Redes-de-Atencao-condicoes-cronicas
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não presencial; e o equilíbrio entre a atenção profissional e a atenção por leigos. 
As mudanças na gestão implicam a adoção rotineira de três tecnologias de gestão 
da clínica: as diretrizes clínicas, a gestão da condição de saúde e a gestão de caso.
O Capítulo 8 diz respeito à implantação do modelo de atenção às condições 
crônicas na ESF. Sustenta que se trata de uma mudança cultural profunda e faz consi-
derações sobre a gestão da mudança. Propõe que esse processo de mudança se faça 
por meio de estratégias educacionais e propõe, com base em evidências produzidas 
no campo da saúde, a utilização do projeto colaborativo em que diferentes unidades 
da ESF aprendem a aprender e trocam experiências sobre seus processos singulares. 
Como nem todas as mudanças representam melhorias faz-se uma discussão sobre 
o Modelo de Melhoria que parte de três questões fundamentais e implementa as 
reformas por meio de ciclos PDSA sequenciais. Finaliza apresentando um check 
list que cobre todas as dimensões propostas pelo modelo de atenção às condições 
crônicas para serem implantadas nas equipes da ESF. 
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agradecimentos
O autor agradece:
Ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde (CONASS) e à Organização Pan-
-Americana da Saúde (OPAS) pelo interesse em editar este trabalho, pela publicação 
de excelente qualidade e pela difusão do livro.
Aos membros do Laboratório de Inovações na Atenção às Condições Crônicas 
na APS da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba pelos diálogos constantes e 
profundos, desenvolvidos no Projeto Emu, que muito auxiliaram na produção deste 
livro: Eliane Veiga Chomatas, Secretária Municipal de Saúde, Raquel Ferraro Cubas, 
Coordenadora do Laboratório, Ademar Cezar Volpi, Ana Cristina Alegretti, Ana Maria 
Cavalcanti, Ângela Cristina de Oliveira, Anna Paula Lacerda Penteado, Antonio Dercy 
Silveira Filho, Camila Santos Franco, Cláudia Schneck de Jesus, Cristiane Honório 
Venetikides, Gerson Schwab, Karin Regina Luhm, Liliane Grochocki Becker, Nilza 
Teresinha Faoro, Simone Chagas Lima, Simone Tetu Moysés, Soriane Kieski Martins, 
Gustavo Pradi Adam e João Alberto Rodrigues. A estes dois últimos agradece pela 
revisão do texto nos temas do uso excessivo de álcool e do tabagismo. Um agra-
decimento especial a Cleide Aparecida de Oliveira, Supervisora do Distrito Sanitário 
Cajuru, e a Maria Cristina Arai, Autoridade Sanitária da Unidade da ESF Alvorada e 
toda sua equipe, pela ousadia em servir como unidade piloto do Laboratório.
Às pessoas que participaram, direta ou indiretamente, na elaboração dos boxes 
deste livro: Ana Maria Cavalcanti, Ana Luisa Schneider, Ailton Alves Júnior, Celeide 
Barcelos Araujo, Cláudia Schnek de Jesus, Cláudia Nogueira Souza, Eleusa Pereira 
Lima, Fábio Britto Carvalho, João Batista Silvério, Priscila Rabelo Lopes, Inês Marty, 
Maria Emi Shimazaki, Raquel Ferraro Cubas, Ruth Borges Dias, Tânia Ferreira Lima, 
Tomoko Ito e Wilmar de Oliveira Filho.
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capítuLo 1 \u2013 a criSE fundaMEntaL do SuS
o concEito dE condiçõES crônicaS
As condições de saúde podem ser definidas como as circunstâncias na saúde 
das pessoas que se apresentam de forma mais ou menos persistentes e que exigem 
respostas sociais reativas ou proativas, episódicas ou contínuas e fragmentadas 
ou integradas, dos sistemas de atenção à saúde, dos profissionais de saúde e das 
pessoas usuárias.
A categoria condição de saúde é fundamental na atenção à saúde porque só se 
agrega valor para as pessoas nos sistemas de atenção à saúde quando se enfrenta 
uma condição de saúde por meio de um ciclo completo de atendimento (1). 
