Apostila 60 dicas Direito Tributário Prof Pedro Barretto
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Apostila 60 dicas Direito Tributário Prof Pedro Barretto


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dois diferentes fundamentos é possível a 
adoção do regime de tributação com alíquotas progressivas. 
 A PROGRESSIVIDADE FISCAL se aplica, atualmente, somente para três 
impostos, quais sejam: o IMPOSTO DE RENDA \u2013 IR, o IPTU e o ITCMD, esse último 
sendo novidade recentemente reconhecida como possível pelo Supremo Tribunal Federal 
no julgamento do RE 562.045/RS, no dia 06/02/2013, pacificando larga controvérsia 
doutrinária à respeito de seu cabimento, já que a Constituição não prevê expressamente a 
possibilidade de uso da progressividade das alíquotas para o ITCMD, como prevê para o 
IR (art.153,§2º, I, CRFB/88) e para o IPTU (art.156,§1º, I, CRFB/88). Enfatize-se que em 
relação ao IPTU a autorização só passou a valer após a EC 29/00 que mudou o texto 
constitucional exatamente para permitir o IPTU progressivo em razão do maior valor venal 
dos imóveis e somente para leis municipais aprovadas após a referida EC 29/00 é que 
realmente é constitucional o uso do IPTU Progressivo Fiscal (Súmula 668, STF). 
 Nessa toada, pode-se dizer que para o IR e o IPTU existe expressa previsão 
constitucional para uso das alíquotas progressivas fiscais porquanto para o ITCMD essa 
precisão é implícita na Constituição e homologada pela jurisprudência do STF. Frise-se, 
ainda, que quanto ao ITCMD, as alíquotas máximas são de 8%, conforme se fixou em 
Resolução do Senado (RSF 09/92), à mando do art.155,§1º, IV, CRFB/88 que diz que 
cabe ao Senado Federal fixar alíquotas máximas para o ITCMD. Importante registrar, 
também, que o STF ainda mantém o entendimento de que o sistema de tributação com as 
alíquotas progressivas fiscais não se aplica no ITBI, sobrevivendo o entendimento que 
deu ensejo à Súmula 656m STF, de sorte a que porquanto vigore esse entendimento 
devem ser consideradas inconstitucionais as leis municipais que autorizem o ITBI 
progressivo em razão do valor dos imóveis. 
 Em outro giro, existe a mencionada PROGRSSIVIDADE SANÇÃO, prevista para 
o IPTU e ITR, respectivamente nos arts.182,§4º, II e 153,§4º, I, ambos da Constituição da 
República. O ITR \u201cserá progressivo e terá suas alíquotas fixadas de forma a desestimular 
a manutenção de propriedades improdutivas\u201d, afirma o mencionado dispositivo 
constitucional, porquanto a progressividade do IPTU se dará em razão do desrespeito à 
função social da propriedade. Em ambos os casos a progressividade se dá por força de 
comportamentos inadequados no uso dos imóveis. Manter um imóvel rural improdutivo é 
comportamento que frustra os interesses e necessidades da coletividade, assim como na 
área urbana empreender posturas atentatórias às ordenações de postura do plano diretor 
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Pioneiro no sistema de COACHING no Exame de Ordem 
 
 A DIFERENÇA FAZ A DIFERENÇA. 
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(instrumento básico da política urbana) é algo igualmente repudiável, nocivo e que merece 
ser combatido. E é nesse contexto que, no rol das medidas sancionatórias aplicáveis surge a 
possibilidade de aplicação das alíquotas progressivas sancionatórias. Em tais casos, 
utilizados com esse propósito, o IPTU e o ITR assumem caráter extrafiscal, o que não 
lhes é essencial. 
 
