Assunto para estudo na área da administração
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Assunto para estudo na área da administração


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a dificuldade do profissional em canalizar a informação para o que realmente importa. É como se não soubesse encontrar o rumo pelo qual caminhar. E quando não se sabe o rumo, fica-se andando em círculos.
Leis da legibilidade
Quanto às palavras, as leis da legibilidade são:
1. Use palavras curtas (as palavras longas exigem um maior esforço de decodificação). Por exemplo:
Sugere-se a impertinência do controvertido empréstimo quando consubstanciado em base média nacional.
2. Escolha palavras já conhecidas (as palavras novas se impõem com dificuldade). Por exemplo:
Deve consignar-se que a atitude acarreta instransponível óbice.
3. Use palavras de formas simples (prefixação e sufixação prejudicam a legibilidade). Por exemplo:
A diferenciabilidade de sua linguagem confirma o poliglotismo.
Quanto às frases, as leis são:
1. A construção das frases deve deixar transparecer nitidamente suas articulações. Por exemplo:
O presidente sentia-se acuado pelas constantes denúncias de corrupção em seu governo e o crescimento na Constituinte da pressão em favor da fixação de seu mandato em quatro anos.
2. A extensão das proposições não deve ultrapassar uma compreensão mais imediata da ideia. Por exemplo:
Inúmeras são as problematizações provocadas pelos questionamentos que se operam a partir da estruturalidade econômica e ideológica dos quadrinhos que, destacando-se sua trajetória editorial, operam dentro da dinâmica de cultura de massa, apontando momentos formuladores de uma evolução formal da linguagem dos quadrinhos.
3. As palavras gramaticalmente (inter)dependentes não devem estar muito afastadas umas das outras. Perceba esse erro no exemplo a seguir:
Em resposta à consulta verbal formulada por V. Sa., concernente à necessidade, em face da Lei de Imprensa no 5.250, de 9 de fevereiro de 1967 e da Lei no 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, a qual alterou, atualizou e consolidou a legislação sobre direitos autorais, de constar no jornal os nomes dos jornalistas que assinam as matérias publicadas.
4. As palavras mais importantes para a compreensão da mensagem devem estar colocadas de preferência na primeira metade da frase ou proposição.
5. Deve-se evitar uma sintaxe (modo de apresentação das ideias) rebuscada. Por exemplo:
O projeto de reforma da Previdência, o governo quer retirá-lo do Congresso.
A concisão
Assim como a clareza, outra característica fundamental para tornar um texto eficaz é a concisão. Dizemos que um autor é conciso quando ele é capaz de dizer muita coisa usando poucas palavras.
Para entender melhor esse tema, aprofunde seu conhecimento e leia, a seguir, o Capítulo 6, \u201cComo obter concisão\u201d, do livro Português instrumental para cursos de direito: como elaborar textos jurídicos, de Miriam Gold e Marcelo Segal (2008, p. 55-58).
Como obter concisão
Embora os textos longos e rebuscados tenham se originado do desejo de persuadir o destinatário, o contexto do mundo moderno imprime uma nova dinâmica na apresentação das informações.
O conceito de \u2018concisão\u2019 relaciona-se com uma ideia mais utilitarista da mensagem \u2014 o que não deve significar, em hipótese nenhuma, \u2018empobrecimento\u2019, mas uma forma mais enxuta e condensada de apresentação, em que se valoriza cada informação.
Ao manter o texto longo, o requerente corre o risco de obter o efeito mais indesejável ao mundo jurídico: ter sua mensagem desprezada pelo destinatário.
É comum observarmos petições de mais de duas páginas em que o assunto poderia ter sido abordado em quatro ou cinco parágrafos, e não em dez ou doze. Muitas vezes, isso ocorre por insegurança quanto à expressão das ideias. Muitas vezes, não confiamos em uma palavra como suficientemente expressiva do que desejamos dizer e acabamos com uma fileira de palavras, as quais repetem o mesmo sentido, quando não o obscurecem.
