Direito_Penal_Geral
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DisciplinaDireito Penal II15.208 materiais314.087 seguidores
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a fraude 
mercantil e para as especulações abusivas. Ainda, na decretação da falência, 
a tutela penal é meio eficaz de coibir os abusos sobre as garantias do crédito 
mercantil. 
enciclopédia das ciências penais
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2. aUlaS 2 e 3: FonteS do direito penal e SUa relaÇÃo com oUtraS 
diSciplinaS jUrídicaS; princípioS conStitUcionaiS e direito penal 
2.1. Introdução 
É de se observar que o Direito Penal, assim como todo e qualquer ramo do Di-
reito, deve ser entendido a partir dos seus princípios. Além de facilitar o raciocínio 
do operador, inegavelmente estes permitem realizar aquela que talvez seja a grande 
missão do Direito Penal. Isto porque, nunca é demais repetir, permitem poder dife-
renciar Direito Penal, enquanto disciplina, e o poder de punir. O exercício de poder 
punitivo nas mãos do Estado ocorre por edição de uma série de normas de natureza 
criminal. Ao editar tais normas, o legislador, a princípio, encontraria-se livre de 
quaisquer amarras, podendo arbitrariamente determinar as incriminações que bem 
desejasse. Os princípios fundamentais do Direito Penal vêm socorrer não só o opera-
dor do Direito (juiz, promotor, advogado, professor, estudante etc...), mas também 
o próprio legislador, ao instituir parâmetros a serem seguidos desde a elaboração da 
norma penal até sua execução. 
Assim, não é de se espantar a denominação que costuma-se conferir a tais prin-
cípios não só como princípios fundamentais do Direito Penal, mas também como 
princípios limitadores do Poder Punitivo. 
Há de se destacar, que majoritariamente costuma-se conferir a estes um conteúdo 
meramente programático, a exceção daqueles que contém base normativa. Mesmo 
assim, observa-se a sua importância como vetor interpretativo na solução dos con-
flitos de natureza penal. 
Contudo, o Direito Penal não resta isolado em sua torre de marfim do ordena-
mento jurídico. A sua autonomia não é afetada pela interdependência que este man-
tém com um sem número de disciplinas jurídicas que não só auxiliam a sua concre-
tização, mas também permitem uma melhor compreensão do fenômeno criminal. 
Assim, que princípios podem se extrair do caso que ora se apresenta? 
2.2. o Caso 
HC nº 84.412-sp (furto de r$ 25,00 praticado por jovem desempregado) 
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2.3. JurIsprudênCIa 
HABEAS CORPUS. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE 
JUSTA CAUSA EVIDENCIADA DE PLANO. PRINCÍPIO DA INSIGNIFI-
CÂNCIA. APLICABILIDADE. FURTO DE PEQUENO VALOR TENTADO. 
BEM SUBTRAÍDO. PANELA DE PRESSÃO. 
1. O pequeno valor da res furtiva não se traduz, automaticamente, na aplicação 
do princípio da insignificância. Há que se conjugar a importância do objeto material 
para a vítima, levando-se em consideração a sua condição econômica, o valor sen-
timental do bem, como também as circunstâncias e o resultado do crime, tudo de 
modo a determinar, subjetivamente, se houve relevante lesão. 
2. Consoante se constata dos termos da peça acusatória, o valor da res furtiva 
pode ser considerado ínfimo, tendo em vista, outrossim, as condições econômicas da 
vítima. Além disso, o fato não lhe causou qualquer conseqüência danosa, uma vez 
que a Paciente foi presa em flagrante antes de consumar o delito, de posse da coisa, 
justificando, assim, a aplicação do Princípio da Insignificância ou da Bagatela, ante a 
falta de justa causa para a ação penal. Precedentes. 
3. Vislumbra-se, na hipótese, verdadeira inconveniência de se movimentar o Po-
der Judiciário já tão assoberbado na tutela de bens jurídicos mais gravemente lesa-
dos. 
