APOSTILA LUIS FL+üVIO GOMES
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APOSTILA LUIS FL+üVIO GOMES


DisciplinaDireito Processual Penal I22.179 materiais191.059 seguidores
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ou inequívoca manifestação da parte. Desde 1994 também é admitido o recurso por fax.
Motivação do Recurso
O recurso tem que vir acompanhado das razões, para que se permita o contraditório, ou seja, as contra-razões.
O protesto por novo júri pode ser interposto sem razões.
Em se tratando de apelação, aplica-se o Art. 601 do CPP, que dispõe que com ou sem razões o recurso será conhecido.
Preparo 
É o pagamento das custas. Só é exigido nas queixas. Em ação pública não tem preparo. 
No Estado de São Paulo há isenção total de custas, inclusive para as queixas.
Recolhimento à prisão, salvo se primário e de bons antecedentes.
Pressupostos Subjetivos dos Recursos
Interesse - tem interesse quem foi prejudicado pela decisão. O MP também pode recorrer em favor do réu, pois também atua como fiscal da lei. O MP também pode impetrar habeas corpus em favor do réu. Se o réu for absolvido, ele pode recorrer para alterar o fundamento da absolvição. Reconhecida a prescrição, não é mais possível recurso para exame do mérito. Quando se tratar de ação privada e o réu for absolvido, somente o querelante tem interesse em recorrer, sendo impossível o MP recorrer.
Legitimidade - só tem legitimidade para recorrer as partes prejudicadas. São partes: o MP, o réu, defensor do réu, e excepcionalmente a vítima (Art. 598, CPP). Em caso de crime falimentar, podem recorrer o MP, o síndico e os credores. Em crimes contra o consumidor, podem recorrer o MP ou qualquer sociedade ou associação de defesa do consumidor.
Juízo de Admissibilidade de Recurso 
É a verificação dos requisitos recursais. Se o recurso for admitido, fala-se que ele é conhecido. Se o recurso não for admitido, fala-se que ele não foi conhecido.
Esta admissibilidade é feita pelo juízo a quo e pelo juízo ad quem. O juízo de admissibilidade de 1º grau não vincula o de 2º grau. 
O juízo de admissibilidade é conhecido por juízo de prelibação. 
Diferença entre Juízo de Prelibação e Juízo de Delibação
Juízo de Prelibação é a mesma coisa que juízo de admissibilidade do recurso.
Juízo de Delibação é um juízo superficial sobre a legalidade de um ato. Exemplo: homologação de sentença estrangeira pelo STF.
Recurso Conhecido e Recurso Não Conhecido
Recurso conhecido é o recurso que preenche todos os requisitos legais.
Recurso não conhecido é o recurso que não preenche um dos requisitos legais. 
O recurso conhecido pode ser provido ou não provido. O recurso é provido quando o Tribunal admite o pedido recursal. O recurso não é provido quando o Tribunal não admite o pedido recursal.
Extinção Anormal dos Recursos
Os recursos se extinguem normalmente quando é julgado.
São causas de extinção anormal dos recursos.
Falta de preparo;
Deserção - se dá com a fuga do apelante (Art. 595, CPP). Só existe deserção na apelação.
Desistência - não se confunde com renúncia, pois a desistência pressupõe recurso já interposto e a renúncia se dá antes da interposição do recurso. 
Quanto aos recursos vigora o Princípio da Disponibilidade dos Recursos. Exceção: o Ministério Público não pode desistir do recurso interposto (Art. 576, CPP).
Regra Geral
Se o defensor desiste é preciso também ouvir o réu.
Se o acusado desiste, é preciso formalizar a desistência perante o juiz.
Divergência entre réu e advogado, prevalece a vontade de quem quer recorrer.
EFEITOS DOS RECURSOS
Evita a coisa julgada;
Efeito Devolutivo - todo recurso devolve ao órgão recursal o reexame da decisão. Esta devolução pode ser total ou parcial, dependendo do recurso;
Efeito Suspensivo. Regras:
Recurso em Sentido Estrito - em regra, não tem efeito suspensivo. Exceção: Art. 584 do CPP;
Apelação - em regra em efeito suspensivo;
Recurso Extraordinário, Especial e Recurso em Sentença Absolutória - não tem efeito suspensivo.
