As conquistas da advocacia no novo CPC
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As conquistas da advocacia no novo CPC


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Acesso em: 25 mar. 2015. 
 
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incompatível com o regime de fim do agravo retido e 
ausência de preclusão que nós criamos. (...) SR. BRUNO 
DANTAS: Mas o meu ponto é o seguinte, Prof. 
Humberto, é que se precisa ser alegada, isso vai levar a 
uma decisão, se levar a uma decisão, precisa ter uma 
forma de impugnar a decisão, porque a preclusão \u2013 SR. 
HUMBERTO THEODORO JÚ- NIOR: Depois que o 
Juiz resolver, aí sim não há preclusão para recorrer disso 
aí no final, mas para alegar não pode ficar aberto; é como 
o prazo de contestação, o prazo de revelia, são todos 
prazos \u2013 (...) SRA. TERESA ARRUDA ALVIM 
WAMBIER: Porque uma coisa é a preclusão no nível 
recursal desse... e outra coisa é tem que falar para o Juiz... 
SR. HUMBERTO THEODORO JÚ- NIOR: O processo 
está sanando a ele mesmo. SRA. TERESA ARRUDA 
ALVIM WAMBIER: É, claro. SR. BRUNO DANTAS: 
Tudo bem.
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Depois de muitos debates, a preclusão elástica se consolidou no 
texto legal sancionado. Ela é, sem dúvida, um dos institutos processuais que 
mais contribuirá para a celeridade da resolução dos conflitos no Judiciário, 
efetivando o direito à razoável duração do processo entalhado no art. 5º da 
Constituição da República. 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
A intimação prévia do advogado para sanar eventuais vícios que 
ensejam a inadmissibilidade do recurso e a mitigação da preclusão de matérias 
tratadas em decisões interlocutórias são apenas alguns exemplos do vasto 
 
10
 Ata da 13ª Reunião da Comissão de Juristas \u201cNovo Código de Processo Civil\u201d, 
realizada em 10.05.2010. Disponível em: <http://www.senado.gov.br/ 
senado/novocpc/pdf/13a%20Reunião%202010%20 05%2010%20ata.pdf>. Acesso 
em: 24 mar. 2015. 
 
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arcabouço normativo do novo CPC dedicado à simplificação procedimental e 
à resolução de conflitos de forma célere e justa. 
No mesmo sentido é a possibilidade de intimação dos atos 
processuais por meio da sociedade advocatícia, o que garante maior controle 
pelos advogados que efetivamente nele atuam, assim como maior segurança à 
parte. 
Em última instância, a racionalização e eficiência dos 
procedimentos cíveis são medidas de modernização que beneficiam os 
próprios jurisdicionados. O advogado é o porta-voz das demandas dos 
cidadãos no Poder Judiciário. Por isso, facilitar o exercício cotidiano de suas 
funções e valorizá-las é assegurar os direitos dos cidadãos. 
O Novo Código de Processo Civil, ao favorecer o acesso à 
justiça, resguarda o exercício da cidadania e os valores do Estado democrático 
de direito, aprimorando o trabalho do advogado e respeitando o direito 
constitucional à efetividade da jurisdição. 
 
REFERÊNCIAS 
 
CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; 
DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 27. ed. São 
Paulo: Malheiros Editores, 2009, p. 45. 
DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil: Introdução ao 
Direito Processual Civil e Processo de Conhecimento. Vol. 1. 15. ed. 
Salvador: JusPodivm, 2013. 
DIDIER JR., Fredie; CUNHA, Leonardo Carneiro. Curso de Direito 
Processual Civil: Meios de Impugnação às Decisões Judiciais e Processo 
nos Tribunais. Vol. 3. 12. ed. Salvador: JusPodivm, 2014, pp. 150-155. 
 
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FERRAZ, Sérgio Ferraz. Sociedade de Advogados. São Paulo: Malheiros 
Editores, 2002. 
MELO, ANDRÉ Luis. Bancas devem intermediar intimação de 
advogados. Consultor Jurídico, 202. Disponível em: < 
http://www.conjur.com.br/2012-jul-22/andre-luis-melo-bancas-intermediar-
intimacao-judicial-advogados> Acesso em: 25 mar. 2015. 
OLIVEIRA JR., Z. D. Preclusão elástica no Novo CPC. Senado Federal. 
Brasília, ano 48 n. 190 abr./jun. 2011. Disponível em: 
<http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/242961/000940015.pdf. 
Acesso em: 25 mar. 2015. 
WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Os agravos no CPC brasileiro. 4. ed. 
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2006. p. 281. 
 
 
 
 
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A VALORIZAÇÃO DA ADVOCACIA E O FIM DO AVILTAMENTO 
DOS HONORÁRIOS NO NOVO CPC 
Claudio Pacheco Prates Lamachia
1
 
 
SUMÁRIO: Introdução. 1. A valorização do advogado e a dignidade dos 
honorários: condições para o Estado democrático de direito. 2. Vedação da 
compensação de honorários. 3. O estabelecimento de critérios objetivos para a 
fixação dos honorários contra a Fazenda Pública. Considerações finais. 
 
INTRODUÇÃO 
 
A valorização da advocacia é fundamental para o fortalecimento 
da sociedade. Essa valorização passa, certamente, por uma remuneração justa 
e equânime, que seja condizente com a relevância social da atividade 
desenvolvida. A luta por remuneração justa, nada mais é que a luta por 
respeito ao trabalho do advogado. 
O advento no novo Código de Processo Civil (CPC), Lei n. 
13.105, de 16 de março de 2015, representa um divisor de águas na 
processualística brasileira. O primeiro código de processo gestado e aprovado 
sob um regime democrático no país traz inovações e modernizações que 
buscam reduzir a litigiosidade, ampliar a celeridade processual, 
desburocratizar os procedimentos, a fim de que o cidadão possa ter seus 
conflitos solucionados e seus direitos garantidos de modo eficaz, efetivo e, 
sobremaneira, justo. 
 
1
 Advogado. Vice-Presidente Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil. 
 
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Nesse contexto, o novo CPC traz também em seu bojo uma série 
de conquistas as quais foram objeto de luta durante anos por parte da 
advocacia. As férias dos advogados, a contagem de prazo em dias úteis, a 
vedação da compensação dos honorários e sua natureza alimentar, o fim do 
parágrafo 4 do artigo 20 do atual CPC e a fixação de parâmetros objetivos de 
honorários contra a Fazenda Pública, dentre outras. 
Com o propósito de conferir especial atenção ao tema da 
dignidade dos honorários e da proibição de seu aviltamento, abordaremos 
neste artigo duas relevantes conquistas da advocacia garantidas pelo novo 
CPC: o fim da compensação dos honorários sucumbenciais, bem como o fim 
da fixação dos honorários quando for sucumbente a Fazenda Pública, com 
base em critérios de ampla discricionariedade pelo juiz. 
 
1. A VALORIZAÇÃO DO ADVOGADO E A DIGNIDADE DOS 
HONORÁRIOS: CONDIÇÕES PARA O ESTADO DEMOCRÁTICO 
DE DIREITO 
 
O Estado democrático de direito, o devido processo legal, a 
ampla defesa e o acesso à justiça somente são possíveis com a atuação e o 
trabalho do advogado. É ele quem detém o jus postulandi, isto é, a 
prerrogativa de postular junto às instâncias judiciais, seja para apresentar uma 
pretensão resistida à Justiça, solicitando a sua intervenção, seja para defender 
um cidadão de um pedido ou acusação que contra ele se faz. 
A Constituição Federal de 1988 reconheceu a importância da 
profissão em seu artigo 133, segundo o qual: \u201co advogado é indispensável à 
administração da justiça, sendo inviolável por seus atos e manifestações no 
exercício da profissão, nos limites da lei\u201d. 
Outrossim, o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados 
do Brasil (EAOAB), Lei n. 8.906/94, estabelece que: 
 
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Art. 2º. O advogado é indispensável à administração da 
justiça. 
§ 1º No seu ministério privado, o advogado presta serviço 
público e exerce função social. 
§ 2º No processo judicial, o advogado contribui, na 
postulação de decisão favorável ao seu constituinte, ao 
convencimento do julgador, e seus atos constituem 
múnus público. 
§ 3º No exercício da profissão, o advogado é inviolável 
por seus atos e manifestações nos limites desta Lei. 
 
Referidos textos legais consolidam