Legislação Comercial - Intro_Cambiario

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Legislação Comercial: Introdução ao Direito Cambiário
Prof. Thiago Pires
Mestre em Direito (UFBA)
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Sumário
Conceito de títulos de crédito
Princípios
Características
Classificação e espécies
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Generalidades 
O DIREITO CAMBIÁRIO é a subdivisão do direito comercial / empresarial que se ocupa de regular os títulos de créditos.
Ele é disciplinado por regras específicas previstos em leis próprias aplicáveis a cada espécie de título, algumas, inclusive, são internacionais.
Obs.: apesar do Código Civil prever regras sobre os títulos de credito, prevalecem as leis específicas.
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Conceito de título de crédito
Título de crédito é o documento necessário para o exercício do direito, literal e autônomo nele mencionado.
Esta definição foi criada pelo jurista italiano Cesare Vivante e está prevista no Código Civil de 2002:
Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei. 
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Princípios da legislação cambiária
Trata-se de uma criação dos doutrinadores da legislação cambiária.
Os mais importantes PRINCÍPIOS são:
CARTULARIDADE
LITERALIDADE
AUTONOMIA
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Princípio da cartularidade
Os títulos de crédito são documentos. 
São documentos necessários para o exercício de um direito. 
Desta necessidade aduz-se o princípio da cartularidade:
Somente QUEM possui a cártula \u2014 o documento \u2014 pode pretender que o direito nela contido seja satisfeito.
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Princípio da cartularidade
O princípio da cartularidade implica que os títulos de crédito devem ser materializados em um documento tangível, isto é, físico.
OBS.: os títulos de crédito virtuais (eletrônicos):
A lei NÃO obriga que o título de crédito materialize-se em um documento necessariamente de papel, mas deve ser algo que, por exemplo, possa ser entregue ao devedor, quando este quitar a dívida; que possa ser entregue a terceiro, quando o título for negociado.
Esta exigência, como se vê, está intimamente ligada à circulação de riquezas. 
Se o título de crédito não for um documento que possa circular, seu objetivo não será atendido. 
A partir do momento em que se possa circular títulos de créditos virtuais com segurança, estes poderão ser considerados como tais, pois atenderão ao objetivo do Direito Cambiário.
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Princípio da literalidade
O princípio da literalidade guarda certa relação com o princípio da cartularidade. 
Se o título de crédito é o documento necessário para a satisfação de um crédito, neste documento devem estar contidos todos os dados para a satisfação deste crédito.
Daí surge o princípio da literalidade. Um credor não pode exigir mais do que está descrito em um título de crédito, assim como um devedor não pode pagar menos. 
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Princípio da literalidade
De acordo com este princípio, SOMENTE vale o que está no título.
Tudo deve estar ESCRITO no título!
Caso a quitação seja parcial, esta deverá ser descrita no próprio título. 
Da mesma forma, endossos, avais e aceites \u2014 institutos que veremos mais a frente \u2014 também deverão estar contidos no documento que materializa o título de crédito.
Outro princípio que guarda relação com o objetivo dos títulos de crédito: a circulação de riquezas. Se para isto fosse necessário outro documento ou obter dados contidos em algum outro lugar, a circulação de riquezas estaria prejudicada.
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Princípio da autonomia
De acordo com esse princípio, cada obrigação cambiária é independente de qualquer outra obrigação cambiária.
Também conhecido como independência recíproca ou autonomia das obrigações.
Isto ocorrerá mesmo que contidas na mesma cártula, assim como é autônoma em relação a qualquer outro tipo de obrigação jurídica.
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Princípio da autonomia
efeitos:
cada pessoa que assina um título de crédito (emitente, aceitante, endossante ou avalista) tem responsabilidade autônoma e independente em relação ao título.
 Assim, a autonomia significa que as obrigações contidas em um mesmo título \u2014 endossos e avais, mesmo que invalidadas, não prejudicam as demais.
Subprincípios:
Abstração (independente da origem do título)
Inoponibilidade a terceiros de boa fé (o devedor não pode deixar de pagar a 3º )
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Características
Negociabilidade: circulação.
Executividade: títulos executivos.
Obrigações creditícias, expressas em dinheiro: são títulos de resgate.
Formalidade: Documentos formais.
Obrigações quesíveis: dever do credor cobrar do devedor a importância devida
Natureza comercial.
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Classificação e espécies
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Títulos próprios X impróprios
Há ainda a divisão entre títulos próprios e impróprios.
Os títulos impróprios são os que:
não estampam obrigações pecuniárias; ou
não possuem natureza estritamente cambiária.
Exemplos: cédulas de crédito rurais e bancárias, letra hipotecária, títulos imobiliários.
Títulos próprios:
letra de câmbio
nota promissória
cheque 
duplicata