é oriundo de Deus e não e stá originalmente nas mãos
dos hom ens. Para ele , a autori dade superior deve ser reconhec ida por todo hom em, que lhe
deve obediência . E é a partir de Paulo de Tarso, que a fil osofia cristã se construirá deri vada ao
conservadorismo.
Na idade média, o jus naturalismo apresentava um conteúdo teológico, pois os
fundamentos do direi to natural eram a inteligência e a vontade divina, mudado assim a
concepção politeísta pa ra monoteísta. Podem ser identificados dois grandes m ovimentos
partidários do jus naturalismo teológico: a patrística e a escolástica.
A patrístic a é o nome que se utiliza para designar o pensamento filosófico
desenvolvido pelos Padre s da Igreja Católica ou Santos Padres entre os séculos II e VI. Para
Santo Agostinho, o mai or expoente da patrística, uma lei eterna, imutável, justa e plena,
que advém da vontade de Deus, e é o único fundamento legítimo em que a
lei positiva ou temporal (como nomeia o santo padre) deverá se basear. Por esse motivo, cabe
ao homem a submissão a Deus. Na sua principal obra A c idade de Deus, ele distingue a
cidade humana eivada dos vícios, instabilidades e injustiças próprios dos homens, que são
pecadores a partir do pecado original de Adão e Eva, e a ci dade de Deus, que se estabelece na
vida pós morte, junto a os santos e salvos. Por conta dessa distinçã o, a t erra, sua ordem, sua
lei, e seus jul gamentos são injustos, na medi da de fa libilidade e do pecado do homens. Em
Deus reside a justiça. A chave para o justo passa a ser então, a fé.
Por sua vez, a escolástica, transparecia pelo equilíbrio entre a razão e a fé, o qual fora
alcançado por São Tomás de Aquino a o demonstrar que e razão são diferentes ca minhos
que levam a o verdadeiro conhec imento. Ao t ratar da justiça, Tomás de Aquino a firm a que a
mesma pode ser vista c omo uma virtude geral, uma vez que, te ndo por obje to o bem com um,
ordena a este os atos das outra s virtudes. Como ca be à lei ordenar para o be m comum, tal
justiça é chamada de justiça legal. Ademais, Santo Tomás de Aquino admite uma diversidade
de leis: a lei divina , a lei humana, a lei eterna e a le i natural. A lei eter na, é a razão divina,
transcendente, que rege o mundo, incogniciva ao ser humano. A le i divina, t ambém
inalcançável pela razão humana, mas sua di retiva é dada por Deus no antigo e novo
testamento. A lei natural, é divina pela sua origem, ma s é pa ssível de c ompreensão pelo
homem, visto que se verifica na natureza que é obra de Deus, e e comunica com os homens a
partir da própria existência natural de stes. A lei humana, positiva, não é necessariamente,
algo injusto e corruptível, o homem pode confeccionar le is ra cion a is orientadas pelas leis
naturais que visem o bem comum.
É, ent retanto, c om a obra de Kant que n o sécul o XVII a concepç ão do jus naturalismo
teológico foi, gradativamente, substituída por uma dout rina jus naturalista subjetiva e
racional, buscando seus fundamentos na identida de de uma razão humana universal.
Segundo Kant, todo nosso conhecimento começa pela experiência , ou seja, o nosso próprio
conhecimento por experiência é um composto do que recebemos através das i m pressões
sensíveis e daquilo que nossa própria capacidade de conhecer produz por si mesma. Este
conhecimento que só são possíveis atra vés da e xperiência, são cha mados de a posteriori. Kant
também apresenta a existência do c onhecimento que independe da exp e riência e de todas a s
impressões dos sentidos, o a priori.
Kant distingue o conhec imento puro do empíric o através de dois critérios: ne cessidade
e universalidade. O primeiro, se uma proposição for pe nsada como caráter de necessária, é um
juízo a priori; e se valer por si mesma, não sendo derivada, então é absolutamente a priori. A
segunda, a experiênc ia forne ce juízos apenas universalidade suposta e compa rativa; e se o