Direito_Penal_Geral
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DisciplinaDireito Penal II15.242 materiais314.363 seguidores
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\u201cHABEAS CORPUS\u201d \u2013 PORTE DE ARMA DE FOGO \u2013 CONCURSO MA-
TERIAL COM O DELITO DE QUADRILHA ARMADA (CP, ART. 288, PA-
RÁGRAFO ÚNICO) \u2013 CRIMES QUE POSSUEM AUTONOMIA JURÍDICA 
\u2013 INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO DE DEPENDÊNCIA OU DE SUBORDI-
NAÇÃO ENTRE TAIS ESPÉCIES DELITUOSAS \u2013 INAPLICABILIDADE DO 
PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO \u2013 INOCORRÊNCIA DE CONFLITO APA-
RENTE DE NORMAS \u2013 PEDIDO INDEFERIDO. \u2013 A prática dos delitos de 
quadrilha ou bando armado e de porte ilegal de armas faz instaurar típica hipótese 
caracterizadora de concurso material de crimes, eis que as infrações penais tipifica-
das no parágrafo único do art. 288 do Código Penal e no art. 10, § 2º, da Lei nº 
9.437/97, por se revestirem de autonomia jurídica e por tutelarem bens jurídicos 
diversos (a paz pública, de um lado, e a incolumidade pública, de outro), impedem a 
aplicação, a tais ilícitos, do princípio da consunção (\u201cmajor absorbet minorem\u201d). 
(RHC 83447 / SP \u2013 SÃO PAULO RECURSO EM HABEAS CORPUS 
Relator(a): Min. CELSO DE MELLO Julgamento: 17/02/2004 Órgão Julgador: 
Segunda Turma; STF \u2013 Publicação: DJ 26-11-2004 PP-00035) 
RECURSO ESPECIAL. PENAL E PROCESSO PENAL. ABERRATIO IC-
TUS. CONCURSO FORMAL DE DELITOS. PENA. 
\u201cHipótese em que se atingiu não só a pessoa visada como também terceiro, por 
erro de execução. Regência da espécie pela disciplina do concurso formal.\u201d (Prece-
dente do Supremo Tribunal Federal \u2013 HC 62655/BA, DJ de 07/07/85, Rel. Min. 
Francisco Rezek) \u201cSe por erro de execução, o agente atingiu não só a pessoa visada, 
mas também terceira pessoa, aplica-se o concurso formal.\u201d (STF: RT 598/420) Re-
curso conhecido e provido. 
(REsp 439.058/DF, Rel. Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, QUIN-
TA TURMA; STJ, julgado em 13.05.2003, DJ 09.06.2003 p. 288) 
CRIMINAL. RESP. USURPAÇÃO DE FUNÇÃO PÚBLICA. CONCURSO 
DE AGENTES. 
POSSIBILIDADE. RECURSO PROVIDO. 
I. Hipótese em que funcionários de uma copiadora utilizavam carimbos de auten-
ticação pertencentes ao 4º Ofício de Notas de Brasília/DF \u2013 fornecidos pelo próprio 
Tabelião \u2013, em cópias de documentos, encaminhando-as, posteriormente, ao cartó-
rio, para a aposição de assinaturas por escreventes autorizados. 
II. O ora denunciado, embora não tenha praticado qualquer ato executório, con-
correu de algum modo para a realização do crime, razão pela qual é forçoso reconhe-
cer a figura do concurso de pessoas no presente caso. 
III. Recurso provido, nos termos do voto do Relator. 
(REsp 688.339/DF, Rel. Ministro GILSON DIPP, QUINTA TURMA; STJ, jul-
gado em 19.04.2005, DJ 16.05.2005 p. 396) 
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17.4. Questões de ConCurso 
I \u2013 Analise a situação jurídico-penal de seu cliente que, por desvio de trajetória do 
projétil, além de atingir a pessoa a quem não visava, ferindo-a, atinge também a pes-
soa a quem realmente pretendia ofender, matando-a. (OAB-MG Exame de Ordem, 
Agosto / 2005) 
II \u2013 JORGE, agente penitenciário, em revide à punição que lhe foi aplicada por seu 
chefe, resolve matá-lo. Com tal finalidade, coloca veneno na refeição que a ele seria 
servida. Ocorre, no entanto, que, ausentando-se do refeitório, disso se aproveitam 
três presos para subtraírem a refeição e consumi-la, do que decorre a morte dos 
três. 
Na qualidade de Promotor de Justiça, emita análise penal sobre a conduta de JOR-
GE. 
