As conquistas da advocacia no novo CPC
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As conquistas da advocacia no novo CPC


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Capa: Susele Bezerra de Miranda 
 
 
 
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA 
____________________________________________________________________ 
 
As conquistas da advocacia no novo CPC / Marcus Vinicius Furtado 
Coêlho ... [et al]. \u2013 Brasília: OAB, Conselho Federal, 2015. 
 
429 p. 
 
 
 ISBN 978-85-7966-033-7 
 
1. Advocacia - Brasil. 2. Código de processo civil - Brasil. I. Lamachia, 
Claudio Pacheco Prates. II. Souza Neto, Cláudio Pereira de. III. Ribeiro, 
Cláudio Stábile. IV. Ferreira, Antonio Oneildo. 
_____________________________________________________________________ 
Suzana Dias da Silva CRB-1/1964 
 
 
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APRESENTAÇÃO 
 
Marcus Vinicius Furtado Coêlho
1
 
 
A sanção do novo Código de Processo Civil é um momento 
histórico para o Estado Democrático de Direito no Brasil. Primeiro código 
gestado e aprovado em um regime governamental livre de amarras ditatoriais, 
o novo CPC impactará positivamente na concretização dos direitos 
fundamentais do cidadão brasileiro. 
É importante o destaque para o caráter democrático desta obra 
legislativa, em contraponto aos textos que o precederam. O Código de 
Processo Civil de 1939, por exemplo, está impregnado pelo contexto 
autoritário da primeira metade do Século XX \u2013 não só em razão do Estado 
Novo vigente no País, mas por toda a onda totalitarista que assolava a 
democracia no mundo. 
Em 1973 não foi diferente. A aprovação da Lei n. 5.869/1973, 
sob a égide do General Garrastazu Médici, orbitou um dos períodos mais 
ditatoriais de toda a história nacional. Vigente até então, é consenso na 
comunidade jurídica que o CPC de 1973 não mais satisfaz as necessidades 
atuais do Judiciário e da sociedade. Muitas normas sobrevieram e a sociedade 
progrediu, enquanto a legislação processual brasileira se tornava uma frágil 
colcha de retalhos incapaz de sustentar o novo panorama social. 
O povo celebra a aprovação de um novo CPC, oxigenado pelo 
princípio democrático da Constituição Cidadã \u2013 feliz acepção de Ulysses 
 
1
Advogado, presidente Nacional da OAB e membro da comissão de juristas que 
elaborou o anteprojeto do novo Código de Processo Civil. 
 
8 
Guimarães acerca da Carta Política vigente. O Congresso Nacional é, então, o 
berço daquele que será conhecido como o Código de Processo Civil Cidadão. 
As justificativas e os fundamentos do novo código, elaborado 
com a imprescindível participação popular, refletem a necessidade de 
adaptação da lei à realidade do País. Progressos importantes, como o aumento 
do acesso à justiça, a concessão de gratuidade e a ascensão das classes média 
e baixa, não estavam abarcados pelo espírito da legislação antiga, fator que 
sobrecarregou significativamente as cortes judiciais. 
Atento à remodelação social, o Congresso elaborou o novo CPC 
com a mais avançada doutrina processual em redução de conflitos, abreviação 
do processo judicial e resolução de demandas repetitivas. 
A boa-fé processual e a dignidade também são princípios 
orientadores do novo CPC, que agora pratica o respeito ao cidadão, não mais 
o tratando como mera engrenagem de um sistema processual cuja função é 
resolver formalmente os conflitos, mas sim como um ser humano digno de 
solução efetiva para suas demandas. 
A consagração do direito de defesa e o prestígio ao contraditório 
também permeiam as entrelinhas dos dispositivos legais sancionados. O 
princípio da ampla defesa e do contraditório, instrumentalizado por meio da 
observância estrita ao devido processo legal, representa imprescindível 
limitador da arbitrariedade estatal. Sem defesa não há justiça, tampouco 
respeito do indivíduo. 
Foi incessante o trabalho em prol da cidadania realizado pela 
comunidade jurídica por meio da elaboração do novo CPC. É, sem dúvida, um 
trabalho hoje muito bem consolidado, pautado pelos corolários da valorização 
do direito de defesa, da obediência aos precedentes, da positivação dos 
entendimentos jurisprudenciais e doutrinários dominantes e da simplificação 
procedimental com vistas à celeridade processual. 
 
9 
A elaboração e aprovação do novo Código de Processo Civil 
percorreu um longo caminho. Em novembro de 2009, a comissão de juristas 
formada para elaborar o novo código realizava sua primeira reunião, com uma 
orientação principiológica que já despontava: concretizar o princípio da 
razoável duração do processo, desburocratizando os procedimentos e 
priorizando a efetiva solução da lide, conferindo primazia às decisões de 
mérito. 
Essa convergência de orientação mostrou-se reflexo de demandas 
sociais latentes, especialmente aquelas voltadas à busca pela celeridade e pela 
resolução efetiva dos conflitos. Ao final de sua primeira reunião, já havia sido 
aprovada a obrigatoriedade da audiência de conciliação no processo civil. 
Essa modificação é profundamente representativa. A primazia da 
conciliação provoca uma alteração substancial na concepção que 
costumeiramente se tem do processo judicial, na função da Justiça e dos 
próprios operadores do Direito. 
O juiz não é mais um terceiro que, distante do conflito que lhe é 
apresentado, \u201cdiz o direito\u201d. Ele passa a ser um terceiro ativamente partícipe 
da relação processual, que auxilia as partes a construírem soluções justas e 
duradouras para o conflito. 
Os advogados do autor e do réu, além de porta-vozes dos direitos 
de seus constituintes, não estabelecem entre si uma relação de adversariedade, 
mas de colaboração em prol da justa decisão da lide, inclusive podendo 
alterar, em consenso livre e esclarecido, os regramentos do processo de 
maneira que ele se adéque melhor às necessidades das partes e se torne mais 
eficaz para solucionar a controvérsia. 
Esses são apenas pequenos exemplos das profundas alterações 
que o novo Código instaura na ordem jurídica brasileira. Para que essas 
 
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alterações pudessem de fato refletir os anseios sociais, a elaboração do código 
passou por um intenso e exaustivo processo de discussão democrática. 
Somente na Câmara dos Deputados, conforme relatou a comissão 
especial destinada a proferir parecer a respeito dos projetos de lei que 
tratavam do Código de Processo Civil, \u201cforam realizadas 15 audiências 
públicas [...] e 13 Conferências Estaduais, nas cidades de Recife, Salvador, 
Belo Horizonte, Rio de Janeiro, João Pessoa, Campo Grande, Manaus, Porto 
Alegre, Fortaleza, Cuiabá, São Paulo, Vitoria da Conquista e Macapá. Nessas 
foram ouvidos aproximadamente 140 palestrantes especialistas em processo 
civil, além dos participantes das mesas redondas também realizadas. Foram 
apresentadas 900 emendas pelos Deputados à Comissão Especial e apensados 
146 projetos de lei que já tramitavam nesta Casa e tratam de modificações ao 
atual CPC. Além disso, o Portal e-Democracia registrou 25.300 acessos, 282 
sugestões, 143 comentários e 90 e-mails\u201d. 
A Ordem dos Advogados do Brasil participou ativamente do 
processo de construção do novo Código de Processo Civil. Representando 
mais de 850 mil profissionais, a OAB integrou a comissão de juristas 
convocada pelo Congresso para dar forma ao CPC. A OAB esteve presente 
em audiências em todas as regiões do País, buscando ouvir e atuar como 
porta-voz da advocacia e de toda a sociedade. 
Desde o seu nascedouro, o projeto de lei teve a participação da 
Ordem. Foi um trabalho de convencimento, corpo a corpo, visitas, reuniões, 
eventos e discussão aberta sobre o assunto na XXII Conferência Nacional dos