Efeito extensivo - o recurso só aproveita ao réu que recorreu. Rege o Princípio da Personalidade. Exceção: Art. 580 - a decisão no recurso interposto por um réu estende-se ao outro co-réu, salvo se a decisão for fundada em motivos pessoais. 
O Recurso é dirigido ao órgão competente.
Competência do Tribunal de Justiça de São Paulo
Crimes punidos com reclusão;
Tóxicos;
Crimes Falimentares;
Crimes do Júri;
Crimes de Responsabilidade de Prefeitos e Vereadores;
Crime patrimonial com resultado morte.
Competência do TACrim
Todas as infrações não punidas com reclusão;
Todos os crimes patrimoniais.
Recursos ao STJ
Ordinário - somente quando houver habeas corpus denegado;
Especial - ver capítulo posterior.
Recursos ao STF
Extraordinário - 
Ordinário: somente quando o habeas corpus é denegado em decisão única nos Tribunais Superiores e Crimes Políticos.
Delimitação Do Âmbito Do Recurso
Onde o recurso é delimitado ?
Resp.: Na petição de interposição.
Recurso de fundamentação Livre - é o caso da apelação, porque nela pode-se discutir qualquer hipótese.
Recurso de fundamentação vinculada - exemplo: recurso extraordinário e recurso especial. Estes recursos exigem uma motivação especial.
RECURSO EM SENTIDO ESTRITO
Art. 581 do CPP
O rol do Art. 581 é taxativo, porém:
esse recurso também está previsto em leis especiais;
em casos excepcionais a jurisprudência admite a analogia.
Prazo - deve ser interposto no prazo de 5 dias. Exceção: Art. 581, XIV, que tem o prazo de 20 dias.
Em regra, se processa em instrumento (autuação apartada). Excepcionalmente sobre nos autos principais (Art. 583 do CPP).
Aspectos Procedimentais
O escrivão forma o instrumento. Ele copia as principais peças dos autos.
É motivado. Tem o prazo de 2 dias para oferecer razões e 2 dias para as contra-razões. Não cabe contra-razões em 2º grau.
O juiz pode sustentar ou reformar a decisão. Se reformar, cabe novo recurso pela parte prejudicada. 
Hipóteses de Cabimento:
quando o juiz não recebe a denúncia ou queixa. Se recebe, em tese cabe Habeas Corpus. A Lei de Imprensa determina que se o juiz rejeitar a denúncia ou queixa, cabe apelação. Em caso de rejeição parcial cabe recurso em sentido estrito. 
quando o juiz se dá por incompetente. Quando o juiz se dá por competente não cabe recurso nenhum.
quando o juiz julga procedente as exceções, salvo a de suspeição.
quando o juiz pronuncia ou impronúncia o réu. Em caso de absolvição sumária cabe recurso em sentido estrito e recurso ex officio. Se o juiz desclassificar o crime, também é cabível o recurso em sentido estrito.
quando o juiz profere qualquer decisão relacionada a fiança.
quando o juiz indefere prisão preventiva. Se defere, cabe Habeas Corpus.
quando o juiz concede liberdade provisória. Se o juiz indefere a liberdade provisória cabe habeas corpus.
quando o juiz julgar extinta a punibilidade ou indeferir o pedido de extinção da punibilidade.
quando o juiz concede ou denega o habeas corpus. Da concessão de habeas corpus cabe recurso ex officio.
quando o juiz anula o processo.
quando deserta a apelação.
quando o juiz suspende o processo.
do julgamento do incidente de falsidade.
Todas as hipóteses do Art. 581 que se relacionam com execução penal cabe o agravo em execução previsto na LEP.
A vítima pode interpor Recurso em Sentido Estrito ?
Resp.: Sim, pode, nas seguintes hipóteses:
a) impronúncia;
b) extinção da punibilidade.
Nos dois casos acima, a vítima só poderá interpor o recurso se o Ministério Público não recorreu, pois é um recurso subsidiário.
APELAÇÃO
Art. 593 do CPP
A apelação permite o reexame da matéria fática e jurídica. 
Prazo - 5 dias. 
Quando é cabível ?
Art. 593, CPP - está prevista no CPP e também em leis especiais. 
Apelação contra decisão do juiz singular
Hipóteses de cabimento:
sentença condenatória ou absolutória;
decisões definitivas ou com força de definitivas das quais não caiba Recurso em Sentido Estrito. Exemplo: