Pesquisa em administração
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deve dar ao leitor a idéia do assunto que será abordado. O título deve apresentar

uma certa originalidade;

c) objetivo: no primeiro parágrafo deve ficar claro para o leitor qual é o alvo que se pretende

alcançar, ou seja, deve estar mencionado o assunto e/ou ponto destacado pelo autor;

d) O texto propriamente dito deve conter o desenvolvimento, a discussão, a análise ou a

descrição do assunto em foco. O aluno deve fundamentar seu ponto de vista. O

posicionamento não pode ficar no \u201cachismo\u201d!

e) Nas notas conclusivas, no último parágrafo, o aluno deve apresentar as principais posi-

ções assumidas no transcorrer do trabalho;

f) A bibliografia deve ser identificada quando no paper for citada fonte que se encontra em

livros, jornais, artigos, folhetos acadêmicos, etc. A referência deve seguir as normas da

ABNT. Quando o paper apresentar em seu foco central a interpretação de um componen-

te social ou organizacional específico, vivenciada pelo aluno, será necessário citar a data/

local ou espaço a que se refere o fenômeno.

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g) O tamanho do short paper não pode ultrapassar nem ser menor do que uma página (folha

A4), tamanho da letra fonte 12 em espaçamento simples entre linhas. Nesse espaço o

aluno deve expor a essência das suas reflexões. Divagações e introdução de novos assun-

tos não devem integrar este formato de texto.

Para entender melhor, basta pegar um exemplo prático: diante de um texto ou realidade

observada, sempre ou quase sempre aparecem determinadas singularidades ou partes mais

específicas, o que significa afirmar que se pode discorrer apenas sobre uma destas partes.

Deve ficar evidente, no entanto, que o fato de o short paper ou issue paper ter uma

abrangência menor em termos de abordagem, não significa que o conteúdo deva ser tratado

com menos profundidade. Pelo contrário: a delimitação do tema propicia o aprofundamento

do conteúdo.

4.3.2 \u2013 PAPER \u2013 COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA

A comunicação científica define-se como a informação que se apresenta em congres-

sos, simpósios, reuniões, academias, sociedades científicas. Em tais encontros, os trabalhos

realizados são expostos em tempo reduzido. O propósito do paper tipo comunicação cientí-

fica é tornar conhecidos a descoberta e os resultados alcançados com a pesquisa, podendo

fazer parte de anais. Geralmente as comunicações científicas não permitem a reprodução

total da experiência realizada e levam em consideração os seguintes elementos: finalidade,

informações, estrutura, linguagem e abordagem (Medeiros, 2003).

A estrutura da comunicação científica engloba:

a) introdução (formulação do tema, justificativa, objetivos, metodologia, delimitação do pro-

blema, abordagem e exposição exata da idéia central);

b) O desenvolvimento inclui exposição detalhada do que se afirmou na introdução e funda-

mentação lógica das idéias apresentadas;

c) A conclusão busca uma síntese dos resultados da pesquisa.

EaD Eni se Bart h Teixeira \u2013 Luci ano Z amb er la n \u2013 Pedro C ar los Rasia

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A comunicação científica possui a seguinte estrutura:

a) folha de rosto: que engloba o nome do congresso (ou evento), local do evento, data,

patrocinador, título do trabalho, nome do autor, credenciais do autor;

b) síntese: resumo do trabalho. Pode aparecer entre o título e o texto, ou ao final do trabalho;

c) conteúdo: introdução, desenvolvimento, conclusão;

d) referências bibliográficas.

4.3.3 \u2013 POSITION PAPER

A realidade e a educação moderna não podem aceitar mais aquele aluno que apenas

decora textos para tirar notas boas e que simplesmente reúne um amontoado de idéias de

outros autores.

Pelo contrário, hoje, exige-se que um aluno saiba ler e interpretar, mas que, sobretudo,

também questione e se posicione diante da realidade e do que é dito e apresente suas próprias

idéias. Essa atitude é sinal de maturidade intelectual.

É nessa linha de raciocínio que se situa o position paper. Por meio dele o educando

desenvolve sua capacidade de reflexão e criatividade diante do que está escrito (livro, arti-

go, revista, jornal, etc.), do que é apresentado (palestra, congresso, seminário, curso, etc.) e

também diante do que pode ser observado numa realidade (empresa, projeto, entidade, via-

gem de estudos, etc.).

Desta forma, o position paper pode ser considerado uma expressão compacta da leitu-

ra analítica. Por isso mesmo esta técnica será mais facilmente posta em prática por quem se

tiver exercitado na leitura analítica

Cabe acentuar que não se trata de um relatório ou resumo. É uma reflexão original,

em que o educando deixa de ser um receptor passivo e passa a ser um sujeito crítico e ativo

na construção de novos conhecimentos.

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Como a própria palavra identifica, o position paper é uma \u201cposição\u201d do próprio autor,

mas é também o posicionamento de outros autores sobre o assunto. Por isso, este tipo de

trabalho exige uma revisão bibliográfica, ou seja, a pesquisa de estudos já efetuados por

outros autores (Leonel, 2003).

O texto de um position paper é geralmente de poucas páginas e a estrutura pode ser

assim disposta:

a) folha de rosto;

b) sumário;

c) introdução: objetivo, delimitação, metodologia;

d) revisão bibliográfica sobre o assunto (no mínimo dois outros autores);

e) reflexão e posicionamento do autor sobre o assunto;

f) conclusão;

g) referências.

Seção 4.4

Memorial

O memorial se constitui em um exercício de interrogação de nossas experiências pas-

sadas para fazer aflorar não só recordações/lembranças, mas também informações que con-

firam novos sentidos ao nosso presente.

O memorial, de grande utilidade no meio acadêmico, tem sido utilizado como exercí-

cio, parâmetro, retomada e avaliação da trajetória pessoal no meio acadêmico-profissional.

A forma como encaramos determinadas situações e acontecimentos está impregnada

por nossas experiências passadas. Pela memória, não apenas o passado emerge, misturan-

do-se com as percepções sobre o presente, como também desloca esse conjunto de impres-

EaD Eni se Bart h Teixeira \u2013 Luci ano Z amb er la n \u2013 Pedro C ar los Rasia

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sões construídas pela interação do presente com o passado, que passam a ocupar todo o

espaço da consciência (Bosi, 1979). O que esta autora quer enfatizar é que não existe pre-

sente sem passado, ou seja, nossas visões e comportamentos estão marcados pela memória,

por eventos e situações vividas.

De acordo ainda com esta autora, o passado atua no presente de diversas formas. Uma

delas, chamada de memória-hábito, está relacionada com o fato de construirmos e guardarmos

esquemas de comportamento dos quais nos valemos muitas vezes na nossa ação cotidiana.

O memorial é o resultado de uma narrativa da própria experiência retomada a partir

dos fatos significativos que nos vêm à lembrança. Elaborar um memorial consiste, então, em

fazer um exercício sistemático de escrever a própria história, rever a própria trajetória de

vida e aprofundar a reflexão sobre ela. Esse é um exercício de autoconhecimento.

O memorial está intimamente relacionado a um exercício de reminiscência, isto é, de

\u201cpuxar pela memória\u201d. Como a memória é seletiva, filtrada pelo que sentimos e acreditamos,

queremos que, no momento de elaboração do memorial do nosso cotidiano, esta seleção

torne-se reflexiva. Ou seja, submetida a um exercício que tem como objetivo trabalhar as

experiências que a pessoa considera de maior relevância na sua trajetória, relatando-a de

modo reflexivo. Pode-se tomar, por exemplo, a ação de voluntariado e ir desenvolvendo uma

reflexão dessa experiência explicando de que modo isso provocou desdobramentos em ou-

tras dimensões da vida.

Desse modo, uma primeira observação importante a ser feita refere-se à relevância de

se estabelecer a diferença entre a técnica de escrita de um memorial e uma narrativa histó-

rica, que tem a preocupação em refazer (contar, narrar) e pode conter diversas passagens da

sua trajetória individual no tempo: