Sociologia 1 estagio p2
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DisciplinaSociologia Geral e Juridica369 materiais5.230 seguidores
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não tem demonstrado ser capaz de resguardar a soberania 
popular, a submissão do legislador à vontade da lei, em resumo, não tem 
conseguido preservar o princípio democrático nem o do Estado de Direito.43 
 
41 Fundamentos de Direito Público, p. 50. 
42 Constituição e Governabilidade \u2013 Ensaio sobre a (in)governabilidade brasileira, p. 
19. Em outro trabalho, Manoel G. Ferreira Filho observa que, de acordo com o 
ensinamento de J.J. Canotilho, deputado na Constituinte Portuguesa pelo Partido 
Comunista local, o Estado Democrático de Direito é aquele que prende o Poder político à 
realização do socialismo. Por isso, segundo Ferreira Filho, isto é, sem dúvida, uma 
concepção que repudia o formalismo do Estado Legal; está ela, no entanto, muito distante 
da idéia de Direito que inspirou o Estado de Direito clássico e que ainda prevalece nas 
democracias de derivação liberal (Estado de Direito e Constituição, p. 65). 
43 Curso de Direito Constitucional, p. 146. 
 
Para J. J. Canotilho e Vital Moreira, na medida em que os direitos 
fundamentais devem estar necessariamente ligados ao Estado de direito 
democrático, o Estado de direito democrático pressupõe e garante os direitos 
fundamentais.44 Informam, ainda, a complexidade deste conceito, e as suas duas 
componentes \u2013 Estado de Direito e Estado democrático \u2013 que não podem ser 
separadas uma da outra. O Estado de direito é democrático e só sendo-o é que é 
de direito; o Estado democrático é de direito e só sendo-o é que é Estado de 
direito.45 
 
Toda e qualquer forma de poder, inclusive o da maioria, para que não se 
torne arbitrário, necessita de estar submetido aos limites específicos e 
racionalmente expressos pela lei. Neste caso, é de mera sobrevivência a relação 
da realidade democrática com o Estado de Direito, porque a democracia somente 
pode ser efetivada através de um conjunto de regras gerais que exijam de todos 
o respeito às opiniões divergentes e a conseqüente liberdade de participação 
política. 
 
É destino inevitável e fatal, demonstrando-nos a simples verificação da 
história recente, que o desrespeito ao Estado de Direito não tarda em criar a 
ditadura das elites arrogantes ou a ditadura da vontade majoritária, quando neste 
último caso as minorias passam a não ser mais toleradas e o corpo social, 
homogêneo e intolerante, se lança ferozmente sobre elas, marginalizando-as, 
oprimindo-as, e, enfim, procurando efetivamente destruí-las. 
 
Fundamental à sobrevivência do sistema democrático, o Estado de Direito 
permite assegurar a defesa do cidadão e a efetiva representação popular nas 
diversas instâncias governamentais. Garante, enfim, que a sociedade controle os 
governantes e que os substituam pacificamente, quando isto vier a se tornar 
oportuno. Tanto a democracia quanto o Estado de Direito não permitem, todavia, 
é qualquer tentativa arbitrária de \u201cabsolutização\u201d do poder, daqueles que utilizam 
a poderosa máquina estatal em favor de interesses particulares ou 
ideologicamente radicais. 
 
Nestes termos, a doutrina social da Igreja Católica vem, há tempos, 
procurando reafirmar a dignidade transcendente da pessoa humana e o respeito à 
liberdade individual, pronunciando de igual modo a absoluta imprescindibilidade 
do Estado de Direito. Por isso, a encíclica Centesimus Annus, publicada em 1991, 
manifesta-se literalmente pelo princípio da separação dos poderes e a aplicação 
de um princípio do Estado de Direito, no qual é soberana a lei, e não a vontade 
arbitrária dos homens. Ficaria então compreendido, ademais, o fato de que uma 
autêntica democracia só é possível num Estado de Direito e sobre a base de uma 
reta concepção da pessoa humana.46 
 
