Doenças relacionadas ao trabalho
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Doenças relacionadas ao trabalho


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em ambientes quentes e úmidos, com formação de foco primário pulmonar (assintomático) e posterior
disseminação. Em pacientes com grande resistência imunológica, as formas são localizadas, com reação granulomatosa
e poucos parasitos. Nos demais, os parasitos são abundantes, os processos são predominantemente exsudativos e as
formas disseminadas predominam, com variados graus clínicos.
2 EPIDEMIOLOGIA \u2013 FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
Em determinados trabalhadores, a paracoccidiodomicose pode ser considerada como doença relacionada
ao trabalho, do Grupo II da Classificação de Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição ao fungo
podem ser consideradas como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia desta grave
doença infecciosa.
A paracoccidiodomicose relacionada ao trabalho tem sido descrita em trabalhadores agrícolas ou florestais,
em zonas endêmicas.
3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
A forma cutânea localiza-se especialmente na face, sobretudo nas junções mucocutâneas nasal e oral,
onde se formam úlceras de expansão lenta, com fundo granuloso e pontos ricos em fungos, acompanhadas de adenite
regional com necrose e eventual fistulização.
As formas pulmonares predominam em adultos depois da terceira década. As formas digestivas acometem
pessoas jovens, com invasão e ulceração das placas de Peyer ou formação de massas, produzindo diarréias ou
constipação, dor contínua ou em cólicas e, até mesmo, abdômen agudo obstrutivo. A forma linfática manifesta-se por
aumento indolor dos linfonodos cervicais, supraclaviculares ou axilares. As formas viscerais atingem o fígado e as vias
biliares, o baço e os linfonodos abdominais, as supra-renais ou o esqueleto (lesões osteolíticas). Podem ocorrer,
também, formas mistas.
O diagnóstico é feito a partir da história clínica e do exame físico, com a demonstração microscópica do P.
brasiliensis nas lesões, secreções ou biópsias, por cultura ou imunodiagnóstico. A radiografia pulmonar pode revelar a
intensidade das alterações.
O diagnóstico diferencial deve ser feito com as outras micoses profundas que compõem a síndrome verrucosa
(tuberculose, esporotricose, leishmaniose tegumentar americana, cromomicose) e sífilis. Nas formas linfáticas, deve-
se diferenciá-lo do linfoma de Hodgking e de outras neoplasias.
4 TRATAMENTO E OUTRAS CONDUTAS
Para o tratamento, utilizar uma das opções a seguir:
\u2022 sulfametoxazol + trimetoprim \u2013 800/60 mg/dia, VO, 12/12 horas, por 30 dias e a seguir 400/80 mg/dia,
VO, 12/12 horas, até um ano após sorologia negativa;
\u2022 cetoconazol \u2013 400 mg/dia, VO, por 45 dias e a seguir 200 mg/dia até completar 12 meses;
\u2022 fluconazol \u2013 400 mg/dia, VO, por 30 dias e a seguir 200 mg/dia, por 6 meses (este é o melhor tratamento
da neuroparacoccidioidomicose, pela sua alta concentração no SNC). A dose de ataque pode ser de
até 800 mg/dia, por 30 dias;
\u2022 itraconazol \u2013 100 mg/dia, VO, por 6 meses;
\u2022 anfotericina B \u2013 1 mg/kg/dia, IV, diluído em 50 ml de soro glicosado a 5%, mais acetato de delta
hidrocortizona 50 \u2013 100 mg (a dose máxima de anfotericina B não deve ultrapassar 3 g). Nas formas
graves usar anfotericina B associada com as sulfas.
DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO
MANUAL DE PROCEDIMENTOS PARA OS SERVIÇOS DE SAÚDE
CAPÍTULO 6 89
5 PREVENÇÃO
No Brasil estão registrados mais de 50 casos de paracoccidioidomicose associados à AIDS, o que coloca
essa infecção como um dos indicadores daquela síndrome. Não é doença de notificação compulsória, porém os surtos
devem ser investigados.
Não há medida específica de controle. Os doentes devem ser tratados precoce e corretamente, visando a
impedir a evolução da doença e suas complicações. Está indicada desinfecção concorrente dos exsudatos, artigos
contaminados e limpeza terminal.
Para a vigilância dos casos relacionados ao trabalho, devem ser seguidos os procedimentos indicados na
introdução deste capítulo.
Aos trabalhadores expostos devem ser garantidos:
\u2022 condições de trabalho adequadas que lhes permitam seguir as Normas de Precauções Universaisg;
\u2022 orientação quanto ao risco e às medidas de prevenção;
\u2022 facilidades para a higiene pessoal (chuveiros, lavatórios);
\u2022 equipamentos de proteção individual adequados (vestuário limpo, luvas, botas e proteção para a cabeça).
Recomenda-se a verificação da adequação e cumprimento, pelo empregador, das medidas de controle dos
fatores de risco ocupacionais e promoção da saúde identificados no PPRA (NR 9) e no PCMSO (NR 7), além de outros
regulamentos \u2013 sanitários e ambientais \u2013 existentes nos estados e municípios.
Suspeita ou confirmada a relação da doença com o trabalho, deve-se:
\u2022 informar ao trabalhador;
\u2022 examinar os expostos, visando a identificar outros casos;
\u2022 notificar o caso aos sistemas de informação do SUS, à DRT/MTE e ao sindicato da categoria;
\u2022 providenciar a emissão da CAT, caso o trabalhador seja segurado pelo SAT da Previdência Social,
conforme descrito no capítulo 5;
\u2022 orientar o empregador para que adote os recursos técnicos e gerenciais adequados para eliminação ou
controle dos fatores de risco.
6 BIBLIOGRAFIA E LEITURAS COMPLEMENTARES SUGERIDAS
BRASIL. Ministério da Saúde; Fundação Nacional de Saúde; Centro Nacional de Epidemiologia. Doenças infecciosas e parasitárias: guia de
bolso. Brasília: Ministério da Saúde, 1999.
DiSALVO, A. F. Occupational mycoses. Philadelphia: Lea & Febiger, 1983.
LONDERO, A. T. Paracoccidioidomicose: patogenia, formas clínicas, manifestações pulmonares, diagnóstico. J. Pneumol, n. 12, p. 41-57, 1986.
RESTREPO, A. Actualización sobre la paracoccidioidomicosis y su agente etiológico: 1986-1989. Interciencia, n. 15, p. 193-199, 1990.
6.3.14 MALÁRIA CID-10 B50- e B54.-
1 DEFINIÇÃO DA DOENÇA \u2013 DESCRIÇÃO
Doença infecciosa febril aguda, causada por parasitas do gênero Plasmodium (vivax, malariae, falciparum,
ovale), caracterizada por febre alta acompanhada de calafrios, sudorese e cefaléia, que ocorre em padrões cíclicos, a
depender da espécie do parasito infectante.
A transmissão da doença é realizada por intermédio dos esporozoítas, formas infectantes do parasita,
inoculados no homem pela saliva da fêmea anofelina infectante.
Esses mosquitos, ao se alimentarem em indivíduos infectados, ingerem as formas sexuadas do parasita \u2013
gametócitos \u2013 que se reproduzem no interior do hospedeiro invertebrado, durante 8 a 35 dias, eliminando esporozoítas,
durante a picada. A transmissão também ocorre por meio de transfusões sangüíneas, compartilhamento de seringas,
contaminação de soluções de continuidade da pele e, mais raramente, por via congênita.
DOENÇAS RELACIONADAS AO TRABALHO
MANUAL DE PROCEDIMENTOS PARA OS SERVIÇOS DE SAÚDE
90 CAPÍTULO 6
A transmissibilidade da infecção ocorre do homem para o mosquito enquanto houver gametócitos em seu
sangue. O homem, quando não tratado, poderá ser fonte de infecção durante mais de 3 anos da malária por P. malariae, de
1 a 3 anos da malária por P. vivax e menos de 1 ano da malária por P. falciparum.
O período de incubação é, em média, de 7 a 14 dias para o P. falciparum, de 8 a 14 dias para o P. vivax e de
7 a 30 dias para o P. malariae.
2 EPIDEMIOLOGIA \u2013 FATORES DE RISCO DE NATUREZA OCUPACIONAL CONHECIDOS
A malária pode ser considerada como doença relacionada ao trabalho, do Grupo II da Classificação de
Schilling, posto que as circunstâncias ocupacionais da exposição aos anofelinos transmissores podem ser consideradas
como fatores de risco, no conjunto de fatores de risco associados com a etiologia da doença.
A malária relacionada ao trabalho tem sido descrita em trabalhadores que exercem atividades em mineração,
construção de barragens ou rodovias, em extração de petróleo e outras atividades que obrigam à presença dos
trabalhadores em zonas endêmicas.
3 QUADRO CLÍNICO E DIAGNÓSTICO
O quadro clínico e a gravidade da infecção