Direito_Penal_Geral
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pessoa sem estarem 
presentes a certeza da autoria e da materialidade do crime.
(Retirado de http://copodeleite.rits.org.br/apc-aa-patriciagalvao/home/noticias.
shtml?x=42)
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3.3. JurIsprudênCIa 
PENAL. CONFLITO DE LEIS PENAIS NO TEMPO. NOVATIO LEGIS IN 
PEJUS. APLICAÇÃO DA LEI VIGENTE AO TEMPO DOS FATOS. MAIS BE-
NÉFICA. 
1 \u2013 Se a lei nova entra em vigor no decorrer do processo, agravando a pena de 
quem praticara conduta delituosa descrita no anterior diploma legal, inexiste abolitio 
criminis, mas novatio legis in pejus, conflito de leis penais no tempo, que se resolve 
pela aplicação da lei mais benéfica, vigente ao tempo dos fatos, em obediência ao 
princípio tempus regit actum. 
2 \u2013 Ordem denegada. 
(HC 12.370/RS, Rel. Ministro FERNANDO GONÇALVES, SEXTA TURMA; 
STJ, julgado em 13.02.2001, DJ 12.03.2001 p. 177) 
RHC. PROCESSUAL PENAL. HOMICÍDIO QUALIFICADO. PRONÚN-
CIA. IMPOSSIBILIDADE DE SUSPENSÃO DO PROCESSO NOS TERMOS 
DO ARTIGO 366 DO CPP. FATO ANTERIOR À LEI 9.217/1996. PRISÃO 
QUE DECORRE DA SENTENÇA DE PRONÚNCIA. RÉU NÃO ENCON-
TRADO NO ENDEREÇO CONSTANTE DO INQUÉRITO POLICIAL. CI-
TAÇÃO POR EDITAL. REGULARIDADE. 
\u201cNa hipótese dos autos, a novatio legis prevê, além da suspensão do processo, a 
suspensão do prazo prescricional, sendo prejudicial ao réu. Em situações tais, desca-
be a retroatividade da lei penal in pejus para alcançar infração penal cometida em 
momento anterior a sua vigência.\u201d Legitimidade da citação editalícia, se esgotados 
os meios disponíveis para a localização do réu. Precedentes desta Corte e do Excelso 
Pretório. 
\u201cO recorrente, preso preventivamente, foi pronunciado, mantendo-se seu encar-
ceramento. Diante da sentença de pronúncia, a sua custódia, que era da preventiva, 
passou a ser conseqüência natural da sentença de pronúncia. Precedentes.\u201d Recurso 
desprovido. 
(RHC 17.838/SP, Rel. Ministro JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, QUINTA 
TURMA; STJ, julgado em 13.09.2005, DJ 03.10.2005 p. 288) 
PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. APLICAÇÃO DA LEI BRASI-
LEIRA. COMPETÊNCIA JURISDICIONAL. CRIME INICIADO EM TERRI-
TÓRIO NACIONAL. SEQÜESTRO OCORRIDO EM TERRA. IMPOSSIBI-
LIDADE DE REEXAME PROBATÓRIO. CONDUÇÃO DA VÍTIMA PARA 
TERRITÓRIO ESTRANGEIRO EM AERONAVE. PRINCÍPIO DA TERRITO-
RIALIDADE. LUGAR DO CRIME \u2013 TEORIA DA UBIQÜIDADE. IRRELE-
VÂNCIA QUANTO AO EVENTUAL PROCESSAMENTO CRIMINAL PELA 
JUSTIÇA PARAGUAIA. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA ESTADUAL. ORDEM 
DENEGADA. 
1. Aplica-se a lei brasileira ao caso, tendo em vista o princípio da territorialidade 
e a teoria da ubiqüidade consagrados na lei penal. 
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2. Consta da sentença condenatória que o início da prática delitiva ocorreu nas 
dependências do aeroporto de Tupã/SP, cuja tese contrária exigiria exame profundo 
do acervo fático-probatório, incabível em sede de habeas corpus, sendo assegurado ao 
acusado o reexame das provas quando do julgamento de recurso de apelação eventu-
almente interposto, instrumento processual adequado para tal fim. 
3. Afasta-se a competência da Justiça Federal, pela não-ocorrência de quaisquer 
das hipóteses previstas no art. 109 da Constituição Federal, mormente pela não-con-
figuração de crime cometido a bordo de aeronave. 
4. Não existe qualquer óbice legal para a eventual duplicidade de julgamento 
pelas autoridades judiciárias brasileira e paraguaia, tendo em vista a regra constante 
do art. 8º do Código Penal. 