(MP \u2013 RJ, XXIII Concurso para ingresso na classe inicial da carreira do Minis-
tério Público) 
III \u2013 Mévio, empregado de oficina mecânica, dedicava-se a descansar, em seu horá-
rio de almoço, em uma praça, muito movimentada, distante alguns quarteirões de 
seu local de trabalho. Em certa oportunidade, ao ver passar determinada mulher, 
valendo-se de um canivete que portava, constrangeu-a a acompanhá-lo a um pré-
dio abandonado nas imediações, e ali manteve com a vítima conjunção carnal sob 
grave ameaça, liberando-a a seguir. A mesma conduta repetiu-se, sempre à hora do 
almoço e no mesmo local movimentado, em cinco outras ocasiões, com mulheres 
diferentes, no curso de três meses, sendo que, com as duas últimas, praticou apenas 
atos libidinosos diversos da conjunção carnal. Mévio foi preso em flagrante, logo 
após a prática de novo atentado violento ao pudor, nas mesmas condições anterio-
res, desta feita contra um rapaz de 22 anos, ocasião em que foi identificado pelas 
demais vítimas. Tipifique a conduta de Mévio, e discorra sobre a eventual existência 
de concurso de crimes. 
(MP \u2013 RJ, XX Concurso para ingresso na classe inicial da carreira do Ministério 
Público) 
IV \u2013 João, usando revólver, dispara um tiro contra Pedro, com a intenção de matá-
lo. Tal ação pode ter os seguintes desdobramentos: 
1°) mata Antônio, que passava pelo local; 
2°) atinge Antônio, que fica apenas ferido; 
3º) atinge Pedro e Antônio, ferindo-os; 
4°) atinge Pedro e Antônio, matando-os; 
5º) mata Pedro e fere Antônio. 
Diante do enunciado, responda as seguintes indagações:
1) Qual a denominação latina do instituto penal em que o sujeito, pretendendo 
atingir fisicamente uma pessoa, ofende outra? 
2) Nesta situação, o sujeito fica isento de pena? 
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3) Em cada um dos exemplos, qual a responsabilidade penal de João? 
4) E se João, prevendo a possibilidade de, errando o alvo, vier a atingir Antônio, 
ferindo-o ou matando-o, aquiesce na produção desses resultados? 
Explique sucintamente. 
(XLII Concurso para ingresso à carreira do Ministério Público; Promotor \u2013 
RS) 
17.5. BIBlIografIa oBrIgatórIa 
PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. 5ª ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2005, p. 507-515. 
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. Parte Geral. 10ª ed. 
São Paulo: Saraiva, 2006, p. 717-730. 
FRAGOSO, Heleno Cláudio. Lições de Direito Penal. Parte Geral. At. Fernando 
Fragoso. 16ª ed., Rio de Janeiro: Forense, p. 439-450. 
17.6. BIBlIografIa Complementar 
ZAFFARONI, Eugenio Raul. Derecho Penal Parte General. Buenos Aires: Ediar. 
Segunda parte, teoria do delito. Segunda Parte, capítulo XXVI. 
MUÑOZ CONDE, Francisco. Teoria Geral do delito. Trad. Juarez Tavares e Luis 
Regis Prado. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris, 1988. 
aUla 21 concUrSo de delitoS
Sistemas de aplicação 
a) cúmulo material: soma integral das penas dos delitos; 
b) absorção: aplicação da pena do delito mais grave e absorção da pena do delito menos grave;
c) cúmulo jurídico: aplicação de pena superior à cominada para cada delito, sem contido soma-las;
d) exasperação: pena do delito, mais grave aumentada de determinda quantum.
Concurso material
1. Conceito: dois ou mais crimes praticados mediante mais de uma conduta.
2. Espécies:
a) homogêneo: crimes idênticos;
b) heterogêneo: crimes diversos.
Concurso formal
1. Conceito: dois ou mais crimes praticados mediante uma só conduta.
2. Espécies:
a) próprio: unidade de comportamento e unidade interna da vontade;
b) impróprio: unidade de comportamento e multiplicidade de desígnios.
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Crime continuado
1. Conceito do art. 71, CP.
2. Natureza jurídica:
a) teoria da unidade real: unidade de intenção que reflete na unidade de lesão;
b) teoria de ficção jurídica: unidade delitiva como criação da lei;
c) teoria da unidade jurídica ou mista: unidade de crimes como realidade jurídica e não mera 
ficção.
3. Teorias:
a) teoria subjetiva: consideração da unidade de desígnio (elemento subjetivo);
b) teoria objetivo-subjetiva: exigência de requisitos objetivos e de unidades de desígnio;
c) teoria objetiva: desconsideração do elemento subjetivo e relevância das condições objetivas.
4. Requisitos:
a) pluralidade de condutas;
b) pluralidade de crimes da mesma espécie;
c) circunstâncias semelhantes.
5. Crime continuado especifico: art.71, § único, CP.
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18. aUla 22: SUSpenSÃo condicional da pena, do proceSSo,