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de Curitiba que se constitui de uma sala de mais de 60 metros quadrados 
com todas as condições para desenvolvimento de trabalhos de grupos, o que inclui 
Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde 
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uma cozinha para oficinas de reeducação alimentar, escovódromos etc. Na Figura 4 
mostra-se um espaço saúde de uma Unidade da ESF em Curitiba. 
Figura 4: O espaço saúde na Unidade de Saúde Alvorada da Secretaria Municipal de 
Saúde de Curitiba 
A infraestrutura física deverá garantir padrões mínimos para que a ESF opere o 
modelo de atenção às condições agudas, o que significa ser resolutivo na atenção 
aos portadores de urgências menores e para estabilização de pessoas em situações 
de maiores riscos. 
Por motivos de economia de escala, os padrões devem ser feitos, principalmente, 
para unidades de uma a três equipes da ESF (unidades tipo 1, tipo 2 e tipo 3), obe-
decidos os critérios de acesso pronto e confortável da população. Em áreas urbanas 
muito adensadas demograficamente podem ser definidos padrões para mais de três 
equipes por unidade. Por exemplo, as unidades de APS mais recentes da Secretaria 
Municipal de Saúde de Curitiba, para três equipes, têm em torno de 550 metros 
quadrados de área, mas, há, também, unidades de mais de 800 metros quadrados.
É fundamental que as construções obedeçam aos critérios da sustentabilidade 
ambiental constituindo edifícios verdes da ESF, o que significa reaproveitamento de 
água, aquecimento solar etc. As Clínicas de Família da Secretaria Municipal de Saúde 
e Defesa Civil do Rio de Janeiro são construídas obedecendo-se a alguns parâmetros 
de sustentabilidade como iluminação natural e reaproveitamento da água.
O CUIDADO DAS CONDIÇÕES CRÔNICAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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Os ambientes físicos devem ser humanizados, provendo acolhimento e persona-
lização, amplos, arejados, coloridos e em que haja plantas e flores (246). 
Uma meta a ser alcançada, o mais rápido possível, será a de zero ESF em casas 
alugadas no SUS. 
Os recursos para o financiamento da infraestrutura física deverão vir de um 
fundo instituído, em cada estado da federação, com 50% de recursos federais e 
50% de recursos estaduais. As emendas parlamentares federais e estaduais serão 
consideradas nesse mecanismo de financiamento. Há duas razões para isso: uma, 
os municípios deverão concentrar seus recursos no custeio da ESF e, outra, a cons-
trução de edifícios segundo padrões nacionais adequados deverá ser uma atribuição 
dos governos nacional e estaduais, como parte da política de garantia de padrões 
mínimos de qualidade da ESF, em todo território brasileiro. Deve-se ressaltar que os 
recursos federais de investimento do Plano Nacional de Implantação de Unidades 
Básicas de Saúde para as equipes da ESF, previstos no PAC 2, são da ordem de 1,7 
bilhões para a construção de 8.694 unidades nos próximos 3 anos (217). 
A reinterpretação dos padrões nacionais, do ponto de vista arquitetônico, pode 
ajustar-se às características peculiares de municípios como as cidades históricas, as 
unidades de atenção às populações indígenas etc. 
Para que esse processo de melhoria da infraestrutura da ESF, seja feito de forma 
racional, haverá que exigir, de cada município, ao apresentar-se ao fundo nacional/
estadual para obtenção de recursos, que apresente um plano municipal completo 
de infraestrutura da ESF, construído segundo a territorialização vigente e com os 
princípios da escala econômica e do acesso. Essa foi uma experiência desenvolvida 
pelo Plano Diretor da APS pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais.
o adEnSaMEnto tEcnoLógico da ESf 
A ESF deverá ser adensada tecnologicamente para que possa cumprir com os 
atributos e as funções de uma estratégia de organização do SUS. Aqui, como na infra-
estrutura física, deve-se romper com a visão ideológica da atenção primária seletiva. 
