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APONTAMENTOS DE REGIMES E SISTEMAS POLÍTICOS

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lista (Shugart & Wattemberg), territorialmente distintos. 
Se essas duas fórmulas agem independentemente uma da outra, temos ​“sistemas                     
mistos de combinação dependente” ​(Chiaromonte).  
Temos ainda sistemas mistos de correção, quando os lugares proporcionais são                     
atribuídos para corrigir as distorções provocadas pelo maioritário, e sistemas mistos                     
condicionais, em que uma fórmula só entra em jogo se os resultados da aplicação da                             
outra não respeitam as condições pré- estabelecidas. O mais conhecido é o ​sistema                         
alemão. 
 
 
 
O SISTEMA PROPORCIONAL PERSONALIZADO DA ALEMANHA 
 
Considerado por muitos como os dos mais conseguidos sistemas do mundo, e por 
isso imitado por muitas reformas, que nele se inspiram, o sistema alemão é 
“maioritário nas premissas, mas proporcional nos seus feitos”.  
 
SÍNTESE: 
Um terceiro tipo de sistema eleitoral, o sistema misto. Neste sistema, os deputados 
são eleitos de duas maneiras diferentes: em círculos uninominales e círculos amplos 
que garantem um resultado proporcional para os partidos. Os dois tipos de 
deputados coexistem no Parlamento e podem acolher ao eleitores de diferentes 
maneiras. Dependendo se há mecanismos que garantam a proporcionalidade, 
falamos de ou de . 
O primeiro tipo, o proporcional, é usado na Alemanha. Ela é usada tanto para o 
Parlamento Federal (Bundestag) como nos parlamentos dos estados federais. Ele foi 
recentemente introduzido no Reino Unido (parlamentos da Escócia e País de Gales). 
Os politólogos consideram frequentemente o sistema misto proporcional como uma 
fusão num só sistema das vantagens dos sistemas proporcionais e majoritários: 
proximidade entre eleitores e eleitos e variedade de partidos com representação 
parlamentária. 
 
 
SISTEMA ELEITORAL EM PORTUGAL 
 
O sistema eleitoral para a Assembleia da República é proporcional. Criam-se listas 
eleitorais fechadas que os partidos e coligações de partidos apresentam nos círculos 
eleitorais. A distribuição de cadeiras é feito de acordo com um método matemático 
chamado "Regra de Hondt". 
 
 
 
4. Sistemas Eleitorais e Sistemas Partidários  
 
a) Crítica da proporcionalidade  
 
A representação proporcional foi avançando em muitos países europeus, à medida                     
que a democracia de massas ia alastrando por virtude da universalização e da                         
igualitarização do sufrágio. 
Ao não exigir a maioria para se vencer uma eleição, a representação proporcional                         
facilita a multiplicação dos partidos, ao contrário do sistema maioritário que                     
promove a sua concentração.  
Para além disso, a representação proporcional radicaliza os partidos, enquanto o                     
sistema maioritário os modera, obrigando os extremismos ao compromisso, e                   
destruindo desse modo os radicalismos. Esta moderação do maioritário tende a                     
lubrificar o aparelho da democracia, levando a partidos a colaborar entre si,                       
fomentando a homogeneidade de opiniões e interesses, indispensável ao governo                   
democrático, contrariando os efeitos desagregadores da sociedade. A representação                 
proporcional alimenta o extremismo, debilita a própria oposição, e dificulta a                     
formação de governos estáveis.  
A representação proporcional dá aos partidos uma estrutura rígida doutrinária,                   
ideologiza-os, enquanto o sistema maioritário os pragmatiza, tornando-os               
semelhante, e pessoalizando a disputa eleitoral. A proporcional contribui contribui                   
para a desresponsabilização governativa dos partidos, pois permite que alguns deles                     
nunca tenham a experiência de governar.  
Por outro lado a representação proporcional permite o agrupamento de partidos em                       
torno de interesses económicos, o que raramente acontece no sistema maioritário,                     
sacrificando com facilidade a esses interesses particulares os interesses nacionais.                   
Para além de que deteriora a elite política, sacrificando a qualidade do pessoal                         
político à qualidade do ideário ou do programa.  
 
A representação proporcional tende a multiplicar o número de partidos. Estimulando                     
a criação de novos partidos.  
Mas, para além desta influência sobre o número dos partidos, os sistemas eleitorais                         
também influem sobre a estrutura interna dos partidos e sobre a sua dependência                         
recíproca, ou seja, sobre o sistema de alianças. 
 
 
5. Sistemas Eleitorais e Sistemas Políticos  
 
Os sistemas políticos têm influência não apenas sobre os sistemas de partido mas                         
também sobre todo o sistema político, e mais precisamente sobre as formas de                         
governo.  
No entanto, a adoção de um determinado sistema eleitoral depende do estado de                         
homogeneidade ou de fracturação da sociedade civil.  
 
 
a) Impacto dos sistemas eleitorais nos sistemas parlamentares  
 
Os sistemas eleitorais que geram sistemas de partidos fortes ou fracos tenderão a                         
configurar os parlamentos.  
Assim os sistemas eleitorais de representação proporcional, que favorecem a                   
partidocracia e fortes influências dos partidos nos sistemas políticos, proponderão a                     
criar parlamentos arenas, onde se privilegia a função política de debate. Por seu lado,                           
os sistemas maioritários, que tendem a reforçar o poder dos deputados,                     
enfraquecendo os partidos, produzirão mais facilmente parlamentos             
transformadores, em que a função legislativa é sobrevalorizada.  
 
 
 
b) Formas de governo e sistemas eleitorais  
Os sistemas de governo condicionam a opção de sistemas eleitorais. Os sistemas                       
presidenciais ou semi presidenciais exigem sistemas maioritários uninominais para                 
escolha direta do chefe de Estado ou de governo e, com eles, democracias                         
maioritárias. Nos sistemas semi-presidenciais, a par da eleição direta do Chefe de                       
Estado está também a eleição direta do parlamento, que aponta para outras                       
possibilidades.  
Já os sistemas de governo parlamentares, onde os executivos são designados                     
indiretamente, coexistem tanto com os sistemas de representação proporcional como                   
com sistemas maioritário. 
 
11. PARTIDOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS  
 
Os partidos são condição indispensável da democracia, que se organiza através                     
deles.A democracia do Estado moderno é por isso uma democracia indireta, de                       
partidos, ou parlamentar.  
Os partidos nasceram com o governo representativo, ou seja, com o pluralismo do                         
parlamentarismo liberal, quando se começaram a formar frações nos parlamentos.  
Outrora haviam existido fações, mas não propriamente partidos. O que distingue                     
partidos do liberalismo das anteriores fações tradicionais, ou dos clubes e comités, é                         
o seu carácter permanente, a sua estrutura organizativa rígida, e não flexível.  
Os partidos do parlamentarismo são formas de mediação estrutural e duradoura                     
entre os parlamentares e os eleitores, entre a sociedade civil e o Estado. A                           
estatização dos partidos, a sua transformação em órgãos do Estado, ocorre apenas                       
mais tarde, com o aparecimento do “Estado de partidos”, resultante da interação