Direito_Penal_Geral
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\u2013 2ª fase) 
II \u2013 Caio foi denunciado pelo órgão do Ministério Público como incurso nas penas 
do artigo 168, CP, porque recebera do furtador Tício o encargo de vender as jóias 
subtraídas da residência de Semprônio, tendo delas se apoderado para o seu uso 
pessoal. Caio é primário com bons antecedentes, respondendo a ação penal em li-
berdade. Indaga-se: Julgando procedente a pretensão punitiva, qual a resposta penal 
adequada? 
(TJ \u2013 RJ, XXI Concurso para Magistratura / 1994) 
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14.5. BIBlIografIa oBrIgatórIa 
PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. 5ª ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2005, p. 607-662. 
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. Parte Geral. 10ª ed. 
São Paulo: Saraiva, 2006, p. 588-650 e 673-696. 
FRAGOSO, Heleno Cláudio. Lições de Direito Penal. Parte Geral. At. Fernando 
Fragoso. 16ª ed., Rio de Janeiro: Forense, p. 379-402. 
14.6. BIBlIografIa Complementar 
GOMES, Luiz Flávio. Penas e medidas alternativas à prisão. São Paulo: RT, 
1999. 
SHECAIRA, Sérgio Salomão. Prestação de serviços à comunidade: alternativa à 
pena privativa de liberdade. São Paulo: Saraiva, 1993. 
PRADO, Luiz Regis. Multa penal: doutrina e jurisprudência. 2 ed. São Paulo: RT, 
1993. 
aUlaS 16 e 17 penaS reStritivaS de direitoS e pena de mUlta
Espécies 
a) prestação pecuniária;
b) perda de bens de valores;
c) prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas;
d) interdição temporária de direitos; 
e) limitação de fim de semana (art. 43, CP).
Prestação de serviços 
à comunidade ou a 
entidades públicas 
 Atribuição de tarefas gratuitas ao condenado em entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfana-
tos e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários. 
Ou estatais, conforme suas aptidões, à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas 
de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho (art. 46, §§ 1.º 2.º e 3.º, CP). 
Interdição temporária 
de direitos 
Proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública ou mandato eletivo; a proibição do 
exercício de profissão, atividade ou oficio que dependam de habilitação especial, de licença ou 
autorização do poder público; suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir um veículo e 
proibição de freqüentar determinados lugares (art. 47, CP).
Limitação de fim de 
semana
Permanência do condenado, aos sábados e domingos, por cinco horas diárias, em casa de alberga-
do ou outro estabelecimento adequado, período em que lhe serão ministrados cursos e palestras 
ou atribuídas atividades educativas (art. 48, CP).
Substituição
1. Requisitos objetivos (art. 44, I):
a) pena privativa de liberdade aplicada não superior a quatro anãos, desde que o crime não 
tenha sido cometido com violência ou grave ameaça à pessoa; ou
b) condenação por criem culposo.]
2. Requisitos subjetivos (art. 44, II e III):
a) não-reincidência em crime doloso, salvo o disposto no § 3.º; 
b) culpabilidade, antecedentes, conduta social e personalidade, bem como motivos e circun-
stâncias que indiquem a substituição.
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Conversão
1. Requisitos para conversão da pena privativa de liberdade em restritiva de direitos no curso da 
execução (art. 180, LEP):
a) pena privativa de liberdade igual ou inferior a dois anos;
b) cumprimento da pena em regime aberto; 
c) cumprimento de pelo menos um quarto da pena;
d) antecedentes e personalidade indicadoras de conversão.
2. Conversão da pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade (art. 44, §§ 4.º e 5.º CP):
a) obrigatória: descumprimento injustificado da restrição imposta;
b) facultativa: superveniência de condenação a pena privativa de liberdade por outro crime.
No cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena 
restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão.
pena de mUlta
Conceito Pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa (art. 49, caput, CP).