44 Fundamentos da Constituição, p. 99. 
45 Constituição da República Portuguesa Anotada, vol. I, p. 73. 
46 Importa-nos, neste caso, reproduzir algumas palavras do papa João Paulo II, em 
sua importante encíclica Centesimus Annus: ...numa passagem da \u2018Rerum Novarum\u2019, o 
papa Leão XIII apresenta a organização da sociedade segundo três Poderes \u2013 legislativo, 
executivo e judiciário \u2013 o que constituía, naquele tempo, uma novidade no ensinamento da 
Igreja, Tal ordenamento reflete uma visão realista da natureza do homem a qual exige 
uma legislação adequada para proteger a liberdade de todos. Para tal fim é preferível que 
cada poder seja equilibrado por outros poderes e outras esferas de competência que o 
mantenham no seu justo limite. Este é o princípio do Estado de Direito, no qual é soberana 
a lei, e não a vontade arbitrária dos homens... A Igreja encara com simpatia o sistema da 
democracia, enquanto assegura a participação dos cidadãos nas opções políticas e garante 
aos governados a possibilidade quer de escolher e controlar os próprios governantes, quer 
de os substituir pacificamente, quando tal se torne oportuno; ela não pode, portanto, 
Basicamente, o que esta nova expressão parece vir a denotar é a formação 
de um Estado de Direito instaurado com base nos valores fundantes da 
comunidade. Ao próprio entender de Miguel Reale, portanto, Estado Democrático 
de Direito equivaleria, em última análise, ao propósito constitucional de passar-se 
de um Estado de Direito, meramente formal, a um Estado de Direito e de Justiça 
Social.47 
 
Neste sentido, em um Estado Democrático de Direito, o ordenamento jurídico 
está vinculado ao poder democrático de transformação da realidade social, muito 
embora a força transformadora do direito seja impedida de perfazer intervenções 
ilegítimas na esfera das liberdades públicas. Afinal, o compromisso da democracia 
com o Estado de Direito está pautado, para a sua própria sobrevivência, no 
respeito aos direitos negativos de primeira geração, onde os indivíduos se 
reconhecem precipuamente como livres e iguais em direitos fundamentais e 
responsabilidades cívicas. 
 
O Estado Democrático de Direito acredita na importância das normas 
jurídicas para a sólida construção de uma democracia legitimamente 
institucionalizada. Apoia-se, ademais, na idéia de autonomia individual e direitos 
sociais, onde os cidadãos exercitam ativamente os seus direitos de participação e 
comunicação. Por conseguinte, conclui-se então que o legislador constituinte 
buscou com esta nova expressão, Estado Democrático de Direito, restaurar a 
força do direito vinculando-o à necessidade de uma efetiva legitimação 
democrática das normas jurídicas. 
 
Fundamentalmente, enfim, a criação desta nova expressão denominada 
Estado Democrático de Direito se deve ao simples fato de nós termos atravessado 
duas décadas de um regime militar autoritário, onde tanto o valor Estado de 
Direito bem como o da democracia foram absolutamente desprezados. Agora, 
mais do nunca, parece que a força do direito associa-se ao processo de 
reconstrução democrática da sociedade política. Por isso, observa Gisele 
Cittadino, após duas décadas de autoritarismo e governos militares, a 
reconstrução do processo político democrático também significava a reconstrução 
do Estado de Direito.48 
 
 
10. Estado Social de Direito 
 
Bastante em voga é a concepção do chamado Estado Social de Direito, 
objetivando um desempenho do governo que não se restrinja apenas aos limites 
da proteção à liberdade individual e à propriedade privada. Nesse caso, o Estado 
também passa a estar comprometido com a idéia do apoio solidário ao indivíduo, 
para que este alcance a maximização do seu livre desenvolvimento pessoal, 
sendo muitas vezes necessário que se possibilite um mínimo de condições 
materiais. 
 
 
favorecer a formação de grupos restritos de dirigentes, que usurpam o poder do Estado a 
favor dos seus interesses particulares