TEMA 10: O PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE E SUAS TRÊS EXCEÇÕES. 
A APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI TRIBUTÁRIA 
 
DICA 48: A regra geral emanada do Princípio da Irretroatividade é bastante conhecida e 
impõe que não se pode aplicar uma nova norma legal para reger fatos ocorridos 
anteriormente a sua existência, e, indo além, sua vigência. Como consequência, apesar de 
serem cabíveis alguns temperamentos, a regra geral é a que ensina que uma nova norma 
somente pode reger fatos novos, que venham a se constituir a partir de sua vigência, não se 
aplicando para impor efeitos jurídicos a fatos pretéritos já consumados. 
DICA 49: A ressalva se faz em relação aos chamados fatos pendentes, os quais, à 
depender da circunstância, podem ser regidos pela nova norma. Fatos pendentes são os já 
iniciados antes da existência da norma mas ainda não conclusos. Em certas situações a 
nova norma pode se aplicar sobre eles, o que nas relações regidas pelo Direito Civil 
terminou se apelidando como \u201caplicação imediata da norma\u201d, falando-se em tais casos de 
uma \u201cretroatividade em grau mínimo\u201d. No Direito Tributário a aplicação de novas normas 
aos chamados fatos pendentes ganha expressa previsão no art.105 do CTN, que afirma que 
a novel norma se aplica aos fatos pendentes e futuros. Obviamente que existem algumas 
limitações à aplicação de uma nova norma a um fato pendente, especialmente quando se 
trata de uma norma gravosa, prejudicial aos destinatários, e mais ainda quando é gravosa 
em relação a infrações e sanções. Todavia, para fins de prova, importante conhecer a regra 
do art.105 do CTN que afirma que a nova norma se aplica aos fatos pendentes e futuros. 
DICA 50: A regra emanada do Princípio da IRRETROATIVIDADE DAS LEIS 
TRIBUTÁRIAS está postada no art.150, III, \u2018a\u2019 da Constituição, e afirma que uma nova 
lei tributária que crie ou majore tributo não pode alcançar fatos geradores ocorridos antes 
de sua vigência. O comando almeja gerar segurança aos contribuintes no sentido de que a 
norma legal que regerá os fatos geradores é aquela que estiver vigente e aplicável ao tempo 
do fato gerador. De tal modo, cada contribuinte sabe, ao tempo em que pratica o fato 
típico, exatamente qual a norma que rege a relação que está nascendo, não se submetendo a 
surpresas provocadas por uma mudança das regras em razão da aplicação de uma nova 
norma que venha a se criar em momento futuro e ainda não conhecida. Consagra-se, desse 
modo, o brocado \u201cTEMPUS REGIT ACTUM\u201d que ensina que o que rege cada ato, cada 
fato, é a lei do tempo do ato, do fato. Daí se afirmar que o que rege o fato gerador e os 
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elementos essenciais da relação tributária é a lei vigente ao tempo do nascimento dessa 
relação, no momento da ocorrência do fato gerador, comando esse que se estampa no 
caput do art.144 do CTN. 
 
DICA 51: Existem três exceções em que as leis tributárias se aplicam retroativamente, e 
estão as três previstas no Código Tributário, no art.106, I, no art.106, II e no art.144,§1º. 
São, portanto, exceções ao Princípio da Irretroatividade, podendo ser aplicadas 
retroativamente. É o que ocorre com as chamadas leis interpretativas (primeira exceção \u2013 
art.106, I, CTN), as leis benéficas em infrações ou penalidades (segunda exceção \u2013 
art.106, II, CTN), sendo que, quanto a essas, elas só retroagem se ainda não houve coisa 
julgada ou o cumprimento das sanções (caso já tenha ocorrido, por exemplo, o pagamento 
das multas ou o trânsito em julgado de ação de execução fiscal ou ação proposta pelo 
contribuinte questionando a multa, a lei não retroage, mesmo que benéfica; a retroatividade 
benigna das leis tributárias só se efetiva para atos não definitivamente julgados e desde que 
não tenha ocorrido o pagamento) e, por fim, as leis que modificam apenas aspectos 
formais do lançamento, mudando apenas o procedimento (e não o conteúdo) da 
cobrança (terceira exceção \u2013 art.144,§1º, CTN). 
 
TEMA 11: O PRINCÍPIO DA LEGALIDADE, A RESERVA LEGAL, SUAS 
EXCEÇÕES. CRIAÇÃO DE TRIBUTOS, LEIS ORDINÁRIAS, 
COMPLEMENTARES E MEDIDAS PROVISÓRIAS 
 
DICA 52: O Princípio