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AULA CIENCIA POLITICA-TGE - ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO - PARTE I

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OS ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO
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Principais elementos “definidores” (manifestações físicas e sociais) de uma determinada realidade do Estado:
Governo/Soberania
População
Território
Finalidades
Elementos materiais
Elemento formal
Elemento teleológico
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ESTADO, GOVERNO E SOBERANIA: UMA PERSPECTIVA HISTÓRICA 
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A RESPEITO DO GOVERNO
GOVERNO relaciona-se à gestão, à administração cotidiana dos negócios públicos e se expressa pelo conjunto de normas, princípios, aparato técnico-administrativo e ações que orientam, condicionam, determinam a vida social sob a égide de fundamentações, sistemas e formas diversos.
Tomando-se como referência as mais diversas formulações a respeito do GOVERNO, podemos depreender que tal elemento constitutivo do Estado se refere não somente ao aparelho organizacional e político da entidade estatal, mas também à expressão do poder soberano.
A princípio não seria lógica a dissociação entre GOVERNO e SOBERANIA – entretanto, sob determinadas circunstâncias, pode ocorrer uma cisão entre GOVERNO e SOBERANIA, como por exemplo nas condições existentes em uma área colonial ou em Estados que estejam muito fragilizados e que estejam sob tutela de outros sujeitos do direito (Estados, organizações internacionais), como os casos do Haiti, Timor Leste, Iraque.
 
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Algumas questões preliminares acerca do Estado e da Soberania:
A soberania sempre se confundiu com a legitimidade do regime vigente, ou seja, a autoridade dos detentores do poder sempre se baseou em um determinado entendimento do que seria a soberania; 
Segundo Jean-Jacques Roche, “...a soberania apresenta-se, não como um predicado absoluto e intangível, mas como o instrumento de legitimação de um poder, habilitado a se transformar e a organizar juridicamente as mudanças sociais.”
A noção de soberania sempre esteve atrelada à luta pelo poder – fosse ela de origem divina ou popular, a soberania servia de justificativa tanto para a dominação quanto para o questionamento dessa dominação, o que fez seu significado sempre estar no centro do debate político;
Várias doutrinas se sucederam no intento de explicar o sentido da soberania – a evolução desse conceito acompanhou a história das mudanças no poder político e, assim, inicialmente, soberano foi o qualificativo atribuído à monarquia e seu titular; depois, com o progresso das idéias liberais, à nação, ao povo, ao Estado;
A soberania, segundo Jellinek, é uma concepção política que só mais tarde se configurou como noção jurídica – por ter se formado sob a influência de causas históricas, a soberania não é portanto um conceito absoluto e imutável.
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OBSERVAÇÕES ACERCA DA AMBIÊNCIA HISTÓRICA DO NASCIMENTO DA SOBERANIA (I)
Ainda que alguns autores acreditem que tanto os gregos como os romanos já se organizavam em Estados soberanos de fato, o surgimento do conceito de soberania é normalmente identificado com a formação do Estado Moderno;
A origem histórica da soberania remonta à Idade Média, mais precisamente à Baixa Idade Média, período durante o qual os reis procuraram centralizar o poder, inicialmente pulverizado entre os senhores feudais – o Estado moderno surgiu graças à desagregação e ao colapso do regime feudal, em um processo no qual alguns reis foram bem sucedidos em submeter senhores feudais à sua autoridade incontestável e, graças a isso, em monopolizar a soberania para seu proveito exclusivo;
Além disso, alguns destes reis tiveram que lutar contra as tendências “universalizantes e centralizadoras” do Papado (da Igreja Católica) e dos Imperadores do Sacro Império Romano-Germânico – a partir do momento em que os reis lograram consolidar o princípio segundo o qual “o rei é imperador no seio do seu reino”, deixando de reconhecer a existência de um poder superior (interna e externamente), consolidam-se como PODER SOBERANO;