Tradicionalmente trabalha-se em saúde com uma divisão entre doenças transmis-
síveis e doenças crônicas não transmissíveis. Essa tipologia, talhada na perspectiva da 
etiopatogenia, é largamente utilizada, em especial, pela epidemiologia. É verdade 
que essa tipologia tem sido muito útil nos estudos epidemiológicos, mas, por outro 
lado, ela não se presta para referenciar a organização dos sistemas de atenção à 
saúde. A razão é simples: do ponto de vista da resposta social aos problemas de 
saúde, o objeto dos sistemas de atenção à saúde, certas doenças transmissíveis, 
pelo longo período de seu curso, estão mais próximas da lógica de enfrentamento 
das doenças crônicas que das doenças transmissíveis de curso rápido. Além disso, é 
uma tipologia que se assenta no conceito de doença e exclui outras condições que 
não são doenças, mas que exigem uma resposta social adequada dos sistemas de 
atenção à saúde. 
Por tudo isso, tem sido considerada uma nova categorização, com base no 
conceito de condição de saúde, desenvolvida, inicialmente, por teóricos ligados ao 
modelo de atenção crônica (2, 3) e, depois, acolhida pela Organização Mundial da 
Saúde (4): as condições agudas e as condições crônicas. 
O recorte da tipologia de condições de saúde faz-se a partir da forma como os 
profissionais, as pessoas usuárias e os sistemas de atenção à saúde se organizam na 
atenção; se de forma reativa e episódica ou se de forma proativa e contínua. Isso 
é diferente da clássica tipologia de doenças transmissíveis e doenças crônicas não 
transmissíveis que se sustentam, principalmente, na etiopatogenia das doenças. 
Organização Pan-Americana da Saúde / Organização Mundial da Saúde 
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Ademais, condição de saúde vai além de doenças por incorporar certos estados 
fisiológicos, como a gravidez, e os acompanhamentos dos ciclos de vida, como o 
acompanhamento das crianças (puericultura), o acompanhamento dos adolescentes 
(hebicultura) e o acompanhamento das pessoas idosas (senicultura) que não são 
doenças, mas são condições de saúde de responsabilidade dos sistemas de atenção 
à saúde.
Essa tipologia está orientada, principalmente, por algumas variáveis-chave con-
tidas no conceito de condição de saúde: primeira, o tempo de duração da condição 
de saúde, breve ou longo; segunda, a forma de enfrentamento pelos profissionais 
de saúde, pelo sistema de atenção à saúde e pelas pessoas usuárias, se episódica, 
reativa e feita com foco nas doenças e na queixa-conduta, ou se contínua, proativa e 
realizada com foco nas pessoas e nas famílias por meio de cuidados, mais ou menos 
permanentes, contidos num plano de cuidado elaborado conjuntamente pela equipe 
de saúde e pelas pessoas usuárias.
As condições agudas, em geral, apresentam um curso curto, inferior a três meses 
de duração, e tendem a se autolimitar; ao contrário, as condições crônicas têm um 
período de duração mais ou menos longo, superior a três meses, e nos casos de algu-
mas doenças crônicas, tendem a se apresentar de forma definitiva e permanente (2, 5). 
As condições agudas, em geral, são manifestações de doenças transmissíveis de 
curso curto, como dengue e gripe, ou de doenças infecciosas, também de curso 
curto, como apendicite, ou de causas externas, como os traumas. As doenças in-
fecciosas de curso longo, como tuberculose, hanseníase, HIV/Aids são consideradas 
condições crônicas. 
Os ciclos de evolução das condições agudas e crônicas são muito diferentes. 
As condições agudas, em geral, iniciam-se repentinamente; apresentam uma 
causa simples e facilmente diagnosticada; são de curta duração; e respondem bem 
a tratamentos específicos, como os tratamentos medicamentosos ou as cirurgias. 
Existe, tanto para os médicos quanto para as pessoas usuárias, uma incerteza relati-
vamente pequena. O ciclo típico de uma condição aguda é sentir-se mal por algum 
tempo, ser tratado e ficar melhor. A atenção às condições agudas depende dos 
conhecimentos e das experiências profissionais, fundamentalmente dos médicos, 
para diagnosticar e prescrever o tratamento correto. Tome-se, como exemplo de 
condição aguda, uma apendicite. Ela começa rapidamente, com queixas de náusea 
e dor no abdômen. O diagnóstico, feito no exame médico, leva a uma cirurgia para 
remoção do apêndice.