apostiladefisiologia
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DisciplinaFisiologia e Metabolismo17 materiais849 seguidores
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anulam e não ocorre mais fluxo de potássio pela membrana. Já para o sódio, as forças 
elétricas e químicas se somam e não existe forma de controlar o fluxo. Porém, o número de canais abertos para o 
transporte de potássio é quase 30 vezes maior que para o sódio, o que não permite que o fluxo de ambos os íons 
seja tão desequilibrado. Como a célula necessita manter o seu potencial de repouso (negativo no meio intracelular e 
positivo no meio extracelular), deve existir um mecanismo que transporte os íons potássio e sódio contra os seus 
gradientes de concentração, fazendo com que a célula mantenha a sua polaridade e seu potencial constante. Esse 
mecanismo recebe o nome de bomba de sódio-potássio. 
 O funcionamento dessa bomba está baseado em uma proteína (Na+K+ATPase) de elevado peso molecular 
que atravessa o interior e o exterior da membrana. No lado interno da célula, essa proteína possui sítios de ligação 
para o sódio, e no exterior, sítios de ligação para o potássio. Assim, a proteína no interior da célula se liga ao sódio 
carregando-o para o exterior celular. No lado exterior, a molécula sofre uma mudança na sua conformação 
tornando-se agora capaz de ligar-se com os íons potássio. Para cada três íons sódio transportados para fora, 
dois íons potássio são 
transportados para 
dentro (três íons sódio 
saem, enquanto 2 íons 
potássio entram). Isso 
estabelece a diferença de 
potencial exigida pela 
membrana, sendo mais 
negativo o lado intracelular 
e mais positivo o meio 
extracelular. 
Como a saída de 
sódio não é acompanhada pela entrada de potássio na mesma proporção, estabelece-se uma diferença de cargas 
elétricas entre os meios intra e extracelular: há déficit de cargas positivas dentro da célula e as faces da membrana 
mantêm-se eletricamente carregadas. 
O potencial eletronegativo criado no interior da célula devido à bomba de sódio e potássio é chamado 
potencial de repouso da membrana, ficando o exterior da membrana positivo e o interior negativo. Dizemos, 
então, que a membrana está polarizada. 
 ESCOLA DE MASSOTERAPIA SOGAB www.sogab.com.br 
 Disciplina de Fisiologia Aplicada 
Profª Cíntia Schneider 6
 
 
 
Quando estimulada (por um impulso nervoso), uma pequena região da membrana torna-se mais permeável aos íons 
sódio (abertura dos canais voltagem-dependente de sódio). Como a concentração desse íon é maior fora do que dentro 
da célula, o sódio atravessa a membrana no sentido do interior da célula. Neste momento, a entrada de grande 
quantidade sódio é acompanhada pela pequena saída de potássio. Este fluxo de íons inverte o potencial da membrana, 
ou seja, o meio intra-celular passa a ser positivo e o meio extra-celular torna-se negativo. Esta inversão de potencial é a 
despolarização, a célula que antes era polarizada (negativamente) despolariza e torna-se positiva internamente. 
Essa positividade (despolarização) induz o fechamento dos canais voltagem-dependente para o sódio, 
determinando a parada do fluxo deste íon para o interior da célula. Neste momento, abrem-se canais voltagem-
dependente de potássio, que, devido ao gradiente de concentração, migra fora da célula. Devido à lentidão da 
abertura dos canais voltagem-dependente para o potássio, eles só se abrem quando os canais voltagem-
dependente para o sódio já estão se fechando. Assim, a diminuição do influxo de sódio para o interior da célula e o 
aumento simultâneo de efluxo de potássio para fora da célula 
aceleram o processo de repolarização, ou seja, a célula volta a 
apresentar o meio intracelular negativo e o meio extracelular 
positivo. Em alguns casos ocorre a lentidão do fechamento ou da 
abertura dos canais voltagem-dependente. Quando esta demora 
se dá no fechamento nos canais para o potássio, ocorre a difusão 
em quantidade excessiva deste íon para fora da célula, criando 
um déficit de cargas positivas no meio intracelular, ou seja, uma 
hiperpolarização. Se a demora no fechamento ocorrer nos canais 
para sódio (chamados canais lentos) e ao mesmo tempo houver 
demora em abrir os canais voltagem-dependente para o potássio, 
ocorre o que chamamos de platô, ou seja, uma demora na 
repolarização. 
 