5. Ordem denegada. 
(HC 41.892/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, QUINTA TUR-
MA; STJ, julgado em 02.06.2005, DJ 22.08.2005 p. 319) 
3.4. Questões de ConCurso 
I \u2013 Samuel, cidadão brasileiro, foi acusado da prática do delito de tráfico internacio-
nal de entorpecentes perante a Justiça francesa e brasileira. Certa feita, Samuel resol-
veu viajar para os Estados Unidos, sendo preso, face à existência de um mandado de 
prisão expedido pela Justiça francesa, sendo que, após, o Governo francês requereu 
a sua extradição para a França, onde veio a ser processado e condenado à pena de 8 
anos de reclusão. Depois de cumprir 4 anos de pena, Samuel foi beneficiado com o 
livramento condicional e expulso da França. No Brasil, em decorrência do mesmo 
fato, Samuel teve decretada a sua prisão preventiva e irá responder a ação penal. Em 
hipótese como a retratada, qual a solução que o Direito Penal oferece? 
(OAB-RJ 18º Exame de ordem \u2013 2ª fase) 
II \u2013 Processado pela prática de determinada infração penal, surge, no decorrer do 
processo, Lei Processual nova a implicar em prejuízo para o réu. Pergunta-se: Po-
deria o acusado alegar a irretroatividade da Lei Processual Penal? Existe hipótese de 
ultratividade da Lei Processual Penal? (MP \u2013 RJ, XXI Concurso para ingresso na 
classe inicial da carreira do Ministério Público)
3.5. BIBlIografIa oBrIgatórIa 
PRADO, Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. 5ª ed. São Paulo: Revista 
dos Tribunais, 2005, p. 200-213. 
BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. Parte Geral. 10ª ed. 
São Paulo: Saraiva, 2006, p. 203-246. 
FRAGOSO, Heleno Cláudio. Lições de Direito Penal. Parte Geral. At. Fernando 
Fragoso. 16ª ed., Rio de Janeiro: Forense, p. 117-168 
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TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Manual de Processo Penal. 6 ed. São 
Paulo, Saraiva, 2004, p. 37-48. 
OLIVEIRA, Eugênio Pacelli de. Curso de Processo Penal. 5 ed. Belo Horizonte: 
Del Rey, 2005, p. 13-22. 
3.6. BIBlIografIa Complementar
Aplicação da lei processual penal: TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. 
Processo Penal 1. São Paulo, Saraiva, 2001. 
FRANCO, Alberto Silva. Retroatividade penal benéfica. Revista dos Tribunais. São 
Paulo: RT, v. 589, 1984. 
LEIRIA, Antônio José Fabrício. Teoria e aplicação da lei penal. São Paulo: Saraiva, 
1981. 
aUla 4. âmbito temporal da lei penal
Irretroatividade, e retroatividade da lei 
penal favorável 
a) prevalência do princípio constitucional da irretroatividade (art. 5.º, XL, da CF);
b) vedação absoluta de retroatividade in pejus;
a) retroatividade da lei favorável (abolitio criminis, art. 2.º, CP; lex mitior, art. 
2.º, parágrafo único, CP);
b) ultratividade de lei mais benéfica; e) lei intermediaria: retroatividade da lex 
mitior e irretroatividade da lex gravior. 
Lei excepcional ou temporária e lei 
penal em branco 
a) lei excepcional ou temporária: regime específico da ultratividade gravosa (art. 
3.º, CP);
b) lei penal em branco: retroatividade de lex mitior e irreteoatividade da lex 
gravior;
c) lei pena em branco que vis aa assegurar efeito regulador das normas de 
referência; ultratividade.
Tempo do crime 
1. Teoria da ação ou da atividade; tempo do crime é momento da ação ou 
omissão.
2. Teoria do resultado ou do evento: momento do crime é aquele em que ocorreu 
o efeito.
3. Teoria mista ou unitária: tempo do crime é tanto o da ação como o do resultado.
4. Considerando que o CP adota a teoria da ação (art. 4.º), o tempo do crime será:
a) nos crimes permanentes: o tempo de sua duração;
b) nos delitos habituais: momento da caracterização da habitualidade;
c) nos crimes continuados: tempo da prática de cada ação ou omissão;
d) nos delitos omissivos: último momento em que o agente poderia realizar a 
ação obrigada ou impedri o resultado;
e) no concurso de pessoas: momento de cada uma das condutas 
individualmente consideradas. 
âmbito eSpacial da lei penal
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Princípios fundamentais
1. Principio da territorialidade: a lei penal é aplicada aos fatos praticados em 
território nacional, irrelevante a nacionalidade dos sujeitos ativo e passivo e do 
bem jurídico (art.n 5.º, caput, CP);
2. Princípio real, da defesa ou proteção de interesses: lei penal aplicável é