APOSTILA LUIS FL+üVIO GOMES
83 pág.

APOSTILA LUIS FL+üVIO GOMES


DisciplinaDireito Processual Penal I22.261 materiais192.549 seguidores
Pré-visualização24 páginas
quando o juiz julga liminares; suspensão do Art. 89; etc.
Existe decisão definitiva não apelável ?
Resp.: Sim, existe, se dá nos casos de competência originária.
Decisão que arquiva inquérito policial não cabe recurso.
Decisão que concede reabilitação cabe apelação e recurso ex officio.
É perfeitamente possível a apelação em favor de réu revel, salvo se o juiz determinar a prisão deste para apelar. 
Apelação contra decisão do Tribunal do Júri
É uma apelação com fundamentação vinculada, porque só cabe nas hipóteses estritamente previstas em lei. 
Hipótese de cabimento:
quando houver nulidade posterior à pronúncia;
quando a sentença do juiz for contrária à lei expressa ou à decisão dos jurados;
quando houver erro ou injustiça na aplicação da pena;
quando a decisão dos jurados for manifestamente contrária às provas dos autos. Sob esse fundamento só é possível uma única apelação, seja por parte do réu, seja por parte do MP ou vítima.
Nas três primeiras hipóteses, se o Tribunal der provimento ao recurso, rescinde a decisão, isto é, o acórdão substitui a decisão. 
Na quarta e última hipótese, se o Tribunal der provimento ao recurso, ele cassa a decisão anterior e determina novo julgamento. O Tribunal não pode substituir a decisão dos jurados. Se no segundo julgamento os jurados mantiverem a decisão, respeita-se a soberania dos veredictos.
O Tribunal pode afastar qualificadora reconhecida pelo Júri ?
Resp.: Não pode. Se for o caso, o Tribunal manda a novo julgamento.
O Tribunal pode reconhecer qualificadora afastada pelo Júri ?
Resp.: Não pode, é matéria dos jurados. Se for o caso, o Tribunal manda a novo júri.
Princípio da Consunção - Art. 593, § 4º, CPP - quando for cabível a apelação, não cabe o recurso em sentido estrito.
Em caso de ação pública, pode a vítima apelar ?
Resp.: Excepcionalmente sim (Art. 598, CPP). Não importa se a vítima está habilitada ou não. É uma apelação supletiva ou subsidiária, que significa que a vítima só pode apelar se o MP não apelou. 
Se o MP apelar apenas de uma parte da sentença, a vítima pode apelar quando a outra parte.
A vítima pode apelar para agravar a pena ?
Há divergência na doutrina e jurisprudência. Predomina o entendimento positivo. 
Prazo para a vítima apelar:
vítima não habilitada - 15 dias, contados do transcurso do prazo para o MP (Súmula 448 do STF);
vítima habilitada - não se sabe se é em 5 dias ou em 15 dias, pois o tema é polêmico. Não há consenso. Na dúvida, admite-se o recurso. Se a vítima foi intimada antes do MP, o prazo conta-se do decurso do prazo para o MP apelar. Já se a vítima foi intimada depois do transcurso do prazo para o MP apelar, o prazo conta-se a partir da intimação.
Aspectos Procedimentais
O recurso é dirigido ao Tribunal, mas o juízo a quo faz o juízo de admissibilidade. SE o juiz não receber a apelação cabe recurso em sentido estrito. Se o juiz também não receber o recurso em sentido estrito, cabe carta testemunhável.
É um recurso motivado, ou seja, deve vir acompanhado de razões e contra-razões. Prazo - as razões e contra-razões devem ser apresentadas em 8 dias. Nas contravenções o prazo é de 3 dias. Se as razões e contra-razões forem apresentadas fora do prazo, é mera irregularidade, pois com ou sem razões o recurso sobe para o Tribunal (Art. 601, CPP).
As razões podem ser apresentadas em 2ª Instância (Art. 600, CPP).
Falta de contra-razões da defesa anula o processo ?
Resp.: Sim, anula.
A apelação, em regra, sobe nos autos principais (Art. 600, CPP).
Apelação em 2º Grau
Em 2º grau existe a apelação ordinária (Art. 613, CPP) e a apelação sumária.
Apelação Ordinária - vale para os crimes punidos com reclusão. Ordem procedimental:
sorteio do relator;
vistas ao MP;
vistas ao relator;
vistas ao revisor;
julgamento.
Apelação Sumária - não existe revisor. Vale para os demais crimes, ou seja, para as infrações que não sejam punidas com reclusão.
A defesa tem direito de opinar em 2º grau ? 
Resp.: Tem. Ela manifesta-se por meio de memoriais ou pode fazer sustentação oral.
A intimação da data do julgamento é indispensável (Súmula 431 do STF).
O Tribunal pode converter o julgamento em diligência. Por exemplo: quando quer ouvir testemunhas.
A decisão é proferida por maioria de votos. Em caso de empate, vale a decisão mais favorável ao réu.
Efeitos da Apelação
Efeito devolutivo - a apelação devolve ao Tribunal o conhecimento da matéria. Pode ser uma devolução total ou parcial, surgindo a apelação plena e a apelação parcial (Art. 599, CPP);
Efeito Suspensivo - se a sentença for absolutória não tem efeito suspensivo. Se a sentença for condenatória, a apelação tem efeito suspensivo, salvo no que se refere à prisão, ou seja, se o juiz mandar prender o réu, deve-se prender o réu;
A regra é o recolhimento do réu a prisão para poder apelar. 
Exceção: quando o réu tem o direito de livrar-se solto; quando presta fiança; quando for primário e de bons antecedentes.
Reformatio In Pejus - Art. 617, CPP - quando a apelação é exclusiva do réu, o Tribunal não pode agravar a sua situação.
Reformatio in pejus indireta - anulada uma sentença condenatória em recurso exclusivo do réu, pode o juiz fixar pena maior ?
Não, não pode. Se pudesse o réu estaria sendo prejudicado por um recurso dele.
Indo o réu a novo Júri, pode o juiz fixar pena maior ?
Resp.: Há polêmica. A melhor posição diz que se o Ministério Público concordou com a pena anterior, o juiz não pode aplicar pena maior, mas desde que o julgamento seja o mesmo.
Da Reformatio in Mellius - 
O Tribunal pode de ofício melhorar a situação do réu ?
Resp.: O tema é polêmico. O STF diz que não. Os demais Tribunais dizem sim. Para o concurso devemos dizer que sim, em duas hipóteses:
o Tribunal pode conceder ao réu algo mais favorável do que ele pediu;
o Tribunal pode, no recurso exclusivo da acusação, melhorar a situação do réu.
DO PROTESTO POR NOVO JÚRI
Arts. 607 e 608 do CPP
Conceito - é o pedido de novo julgamento.
Hipótese de Cabimento - cabe quando a pena por um crime for igual ou superior a 20 anos.
Tratando-se de concurso material de crimes, as penas não podem ser somadas para pedir Protesto Por Novo Júri. 
Se a pena atingir 20 anos por força de concurso formal ou crime continuado, é cabível este recurso.
Não importa se a pena for fixada em 1º ou 2º grau.
Está revogado o § 1º do Art. 607 do CPP.
Características:
é recurso exclusivo da defesa;
prazo - 5 dias, contados do julgamento;
é um recurso dirigido ao juiz Presidente do Tribunal do Júri;
não possui razões;
só é cabível uma única vez;
efeito - cassa o julgamento anterior e permite novo julgamento.
Se o juiz não recebe o Protesto Por Novo Júri, cabe Carta Testemunhável.
Em caso de crime conexo, às vezes cabe Apelação e Protesto Por Novo Júri. Nesta hipótese, a apelação aguarda o novo julgamento.
Caso o Ministério Público tenha concordado com a pena anterior, o juiz no novo julgamento não poderá fixar pena maior, desde que este julgamento seja idêntico ao anterior.
O jurado que participou do julgamento anterior não pode participar do novo julgamento (Súmula 206 do STF).
EMBARGOS INFRINGENTES E DE NULIDADE
Art. 609, Parágrafo Único, do CPP
Diferença entre Embargos Infringentes e Embargos de Nulidade
Os embargos infringentes referem-se ao mérito da causa. Refere-se a punibilidade.
Os embargos de nulidade referem-se a matéria processual que leva a nulidade.
Hipóteses de Cabimento
Somente contra decisão de 2ª Instância;
Decisão proferida em Apelação, Recurso em Sentido Estrito ou Agravo em Execução. Não cabe embargos em decisão que julga revisão criminal;
Decisão não unânime;
Desfavorável ao réu;
Um voto vencido em favor do réu.
Extensão dos Embargos
Os embargos não podem extrapolar os limites do voto vencido.