TERMOS: 
Potencial de repouso (potencial transmembrana) 
 Devido à diferença de concentração entre os meios intra e 
extracelular forma-se uma ddp (diferença de potencial) entre o 
interior da célula e o meio extracelular. 
 Este valor é em média = -85 mV e recebe o sinal negativo (-) por 
convenção (o interior da célula tem grande quantidade de ânions 
protéicos). Nessa situação a célula é dita polarizada. Essa 
característica é comum a todas as células do organismo na 
ausência de estímulos eficazes. 
Excitabilidade celular 
 É a propriedade que a célula possui de alterar o seu potencial de repouso quando submetida a estímulos eficazes. 
Despolarização celular: entrada de sódio 
 Quando uma célula recebe um estímulo eficaz ocorre um aumento da permeabilidade do íon sódio (abrem-se os 
portões dos canais voltagem-dependente para sódio). 
 O Na+ entra na célula a favor do gradiente de concentração levando consigo cargas positivas e gerando uma ligeira 
despolarização local. Essa despolarização, por sua vez, aumenta ainda mais a permeabilidade ao sódio fazendo com 
que grandes quantidades deste íon entre na célula. Esse fenômeno é chamado despolarização celular. 
 Potencial de Overshoot: momento durante da despolarização em que o aumento do potencial faz com que ocorra a 
inativação do fluxo de sódio que cessa a sua entrada na célula. 
 Repolarização Celular: saída de potássio 
 Aproximadamente um milisegundo após a despolarização celular, ocorre um aumento da permeabilidade ao potássio 
que sai da célula a favor do gradiente de concentração (difusão simples) levando consigo cargas positivas e fazendo 
com que o potencial caia novamente a valores negativos. Esse processo é denominado repolarização celular. Após esse 
processo a célula volta a apresentar o seu valor normal de potencial de repouso (-85 mv); porém, as concentrações de 
Na+ e K+ estão invertidas. A bomba de sódio e potássio repõe as concentrações normais destes íons tornando a célula 
apta a responder a um novo potencial de ação. 
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Hiperpolarização celular: saída excessiva de potássio 
 Em algumas células durante o processo de repolarização celular, a diferença de potencial pode baixar a valores 
maiores que -85 mv. Esse fenômeno dura apenas milésimos de segundo e imediatamente a célula volta a apresentar o 
seu potencial de repouso normal. A hiperpolarização ocorre devido a grande permeabilidade da célula aos íons potássio. 
Potencial de Ação: Os impulsos nervosos são transmitidos através de potencial de ação, que é uma rápida variação do 
potencial de repouso, ou seja, do potencial de negativo para o potencial de positivo com um rápido retorno para o 
potencial de repouso negativo, a membrana muda sua polaridade e depois volta ao normal. 
 
5. IMPULSO NERVOSO 
Os neurônios são as células responsáveis pela recepção e transmissão dos estímulos do meio (interno e externo), 
possibilitando ao organismo a execução de respostas adequadas para a manutenção da homeostase. Para exercerem 
tais funções, contam com duas propriedades fundamentais: a irritabilidade (também denominada excitabilidade ou 
responsividade) e a condutibilidade. Irritabilidade é a capacidade que permite a uma célula responder a estímulos, 
sejam eles internos ou externos. Portanto, irritabilidade não é uma resposta, mas a propriedade que torna a célula apta a 
responder. Essa propriedade é inerente aos vários tipos