Direito_Penal_Geral
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Paulo alega ter agido 
em legítima defesa. Pergunta-se: Procede a alegação de legítima defesa? Justifique, 
detalhadamente, a sua resposta, abordando todos os aspectos jurídicos da questão. 
(OAB-MG Exame de Ordem, Março / 2004) 
V \u2013 A doutrina penal mais moderna exige no tocante à caracterização das causas 
de exclusão da antijuridicidade a ocorrência dos chamados elementos subjetivos de 
justificação. Como se manifestam esses elementos na legítima defesa e no estado de 
necessidade? (1º Concurso para Juiz Federal Substituto \u2013 TRF \u2013 DF) 
8.5. BIBlIografIa oBrIgatórIa 
PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. 5ª ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2005, p. 392-417. 
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. Parte Geral. 10ª ed. 
São Paulo: Saraiva, 2006, p. 363-405. 
FRAGOSO, Heleno Cláudio. Lições de Direito Penal. Parte Geral. At. Fernando 
Fragoso. 16ª ed., Rio de Janeiro: Forense, p. 221-237. 
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8.6. BIBlIografIa Complementar 
ZAFFARONI, Eugenio Raul. Derecho Penal Parte General. Buenos Aires: Ediar. 
Segunda parte, teoria do delito. Segunda Parte, capítulo XIX. 
TOLEDO, Francisco de Assis. Ilicitude penal e suas causas de exclusão. Rio de 
Janeiro: Forense, 1984. 
COSTA JR., Heitor. Estrito cumprimento do dever legal. Revista de Direito Penal. 
Rio de Janeiro: Forense, v. 19/20. 
aUla 9 e 10 exclUSÃo da ilicitUde
Ilicitude 
1. Conceito: contrariedade de um fato com o ordenamento jurídico.
2. Aspectos:
a) ilicitude formal: contradição entre a conduta e a norma penal;
b) material: lesão, ou perigo de lesão de bens jurídicos.
Causas de justificação
1. Conceito: são causas de exclusão da ilicitude de uma conduta.
2. Elementos:
a) objetivos;
b) subjetivos: direção de vontade positivamente valorada.
3. Enumeração (art. 23, CP):
a) estado de necessidade;
b) legítima defesa;
c) estrito cumprimento de dever legal;
d) exercício regular de direito.
Estado de necessidade 
1. Conceito: art. 24, caput, CP.
2. Fundamento: necessidade de defesa de bens jurídicos.
3. Teorias:
a) teoria unitária: prevê o estado de necessidade unicamente como justificante;
b) teoria diferenciadora objetiva: colisão entre bens jurídicos de igual ou maior valor exclui 
a culpabilidade, enquanto que o sacrifício de bem de menor valor exclui a ilicitude.
4. Requisitos:
4.1. Objetivos: a) perigo atual e inevitável; b) direito próprio ou alheio; c) não provocado 
pela vontade de agente; d) inexistência do dever de enfrentar o perigo (art. 24, § 1.º, CP).
4.2. Subjetivo: ciência da situação fática e vontade de salvar.
Legítima defesa 
1. Conceito: art. 25, CP.
2. Fundamento: defesa de bens jurídicos e do ordenamento jurídico.
3. Requisitos:
3.1. Objetivos: a) agressão atual ou iminente e injustiça; b)direito próprio ou alheio; c) 
meios necessários, empregados com moderação.
3.2. Subjetivo: conhecimento da agressão e vontade de defesa.
Estrito cumprimento de 
dever legal
1. Conceito: cumprimento de determinado pelo direito- logo, há licitude da conduta.
2. Requisitos:
2.1.Objetivo: cumprimento nos limites do imposto pela mesma.
2.2.Subjetivo: conhecimento do dever e vontade de cumpri-lo.
Exercício regular de direito
1. Conceito: exercício de faculdade de acordo com o direito, o que implica na licitude da 
conduta.
2. Requisitos:
2.1. Objetivo: atuação efetiva no exercício regular de direito.
2.2. Subjetivo: conhecimento do direito e vontade de exercitá-lo. 
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Consentimento do ofen-
dido
1. Conceito: aquiescência do titular do bem jurídico que dele pode dispor.
2. Funções:
2.1. Causa de atipicidade da ação: Dissenso do titular do bem jurídico pertence ao tipo.
2.2. Causa de justificação: titular do bem jurídico é pessoa que dele pode dipor.
3. fundamento: princípio da ponderação de valores.
4. Requisitos:
4.1. Objetivos: a) capacidade de consentir; b)anterioridade do consentimento; c)atuação 
nos limites do consentido.
4.2. Subjetivo: ciência do consenso e vontade de atuar. 
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9. aUla 11: cUlpabilidade / impUtabilidade 
9.1. Introdução 
O último dos elementos do crime é a culpabilidade. Historicamente a mesma era 
tida como a única ligação existente entre o crime e seu autor, o único traço subjetivo 
em face da tipicidade e antijuridicidade puramente objetivas (naturalismo). Poste-
riormente deixou de ter essa perspectiva meramente psicológica para adquirir traços 
essencialmente mais normativos. Isso se dá com a inicial retirada do dolo e da culpa 
e suas transferências para a tipicidade. Substancialmente isso implica numa modifi-
cação do conceito de culpabilidade que passa a ter o sentido de reprovabilidade. 
Em síntese, a culpabilidade passa a ser um juízo de reprovação realizado sobre o 
autor por meio do crime. Isso ocorre uma vez que a reprovação se dá sobre o autor, 
mas não pelo que ele é, mas sim pelo que ele faz. Tal ressalva torna-se importante 
como forma de afastar-se o Direito Penal de Autor, no qual incriminações podem 
recair sobre meros estados de consciência crenças etc..., para o Direito Penal do fato, 
onde a obra do autor é que deve ser inicialmente referenciada. Isso não quer dizer 
que a figura do autor não seja importante. Ao contrário, o imputado, e o conhe-
cimento que se deve ter sobre a sua figura, guarda grande importância dentro da 
dogmática penal, sendo certo que o crime não pode ser compreendido sem a figura 
do seu autor. 
Mas, sendo entendida a culpabilidade como juízo de reprovação realizado sobre 
o agente por meio do fato, algumas perguntas se colocam: é razoável reprovar-se da 
mesma maneira pessoas distintas que tenham praticado o mesmo crime? Qualquer 
um pode ser reprovado? Que critérios devem ser adotados para que alguém possa 
ser reprovado? 
9.2. o Caso 
Carla e a bombeiro 
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9.3. JurIsprudênCIa 
HABEAS-CORPUS \u2013 PROVA \u2013 CONDENAÇÃO. O habeas-corpus não é 
meio hábil ao revolvimento da prova com o objetivo de declará-la insuficiente a con-
denação. EMBRIAGUEZ \u2013 ISENÇÃO DE PENA \u2013 SUFICIÊNCIA. A embriaguez 
que isenta o agente de pena e aquela decorrente de caso fortuito ou força maior que, 
mostrando-se completa, revela que ao tempo da ação ou da omissão era ele inteira-
mente incapaz de entender o caráter ilícito do fato, ou de determinar-se de acordo 
com esse entendimento. PROVA \u2013 DELAÇÃO \u2013 CO-RÉU \u2013 EFICÁCIA. A delação 
levada a efeito por co-réu não respalda, por si só, decreto condenatório. A valia de tal 
procedimento pressupõe contexto que evidencie a sinceridade do depoimento. 
(HC 71803 / RS \u2013 RIO GRANDE DO SUL HABEAS CORPUS Relator(a): 
Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 08/11/1994 Órgão Julgador: SEGUNDA 
TURMA; STF \u2013 Publicação: DJ 17-02-1995 PP- 02746) 
PENAL. PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. INCIDENTE DE IN-
SANIDADE MENTAL. SUBSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBER-
DADE POR MEDIDA DE SEGURANÇA CONSISTENTE NA INTERNAÇÃO 
DO RÉU EM HOSPITAL DE CUSTÓDIA E TRATAMENTO PSIQUIÁTRI-
CO. REFORMATIO IN PEJUS. SEMI-IMPUTABILIDADE DO RÉU. REDU-
ÇÃO DA PENA. I. \u2013 Não constitui nulidade o fato de o juiz monocrático não haver 
determinado a instauração de incidente de insanidade mental, notadamente se a 
defesa não alegou ser o réu portador de doença mental. II. \u2013 Não tendo o Ministé-
rio Público recorrido da sentença, constitui reformatio in pejus a substituição pelo 
Tribunal da pena privativa de liberdade, em regime aberto, por medida de segurança