No que se refere à doutrina, atribui-se a Maquiavel a formulação da primeira concepção de poder supremo e unificado do Estado – mas foi o pensador francês Jean Bodin, em sua obra, Os Seis Livros da República (1576), que popularizou tal conceito, instituindo a soberania como elemento fundamental do Estado
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O objetivo da obra de Bodin era o de fundar filosófica e juridicamente a República sobre um conceito de poder cuja origem não era divina – mesmo que o monarca devesse respeitar o direito natural e a lei divina, a lei propriamente dita proviria da vontade humana do soberano, sendo a lei equivalente à ordem que o soberano proferiria com base em seu poder e não estando este poder subordinado a nenhum outro poder;
Assim Jean Bodin definiu a soberania como poder perpétuo e absoluto, cujos traços característicos seriam os poderes de decretar a guerra ou fazer a paz, de nomear pessoas para os principais cargos, de julgar em última instância, de outorgar graça aos condenados e de impor a lei a todos em geral e a cada um em particular;
Portanto, na segunda metade do século XVI, a partir da obra de Bodin, a soberania tinha um sentido bem preciso – ela designaria o caráter de todo poder não-vassalo, particularmente, do poder real, QUE NÃO SERIA VASSALO DE NENHUM OUTRO;
Com o colapso do FEUDALISMO, o poder interno dos monarcas não poderia se firmar de maneira efetiva sem que, EXTERNAMENTE, a exclusividade desse poder fosse reconhecida – esse reconhecimento, ESSENCIAL À CONSOLIDAÇÃO DOS ESTADOS SOBERANOS NA EUROPA, veio com os TRATADOS WESTFÁLIA celebrados em 1648 (que encerraram a GUERRA DOS TRINTA ANOS – 1618/1648)
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A paz de Westfália (1648) – algumas considerações (I):
Com o fim da Guerra dos Trinta Anos e a assinatura dos Tratados de Westfália, afirmou-se a IGUALDADE JURÍDICA entre os Estados, consolidando-se a aceitação do princípio da SOBERANIA ESTATAL, razão pela qual podemos afirmar que estes tratados marcaram os primórdios da atual SOCIEDADE INTERNACIONAL;
A idéia da existência de uma sociedade internacional era defendida por HUGO GROTIUS, cuja perspectiva serviu de modelo para a paz de Westfália – para GROTIUS, o Estado era o titular da SOBERANIA e seu poder somente poderia ser chamado de soberano quando SUAS AÇÕES NÃO ESTIVESSEM SUJEITAS AO CONTROLE LEGAL DE OUTRO PODER, DE FORMA QUE NÃO PUDESSEM SER TORNADAS NULAS PELA AÇÃO DE OUTRA VONTADE HUMANA;
A igualdade entre os Estados pode ser considerada uma conseqüência lógica do próprio conceito de soberania – os tratados que celebraram a paz de Westfália foram responsáveis, não pela emergência dos Estados-Nação, mas pelo nascimento de uma SOCIEDADE INTERNACIONAL, marcada pela aceitação, pelos Estados, de regras e instituições obrigatórias e pelo seu interesse comum em mantê-las.
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A paz de Westfália (1648) – algumas considerações (II):
De acordo com as regras e instituições obrigatórias que passaram a ser aceitas pelos Estados e que derivaram dos tratados de Westfália, o mundo é dividido em Estados Soberanos iguais perante a lei, não importando as possíveis assimetrias de poder existentes; 
Esses Estados passaram a concentrar em suas mãos o processo de CRIAÇÃO e EXECUÇÃO do Direito, não reconhecendo a existência de uma autoridade superior;
A partir destes tratados, ainda que os Estados monárquicos europeus buscassem estabelecer relações duradouras entre eles, tais relações somente deveriam interferir minimamente em suas liberdades de ação, não podendo limitá-los no sentido do atingimento de seus objetivos políticos;
Assim, o direito internacional limitar-se-ia a estabelecer as regras mínimas de coexistência entre os Estados, continuando as disputas entre eles a serem resolvidas pelo uso da força;
Tais condições que se produziram há mais de três séculos, criaram as bases, tanto para a criação do modelo do Estado Soberano, assim como para o desenvolvimento do sistema descentralizado de Estados-Nação iguais e soberanos que se consolidaria posteriormente.
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O ápice da concepção e da prática do poder soberano: Thomas Hobbes e o Absolutismo:
A explicação mais comum para o nascimento do Estado é a explicação