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Estas análises permitem \u201cextrair

sentido dos dados\u201d, ou seja, testar hipóteses, comparar os resultados para vários subgrupos, e

assim por diante.

Não obstante a peculiaridade de cada forma de tratamento, é possível analisar os

dados quantitativa e qualitativamente ao mesmo tempo. Como exemplo dessa possibilida-

de menciona-se o emprego da estatística descri tiva para apoiar uma interpretação dita

subjetiva.

Os computadores têm se revelado importantes auxiliares no manuseio e na análise de

dados qualitativos, porém nenhum sistema disponível pode substituir as qualidades

interpretativas do pesquisador. Muitos programas podem reduzir grande parte do trabalho

de seleção de palavras, conceitos e passagens nas transcrições, mas a identificação de te-

mas, padrões e categorias importantes ainda tem de ser feita pelo investigador.

O processamento de dados por meio da operação com computadores pode ser muito

útil para um pesquisador das Ciências Sociais. Este instrumento permite estocar dados de

maneira acessível, organizá-los e analisá-los tanto descritiva quanto inferencialmente,

facilitando o uso de técnicas de análise estatísticas variadas (Selltiz et al, 1987). O

processamento por computador mediante um sistema adequado de codificação é de gran-

de valia quando se está trabalhando com um volume grande de dados, como é o caso de

levantamentos (survey).

Tão logo os passos anteriormente descritos forem concluídos, compete ao investigador

analisar e interpretar os dados, buscando avaliar a relevância e significado desses dados em

relação aos propósitos da pesquisa. A análise evidenciará as relações existentes entre os

dados obtidos e os fenômenos estudados, enquanto a interpretação é uma atividade que

leva o pesquisador a conferir um significado mais amplo às respostas.

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PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO

Seção 8.2

Técnicas de Análise dos Dados

As técnicas de análise de dados permitem ao pesquisador realizar a apresentação e

análise dos dados levantados e coletados de maneira clara, objetiva e estruturada, oferecen-

do ao leitor cientificidade e possibilidade de comprovação.

Apresentam-se, no quadro a seguir, as técnicas de análise de dados mais empregadas

no processo de investigação científica.

Quadro 2: Técnicas de análise de dados

Fonte: Machado; Silva (2007, p. 6-7).

As pesquisas de natureza tipicamente qualitativa geram um extenso volume de infor-

mações que precisam ser organizadas e compreendidas, requerendo assim um processo con-

tinuado em que se procura identificar dimensões, categorias, tendências, padrões, relações,

desvendando-lhes o significado.

Análise de
Conteúdo

É um \u201cconjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, através de
procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens,
indicadores (quantitativos ou não) que permitam inferir conhecimentos relativos às
condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens\u201d. Sugere-se a
elaboração de categorias (Bardin, 1995, p. 42).

Análise de
Discurso

O discurso, na análise do discurso, não é apenas transmissão de informação, \u201cpois, no
funcionamento da linguagem, que põe em relação sujeitos e sentidos afetados pela
língua e pela história, temos um complexo processo de constituição desses sujeitos e
produção de sentidos\u201d. Assim, \u201csão processos de identificação do sujeito, de
argumentação, de subjetivação, de construção da realidade, etc.\u201d (Orlandi, 2000. p.
21).

Análise
Documental

Consiste em uma \u201coperação ou um conjunto de operações visando representar o
conteúdo de um documento sob uma forma diferente da original, a fim de facilitar,
num estado ulterior, a sua consulta e referenciação\u201d (Bardin, 1995, p. 45-46).

Matemática
e Estatística

O pesquisador percebe a realidade mediante a observação, porém a atividade
científica, por vezes, necessita de instrumentos que reforcem as aptidões naturais e
permitam mais objetividade das observações. Em muitas situações, essa objetividade
está associada à idéia de quantificação, à medida que tal procedimento permite ao
pesquisador analisar fenômenos em função da freqüência em que ocorrem ou de sua
quantidade (Dencker; Da Viá, 2001).

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Esse processo é complexo e não-linear e exige um trabalho de redução, organização e

interpretação dos dados que se inicia já na fase exploratória e acompanha todo o ciclo da

investigação. Observa-se, entretanto, que a maioria das técnicas de análise procura seguir

os padrões da análise quantitativa, ou seja, tem o propósito de contar a freqüência de um

fenômeno e procurar identificar relações entre os fenômenos, com a interpretação dos dados

recorrendo a modelos conceituais definidos a priori.

O conjunto destas técnicas vem sendo denominado Análise de Conteúdo. Esta, de

acordo com Minayo (1994), é a expressão mais comumente empregada para representar o

tratamento dos dados de uma pesquisa qualitativa.

Numa pesquisa em que a técnica de coleta de dados adotada é o questionário, você irá

se deparar com uma pilha deles contendo as informações sobre os participantes da pesquisa.

A análise de dados tem o papel de transformar esse volume de papéis em conclusões e rela-

tórios para serem levados em conta nas tomadas de decisão.

De posse dos questionários coletados, você poderá iniciar a tabulação das informa-

ções. A tabulação consiste em contar o número de respostas obtidas por meio dos questio-

nários. Recomendamos que você, tendo em mãos todos eles, procure codificá-los atribuindo

um número a cada um. Por exemplo, se você coletou 300 questionários, cada formulário

deverá ter um número único entre 1 e 300. Isso serve para auxiliar no processo de tabulação

das informações e para localizar eventuais digitações incorretas.

Depois de numerar todos os questionários você poderá utilizar uma planilha eletrôni-

ca para o processo de tabulação. A Figura 1 apresenta dados e a tabulação de 20 entrevistas

feitas a partir da aplicação do questionário.

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PESQUISA EM A DMINI ST RAÇ ÃO

Figura 1: Exemplo de tabulação em planilha e eletrônica

Fonte: Elaboração dos autores.

É importante preparar a planilha para receber os dados dos questionários. Normal-

mente a tabulação funciona da seguinte maneira: cada coluna refere-se às questões do

formulário e nas linhas você lança o conteúdo de um questionário inteiro.

Veja que na primeira linha há uma série de códigos. Na célula A1 há o termo \u201cnum\u201d.

Isso significa que nesta coluna são informados os números de cada questionário. A partir

daí você tem nas demais colunas as expressões q1, q2, q3, q4 e assim sucessivamente até

q19. Estas abreviações significam q = questão e 1 = número da pergunta do questionário.

A partir do cabeçalho que você insere na primeira linha da planilha, podemos começar

a digitar os questionários. Você pode ver que todas as alternativas de resposta possuem um

número respectivo. Por meio deste número é que informamos à planilha qual foi a alternati-

va assinalada pelo respondente. A digitação de números facilita e agiliza o processo de

tabulação dos dados.

Com esses números podemos, por exemplo, ver que a pessoa que respondeu ao questi-

onário número 1 é do sexo feminino, tem entre 30 e 39 anos e possui renda familiar entre 7

e 9 salários mínimos.

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Seção 8.3

Procedimentos Estatísticos de Análise

Os principais métodos básicos empregados para análise e interpretação de dados são:

distribuição de freqüência e cálculos das médias de tendência central (quando o questioná-

rio o permitir).

8.3.1 \u2013 DISTRIBUIÇÃO DE FREQÜÊNCIA

A distribuição de freqüência apenas reporta o número de respostas que cada questão

recebeu (Aaker; Kumar; Day, 2001). Ela organiza os dados em classes, ou grupos de valores,

e mostra o número de observações no conjunto de dados que caem em cada uma dessas