ANUAL_ESPECIAL_MANHA_27_08_DireitoComercial
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Direito Comercial 
Professor: Fernando Castellani 
Data: 27.08.2010 
 
Requisitos específicos do contrato: 
 
1. Contribuição de todos os sócios para formação do capital social 
 
Integralização pode ser feita em dinheiro, bens, créditos ou serviços, com exceção das 
sociedades limitadas que não admitem integralização com serviços. 
 
Prazo de Integralização 
 
O sócio tem o dever de integralizar o capital na forma e no prazo convencionado no 
contrato, podendo ser definido livremente. 
 
 Convencionado o prazo para a integralização, o sócio passa a ter que respeitar a convenção 
da integralização. 
 
Caso o sócio descumpra o dever do pagamento, recebe o nome de sócio remisso (sócio que 
descumpre o dever de integralizar o capital na forma e prazo estabelecidos). 
 
 O fato de o sócio ser remisso propicia a sua expulsão da sociedade, visto que há prejuízo ao 
negócio, colocando em risco os demais sócios. Na sociedade limitada, os sócios respondem de 
forma solidária dos demais sócios. 
 
2. Participação dos Sócios nos resultados sociais 
 
O contrato social deve respeitar e prever a participação de todos os sócios nos lucros e nos 
prejuízos. 
 
Regra geral, nas sociedades contratuais, a participação nos resultados é proporcional à 
participação no capital. 
 
É bem verdade que nada impede a participação diferenciada nos resultados, ou seja, estipulação 
de participações de forma igualitária, ainda que as cotas sejam diferentes; contudo, para que haja 
distribuição diferenciada, deve haver previsão expressa no contrato. 
 
Entende-se que é nula a cláusula contratual que estabeleça a exclusão do sócio ou dos lucros ou 
dos prejuízos, isto quer dizer que há possibilidade de distribuição diferenciada, mas não poderá 
zerar a distribuição dos lucros ou prejuízos. 
 
Diante da nulidade da cláusula, deve-se aplicar a regra geral: a distribuição, tanto dos lucros, 
quanto dos prejuízos será proporcional à participação no capital. 
 
O que define a responsabilidade do sócio pelas dívidas da pessoa jurídica, são as regras do tipo 
societário: 
 
 
 
 
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\ufffd Se a sociedade é limitada, pode ser cobrado de qualquer sócio do valor não integralizado 
(solidariedade do capital não integralizado) \u2013 a responsabilidade perante o credor é dada 
pelo tipo societário. 
 
Finda a relação jurídica com o terceiro (credor), o sócio que pagou tem o direito de regresso 
contra o sócio que não pagou, pois o que regula o direito de regresso é o percentual do capital. 
 
 Dizer que os sócios respondem de maneira proporcional quer dizer que os percentuais do 
capital vão gerar efeito. 
 
Nas sociedades contratuais, a responsabilidade dos sócios perante terceiros é solidária, mas 
entre os sócios, quando do direito de regresso, a responsabilidade é proporcional ao capital. 
 
3. Pluralidade de Sócios 
 
É requisito específico de o contrato ter, pelo menos, dois sócios. É usual que sociedades 
contratuais não tenham muitos sócios (não há vedação, mas não é comum). Normalmente, quando 
se tem um número muito expressivo de sócios, migra para o tipo institucional. 
 
Sócio é aquele que tem titularidade de cotas. Não há exigência legal de participação mínima, 
mas quando se está diante de um tipo de sociedade em que há uma participação muito expressiva de 
um e participação inexpressiva de outro, normalmente envolve confusão patrimonial \u2013 não 
necessariamente existirá fraude, mas normalmente acontece. 
 
Registrada a sociedade com dois sócios, caso um deles se retire, a sociedade passará a ser 
totalmente de apenas um sócio, ensejando a ausência de um dos requisitos, ou seja, não haverá a 
pluralidade requerida. 
 
O Código Civil, no seu art. 1033, IV, estabelece a unipessoalidade incidental temporária \u2013 
exceção que se aplica ao caso em tela, permitindo a possibilidade de a sociedade ficar com apenas 
um sócio até um prazo de 180 dias \u2013 Princípio da Preservação da Sociedade. 
 
Se no prazo de 180 dias, o sócio remanescente conseguir convencer alguém a entrar 
formalmente na sociedade, bastará realizar a alteração do contrato e registro na junta comercial. 
Resgatada a sociedade, findo o problema \u2013 volta respeitar o requisito da pluralidade. 
 
Caso não consiga resgatar a pluralidade de sócios, passados os 180 dias, haverá dissolução 
obrigatória da sociedade. 
 
Se o sócio remanescente não promover a dissolução, esta sociedade passa à condição de 
sociedade em comum (sociedade irregular superveniente) \u2013 caso em que o sócio responderá 
ilimitadamente. 
 
Disto conclui-se que, dentro dos 180 dias, a pessoa jurídica existe, o fato de estar com apenas 1 
sócio, continua respondendo como sócio. Passado o período permitido, haverá, obrigatoriamente a 
dissolução da sociedade e o sócio responderá de forma ilimitada, ou seja, o sócio passa a ser 
responsável, como se fosse pessoa física. 
 
 
 
 
 
 
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Cláusulas do Contrato Social 
 
O contrato social deve expressar o ajuste de vontade das partes contratantes, expresso por 
intermédio das cláusulas do contrato social. 
 
No sistema brasileiro, as sociedades estão previstas de forma taxativa. Assim, têm-se algumas 
cláusulas sociais que são impostas pela lei. 
 
Os sócios não podem dispor contra a lei, algumas cláusulas são obrigatórias ou essenciais e 
outras cláusulas facultativas ou acidentais: 
 
\ufffd Cláusulas obrigatórias do Contrato Social 
 
Cláusulas obrigatórias são as cláusulas que representam requisito para registro do contrato. 
Assim, diante da ausência de uma cláusula obrigatória, a junta comercial negará o registro do 
contrato. Portanto, a cláusula deve constar do contrato como condição para registro. 
 
Tecnicamente, estas cláusulas estão enumeradas no artigo 53, do decreto 1.800/96, que 
regulamenta a lei do registro de empresas 8.934/94. Para fins de prova, pode-se estudar a 
enumeração do artigo 997, do Código Civil (regulamenta o registro no cartório). 
 
Devem ser cláusulas obrigatórias aquelas que representam os pontos essenciais de uma 
relação jurídica: 
 
1. Cláusula definidora do tipo societário 
 
2. Cláusula que indica o nome empresarial a ser utilizado 
 
3. Cláusula definidora do objeto social, ou seja, a que define a atividade que a pessoa jurídica 
explorará (o contrato deverá descrever de forma precisa e detalhada o seu objeto social \u2013 
pautará a análise do desvio de finalidade, quando da desconsideração da pessoa jurídica; 
definirá o regime tributário, etc.) 
 
4. Cláusula de identificação do local do estabelecimento, identificação da sede e das filiais 
 
5. Identificação dos Sócios 
 
6. Cláusula que identifique o capital social 
 
7. Cláusula que distribui o capital entre os sócios e que define a integralização (forma e prazos 
de integralização). 
 
8. Cláusula que estabelece o prazo de duração da sociedade, que pode ser determinado ou 
indeterminado. 
 
\ufffd Cláusulas facultativas 
 
São as cláusulas que não são requisitos para o registro; são inseridas no contrato por opção dos 
sócios. Presentes ou ausentes, não impedem o seu registro na junta comercial. 
 
 
 
 
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Exemplos de cláusulas facultativas: 
 
1. Cláusula que estabeleça arbitragem 
 
2. Cláusula que defini distribuição diferenciada dos lucros 
 
3. Cláusula que estabelece anuência prévia para o ingresso dos sucessores. 
 
Registrado o contrato, poderá ser alterado, desde que respeitadas as