Características básicas da concisão
Na retórica moderna, são características da concisão:
1. Cortar redundâncias. Veja alguns exemplos:
O advogado repetirá a mesma tese. (O emprego de \u2018mesmo\u2019 é redundante. Melhor seria \u201co advogado repetirá a tese\u201d.) O teatro vai repetir o espetáculo. (E não \u201cvai repetir de novo\u201d ou \u201cvai repetir o mesmo espetáculo\u201d.)
a) \u2018Conviver junto\u2019 (a palavra \u2018conviver\u2019 já encerra a ideia de \u2018junto\u2019; portanto, é melhor dizer \u201celes convivem há muitos anos\u201d, \u201cnão conseguem conviver sem briga\u201d etc.).
b) \u201cCriar novos empregos\u201d (a palavra \u2018criar\u2019 já indica algo de novo; portanto, é melhor dizer \u201co governo vai criar empregos na indústria\u201d, \u201cserão criados mil cargos\u201d etc.).
c) \u201cNão há outra alternativa.\u201d (Toda alternativa é \u2018outra\u2019. Diz-se, portanto: \u201cele não tem alternativa\u201d, \u201cnão há alternativa possível\u201d, \u201cou paga, ou o título será protestado, sem alternativa\u201d.
2. Retirar ideias excessivas. Por exemplo:
Informamos que a entrada, a frequência e a permanência nas dependências deste clube são terminantemente proibidas, seja qual for o pretexto, a pessoas que não fazem parte de seu quadro de sócios. (Seria melhor \u201cé proibida a entrada de não sócios\u201d.)
Ao reaprender a pensar sem excessos, estaremos dando o primeiro passo em direção a um texto mais objetivo, que enfatize as ideias relevantes, que se organize com mais concatenação e que atinja o leitor para que ele se sinta comprometido.
CONVENCENDO O INTERLOCUTOR
Os textos dissertativos não visam apenas a informar, eles também devem convencer. Não basta que o destinatário receba a mensagem e a compreenda. É preciso convencer o interlocutor de nosso ponto de visto, fazê-lo compreender e aderir àquilo que estamos propondo.
Para tal, precisamos argumentar. Usar argumentos significa usar a lógica.
Depois de fazer uma afirmação, uma declaração ou uma proposta, questione suas próprias afirmações. Por que? Como assim? Explique melhor? O que quero dizer com isso? Certamente você encontrará argumentos para defender o seu ponto de vista. Além dos argumentos, você pode utilizar estratégias argumentativas. São recursos (verbais ou não verbais) para convencer o interlocutor ou gerar credibilidade.
Alguns argumentos são racionais, eles utilizam a lógica e convencem porque são evidentes.
A organização lógica do pensamento
Conhecer um pouco de lógica é fundamental para saber argumentar. Para a lógica, argumento é um conjunto de enunciados que estão relacionados uns com os outros. Argumento é um raciocínio lógico.
Observe o seguinte argumento:
Todo homem é mortal
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.
Este argumento é formado por duas premissas e uma conclusão. A relação lógica entra as premissas e a conclusão é válida.
Todo A é B.
C é A.
Logo, C é B.
Isto significa que todos os argumentos que possuem esta mesma forma lógica também são válidos. Os fatos apresentados nas premissas servem de evidência para a conclusão, isto é, são eles que sustentam a conclusão. Para que o argumento seja válido, é preciso que as premissas e a conclusão estejam bem relacionadas, isto é, as premissas e a conclusão precisam estar relacionadas corretamente.
A tarefa principal da lógica é distinguir os raciocínios corretos dos incorretos.
Há vários tipos de argumento. Quando o argumento lógico é formado por duas premissas e uma conclusão, chama-se silogismo. Quando é formado por uma premissa que leva diretamente a uma conclusão, chama-se inferência. Veja um exemplo de inferência:
Estou sentindo cheiro de queimado, logo algo está queimando.
As falácias
Falácias são falsos argumentos. Vou dar um exemplo que parece bastante verossímil:
Todos os mamíferos são vertebrados.
O ganso é vertebrado.
Logo, o ganso é um mamífero.
O que há de errado com este argumento? Bem, ele é um argumento inválido.
Todo A é B.
C é B.
Mas nada garante que C é A!
Muitas vezes usamos argumentos deste tipo para tentar convencer os outros de que estamos certos. E pior! Muitas vezes somos levados por argumentos deste tipo.
Um apelo à emoção
Não utilizamos apenas argumentos racionais e lógicos para convencer o leitor ou o receptor de nossas mensagens. Em muitos textos e situações comunicativas usamos estratégias para tornar