4. Ordem concedida para determinar o trancamento da ação penal por falta de 
justa causa. (HC 36947 / SP ; HABEAS CORPUS 2004/0101974-7 Relatora:Mi-
nistra LAURITA VAZ; Órgão Julgador: QUINTA TURMA STJ) 
RECURSO ESPECIAL. PENAL. FURTO QUALIFICADO PELO CONCUR-
SO DE AGENTES. VIOLAÇÃO AO ART. 155, § 4º, INC. IV, DO CÓDIGO PE-
NAL RECONHECIDA. APLICAÇÃO DA CAUSA DE AUMENTO DE PENA 
PREVISTA PARA O ROUBO PRATICADO EM CONCURSO DE AGENTES. 
INADMISSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA RESERVA LEGAL. PENA AQUÉM 
DO MÍNIMO LEGAL. ATENUANTES. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 
231 DO STJ. RECURSO PROVIDO. 
1. O estatuto repressivo prevê como qualificado o furto cometido por dois ou 
mais agentes, estabelecendo no § 4º do art. 155 do Código Penal a pena de 2 (dois) 
a 8 (oito) anos como limite à resposta penal. 
2. Fere o referido dispositivo legal o decisum que, em nome dos princípios da 
proporcionalidade e da isonomia, aplica ao furto qualificado o aumento de pena pre-
visto no § 2º do art. 157 do Código Penal, haja vista que, em obediência ao princípio 
da reserva legal, não cabe ao julgador criar figuras delitivas ou aplicar penas que o 
legislador não haja determinado. 
3. \u201cA incidência de circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena 
abaixo do mínimo legal\u201d (Súmula n.º 231/STJ). 
4. Recurso provido. (REsp 755019 / RS ; RECURSO ESPECIAL 2005/0089165-
0; Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA; T5 \u2013 QUINTA TURMA; STJ, Data do 
julgamento: 06/10/2005; DJ 14.11.2005 p. 400) 
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2.4. Questões de ConCurso 
I \u2013 O Supremo Tribunal Federal, julgando RHC n1 81.057/SP, 10 Turma, rel. Min. 
Ellen Gracie, rel Acórdão Min. Sepúlveda Pertence, j. 25.5.04, DJU 29.04.05, as-Min. Sepúlveda Pertence, j. 25.5.04, DJU 29.04.05, as-
sim decidiu: 
Porte consigo de arma de fogo, no entanto, desmuniciada e sem que o agente tivesse, 
nas circunstâncias, a pronta disponibilidade de munição: inteligência do art. 10 da 
Lei nº 9437/97: Atipicidade do fato. 
Da ementa acima, observa-se que o STF levou em consideração a teoria moderna 
que dá realce aos princípios da necessidade da incriminação e da lesividade do fato 
criminoso, ainda que se trate de crime de mera conduta. Nesse contexto, comente a 
referida decisão. (Concurso para Juiz de Direito Substituto \u2013 MG / 2005) 
2.5. BIBlIografIa oBrIgatórIa 
PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. 5ª ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2005, p. 139-154. 
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. Parte Geral. 10ª ed. 
São Paulo: Saraiva, 2006, p. 13-34. 
FRAGOSO, Heleno Cláudio. Lições de Direito Penal. Parte Geral. At. Fernando 
Fragoso. 16ª ed., Rio de Janeiro: Forense, p. 17-28. 
2.6. BIBlIografIa Complementar 
ZAFFARONI, Eugenio Raul. Derecho Penal Parte General. Buenos Aires: Ediar. 
Segunda parte, teoria do delito. Capítulos III e V 
CERNICCHIARO, Luiz Vicente e COSTA JR., Paulo José da. Direito Penal na 
Constituição. 3 ed. São Paulo, RT, 1995. 
LUISI, Luiz. Os princípios constitucionais penais. Porto Alegre: Sergio Antonio 
Fabris, 1991. 
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princípio da leGalidade
Formulação Não há crime (infração penal), nem pena ou medida de segurança (sanção penal) sem prévia lei (stricto sensu).
Garantias e conseqüências 
Garantias criminal e penal \u2013 A lei formal, e tão-somente ela, é fonte criadora 
de crimes e de penas, de causas agravantes ou de medidas de segurança, 
sendo inconstitucional a utilização em seu lugar de qualquer outro ato 
normativo, do costume ou do argumento analógico