O fundamental é que se deverão garantir todas as tecnologias sanitárias, susten-
tadas por evidências científicas, e que estejam inseridas nas diretrizes clínicas da ESF. 
Um trabalho fundamental, que deverá ser realizado pelo MS e SESs, é a elaboração 
e difusão das diretrizes clínicas referentes aos programas prioritários da ESF. 
Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde 
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Uma ESF consolidada não é compatível com o arsenal exíguo de medicamen-
tos e de exames laboratoriais e de equipamentos médicos, nem sem sistemas de 
informação clínica adequados. Num relatório promovido pela Sociedade Brasileira 
de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), experientes médicos de famílias 
espanhóis propuseram a incorporação, na ESF, de tecnologias como: tiras de uri-
na, optotipos, eletrocardiógrafo, espirômetro, oftalmoscópio, câmara digital para 
fotografia da retina, limpeza de cera dos ouvidos, biópsias de pele, carrinho de 
emergência, notebook para os ACSs, lavagem de mãos em todos os ambientes, 
telefone e internet (246). 
O adensamento tecnológico envolverá, também, tecnologias leves com forte 
conteúdo em cognição que não têm sido ofertadas, rotineiramente, pela ESF, como, 
por exemplo, tecnologias do campo da psicologia relativas às mudanças de compor-
tamentos das pessoas usuárias e o autocuidado apoiado.
Todos os medicamentos, exames e equipamentos referidos pelas diretrizes clínicas 
deverão estar disponíveis para a ESF. Isso não significará que todos os equipamentos 
ou exames sejam realizados na unidade de ESF, mas que poderão ser acessados, de 
forma pronta e segura, pelas pessoas usuárias. Nesse sentido, os exames laboratoriais 
de patologia clínica deverão ser colhidos na própria unidade da ESF e deverão, em 
geral, por motivos de economia de escala e qualidade, ser processados em laborató-
rios centralizados segundo uma escala ótima de exames, cuidando-se de organizar, 
adequadamente, a fase pré-analítica de coleta e de logística. Alguns exames de apoio 
diagnóstico essenciais na APS, como eletrocardiograma, poderão ser feitos, em cada 
unidade da ESF, diretamente ou por meio de teleassistência, com laudo à distância. 
O adensamento tecnológico do PSF implicará a existência de conectividade de 
internet, o que parece estar previsto no Plano Nacional de Banda Larga do Governo 
Federal. A experiência do TeleMinas Saúde, em Minas Gerais, é um caso bem-sucedido 
da possibilidade de adensar tecnologicamente a ESF, com eficiência, com grande 
conforto para as pessoas e com apoio efetivo aos profissionais da equipe de saúde, 
realizando os eletrocardiogramas e provendo segunda opinião de médicos de família 
e de especialistas a mais de 1.500 unidades da ESF, em mais de 600 municípios (248). 
o fortaLEciMEnto do SiStEMa dE apoio diagnóStico
O sistema de apoio diagnóstico deverá ser fortalecido para que possa dar sus-
tentação a uma clínica de qualidade na ESF. Esse movimento é parte, também, do 
adensamento tecnológico da ESF e constitui um importante elemento para dar re-
solubilidade à APS, contribuindo, consequentemente, para uma melhor avaliação da 
população em relação aos cuidados primários. As pessoas passarão a compreender 
O CUIDADO DAS CONDIÇÕES CRÔNICAS NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE
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que na unidade da ESF farão a coleta do material e terão, ali mesmo, os resultados 
dos exames.
Nesse sentido, o fortalecimento do sistema de patologia clínica é fundamental, 
o que passa por um processo de mudança radical em sua organização e operação. 
Certamente, parte dessa mudança, no que concerne à fase analítica, transpõe os 
limites da APS, mas terá fortes repercussões nesse nível porque é, nele, que se oferta 
a maior parte dos exames. 
A mudança do sistema de patologia clínica deverá ser realizada na perspectiva das 
RASs, como um elemento dos sistemas de apoio, estruturado de forma transversal 
a todas as redes temáticas de atenção à saúde (21). 
A base da reorganização