Natureza jurídica 
Sanção penal (arts. 5.º, XLVI, c, CF; 32, III, CP), submetida irrestritamente aos princípios de 
legalidade, da culpabilidade, da individualização, da personalidade e do devido processo 
judicial.
Sistema de comina-
ção da multa penal
Dias- multa: a pena de multa resulta da multiplicação do número de dias-multa (unidade 
artificial) \u2013 fixados segundo a gravidade da infração \u2013 pela cifra que representa a taxa 
diária (importância em dinheiro), variável de acordo com a situação econômica do con-
denado.
A pena de multa no 
ordenamento jurídi-
co-penal brasileiro
1. Fixação dos dias-multa:
a) determinação do número de dias-multa, entre o mínimo de 10 e o máximo de 360 
(art. 49, caput, CP), observada gravidade do fato e a culpabilidade do autor;]
b) estipulação do valor do dia-multa, segundo as condições econômicas do réu (art. 
60, caput, CP), não podendo aquele ser inferior a um trigésimo do maior salário 
mínimo mensal vigente ao tempo do fato, nem superior a 5 vezes esse salário (art. 49, 
§ 1.º, CP).
2. Aumento da pena de multa: possibilidade de aumento da multa até o triplo, consid-
erando o juiz que, em virtude da situação econômica do réu, é ineficaz, embora aplicada 
no máximo (art. 60, § 1.º, CP).
3. Correção monetária: cabível a partir da data do trânsito em julgado da sentença con-
denatória, subordina-se aos índices estabelecidos para toda e qualquer dívida ativa da 
Fazenda Pública.
4. Pagamento: dentro de 10 dias depois do trânsito em julgado da sentença. Admissível a 
cobrança da multa mediante desconto no vencimento ou salário do condenado (cf. art. 
50, §§ 1.º e 2.º, CP), assim como o pagamento parcelado e em prestações sucessivas, de 
modo excepcional (art. 50, caput).
5. Suspensão da execução: permitida na hipótese de superveniência de doença mental ao 
condenado (art. 52, CP).
Multa penal e pena 
privativa de liberdade 
de curta duração
Multa substitutiva: pena privativa de liberdade igual ou inferior a um ano pode ser substi-
tuída pela de multa, observados os critérios do artigo 44, II e III, do CP (art. 44, § 2.º, do CP, 
com redação dada pela Lei 9.714/1998).
A pena de multa em 
face da Lei 9.268/96
a) extinção da conversibilidade da multa em detenção;
b) consideração da multa como dívida de valor, após o transito em julgado da sentença 
condenatória, aplicando-se-lhe as normas da legislação relativa à dívida ativa da Fazenda 
Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição (art. 
51);
c) necessidade de notificação do condenado para que, dentro do prazo de 10 dias, efetue 
o pagamento integral ou parcelado da multa, ou proceda ao desconto de seu valor no seu 
vencimento ou salário (arts. 50, caput e § 1.º, CP;168 e 169, LEP);
d) remessa da certidão da sentença condenatória transitada em julgado e da notificação \u2013 
sem resposta \u2013 do condenado, à Procuradoria da Fazenda Pública para inscrição da dívida 
e conseqüente execução fiscal;
e) aplicação do prazo prescricional do artigo 114 do CP à execução da pena de multa.
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15. aUla 18: execUÇÃo penal 
15.1. Introdução 
O estudo da pena privativa de liberdade, em que pesem todas as críticas que a ela 
possam ser feitas, implica num criterioso exame que demanda cuidado em todas as 
suas fases. Isto porque, a pena privativa de liberdade não pode ser cominada, aplica-
da nem sequer executada se não for a ideal para aquele caso, daquele sujeito. Assim, 
verifica-se que a individualização da pena é princípio fundamental, que encontra 
abrigo inclusive no texto da Constituição Federal4, no que toca não só a aplicação 
mas também a cominação e execução da pena privativa de liberdade. É verdade que 
esta pode ser estendida a toda