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APONTAMENTOS DE REGIMES E SISTEMAS POLÍTICOS

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dos oceanos contra os derrames petrolíferos, o do buraco do ozono,, e outros, não                           
são resolúveis por um só Estado - Nação, mas num quadro global e mundial. Por                             
outro lado, a cidadania, ao deixar de ser apenas nacional, está a deixar de ser                             
exclusiva e incompatível com outras cidadanias. A multiculturalidade das sociedades                   
ocidentais desliga definitivamente também cidadania de nacionalidade, pluralizando               
as cidadanias, ou seja, configurando, por um lado, cidadanias plurinacional e                     
pluriculturais e, por outro lado, cidadanias múltiplas. A cidadania é pois um conceito                         
polissémico e uma realidade plurifacetada. ​Cidadania quer dizer liberdade,                 
participação igualitária, solidariedade social, qualidade de vida. ​Cidadania quer                 
também dizer nacionalismo e patriotismo, enquanto pressupõe Estado-Nação e a sua                     
defesa, identificação com a comunidade nacional, com a sua tradição cultural e o                         
seus valores sociais. 
 
→ CRISE DAS RELAÇÕES ESTADO-SOCIEDADE: ​O Welfare State gerou a ​socialização da                       
política e a estadualização da sociedade, a mercantilização da política e a                       
politização da economia, provocando ​alterações na demarcação entre esfera                 
pública e esfera privada, ​originou o aparecimento de uma economia mista e de uma                           
política mista, com a desprivatização da economia e a despublicização do Estado. O                         
princípio político da direção foi introduzido na vida económica e a lógica do mercado                           
do Estado. O Welfare State significou um contrato social, um compromisso entre                       
liberdade económica e igualdade social, entre a economia de mercado e dirigismo                       
estatal, entre capital e trabalho. Ora dá-se hoje a erosão social das partes, com a                             
complexificação e diversificação dos interesses do trabalho e do capital, pela crise de                         
representação e de mediação de interesses, quer social quer política. A crise do                         
sindicalismo de indústria é, simultaneamente, uma crise de agregação de interesses,                     
uma crise de mobilização, e uma crise de identidade das subculturas profissionais e                         
laborais. 
  
 
 
   
III. REGIMES POLÍTICOS   
 
TEORIAS DO TOTALITARISMO E AUTORITARISMO 
 
Destacando a comparação estrutural, diferenciam politologicamente regimes             
independente das suas ideologias, agregando de um lado as ditaduras estalitinistas                     
e nazis, e do outro as ditaduras que não conseguiram idênticos níveis de dominação. 
Apesar do nazismo e bolchevismo terem posições diferentes perante a Revolução                     
Francesa, ​partilham da mesma filosofia iluminista da história: o triunfo da                     
Racionalidade e da Ciência sobre o obscurantismo. ​Aquilo que diferencia as                     
ditaduras contemporâneas das do passado é o facto de ​serem ditaduras de partido.                         
Daí que para a sua caracterização, seja indispensável analisar esta diferença                     
constitutiva, nomeadamente em certos aspetos: ​relação partido-estado; formas de                 
dominação e repressão; concentração do poder e competitividade; ideologia e                   
mobilização política; condições de possibilidade do totalitarismo.  
 
→ RELAÇÃO PARTIDO-ESTADO: ​As ​ditaduras totalitaristas ​são ditaduras de                 
movimento, ​que visam destruir o Estado, criando para isso um ​dualismo de                       
estruturas, mas em que as do Estado se subordinam às do partido. ​O partido,                           
entendido como movimento é a fonte originária do poder e assume uma função de                           
direção. O ​totalitarismo ​é o contrário à ​divinização do Estado é a absolutização do                           
seu poder, ​logo é anti hegeliano. As ​ditaduras autoritárias são ditaduras de partido                         
que visam assumir o poder de Estado, ocupar as suas estruturas. O partido                         
subordina-se ao Estado, que se absolutiza. ​O partido tem apenas um poder derivado                         
e desempenha uma função de suporte.  
 
→ FORMAS DE DOMINAÇÃO E REPRESSÃO: ​A ​dominação totalitária é mais vasta, mais                         
intensa e é a maior repressão. ​O totalitarismo é um regime de terror indistinto, que                             
visa cidadãos indefesos e inofensivos, e não apenas opositores. O monopólio do                       
poder não é apenas político mas também social. ​A dominação autoritária é mais                         
reduzida e menos intensa. Por isso a ​repressão é menos forte, mais seletiva, atingindo                           
apenas os que se manifestam contra, a oposição organizada, a crítica pública. ​Visa                         
tão só reprimir, colocar liberdade, mas não eliminá-la. O monopólio do poder                       
pretende-se apenas político.  
 
→ CONCENTRAÇÃO DO PODER E COMPETITIVIDADE: ​Nos regimes totalitários, a                   
concentração do poder é maior. Existe um único centro do poder e total ​ausência de                             
competitividade. ​A situação é de monismo político e social. Nos regimes autoritários,                       
conhece-se ​algum pluralismo, vários centros de poder, alguma competição simulada                   
ou controlada.  
 
→ IDEOLOGIA E MOBILIZAÇÃO POLÍTICA: ​Os regimes totalitários são fortemente                   
ideologizados, de grande e intensa mobilização política. Conhecem a apoteose da                     
política, que tudo invade. Tudo se politiza. ​O totalitarismo significa a invasão da                         
sociedade civil pela sociedade política, ​a destruição da fronteira entre a Sociedade e                         
a Política, entre o poder administrativo e o poder político. Em vez de funcionários                           
públicos existem comissários políticos. O totalitarismo militariza a política e                   
subordina as Forças Armadas à política. Os autoritarismos têm uma ​ideologia                     
conservadora de contenção de massas, visam o seu enquadramento mais do que a                         
sua mobilização. ​Querem a sociedade organizada e despolitizada. ​Separam o                   
político do social. Pretendem a mera ​fiscalização de comportamentos e não a sua                         
estandardização. São regimes mais pragmáticos e pouco ideológicos. O                 
autoritarismo politiza as Forças Armadas, confere-lhes poder político.  
 
→ CONDIÇÕES DE POSSIBILIDADE DO TOTALITARISMO: ​O totalitarismo só é possível                     
em sociedade de massas. Só a ​massificação das sociedades as atomiza e                       
desintegra,a ponto de tornar possível a sua mobilização intensa. ​Por outro lado, o                         
totalitarismo exige massas dispensáveis, que tornem possível a estratégia de terror                     
em que se baseia. O totalitarismo exige também novas técnicas de destruição. Não é                           
fácil exterminar multidões, o que exige tecnologia de extermínio eficiente.  
 
 
MODELOS DE AUTORITARISMO: AUTORITARISMO CONSERVADOR E           
AUTORITARISMO MODERNO (FASCISMO)  
 
Gino Germani contrapõe o autoritarismo conservador e tradicionalista ao                 
autoritarismo moderno/modernização e mobilização (participação). O processo de               
modernização traduzir-se-ia numa ​crescente secularização (passagem de uma