Agricultura Internacional e o Meio Ambiente - Livro-Texto - Unidade II
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AGRICULTURA INTERNACIONAL E O MEIO AMBIENTE
Unidade II
3 INSTRUMENTOS ECONÔMICOS DE POLÍTICA AMBIENTAL
3.1 Padrões de emissão e certificados negociáveis
Segundo o MMA (BRASIL, [s.d.]m),
A atividade econômica usualmente produz efeitos indiretos (externalidades 
negativas) que provocam perdas de bem\u2011estar para os indivíduos afetados. 
Uma das formas de corrigir esses efeitos adversos é a utilização de 
Instrumentos Econômicos (IEs), cuja função principal é internalizar custos 
externos nas estruturas de produção e consumo da economia. Os IEs 
representam uma das estratégias de intervenção pública, complementar 
aos tradicionais mecanismos de comando e controle, que busca aperfeiçoar 
o desempenho da gestão e sustentabilidade ambiental, influenciando o 
comportamento dos agentes econômicos e corrigindo as falhas de mercado.
São Instrumentos Econômicos atualmente sendo trabalhados pelo Ministério:
\u2022 Compensação Ambiental:
 As políticas de Compensação Ambiental estão fundamentadas no 
princípio do poluidor\u2011pagador, o qual estabelece que os custos e 
as responsabilidades resultantes da exploração ambiental dentro do 
processo produtivo deverão ser arcados pelo agente causador do 
dano. A Compensação Ambiental é um mecanismo financeiro que 
busca orientar, via preços, os agentes econômicos a valorizarem os 
bens e serviços ambientais de acordo com sua real escassez e seu 
custo de oportunidade social.
\u2022 Fomento:
 É uma atividade institucional que se propõe a promover incentivos 
econômicos objetivando o desenvolvimento sustentável. Utiliza 
instrumentos fiscais, tributários e creditícios diversos por meio dos 
quais os agentes econômicos se dispõem, em contextos específicos, 
a desenvolver atividades produtivas de bens e serviços, inclusive de 
geração de conhecimentos e tecnologias para a sustentabilidade.
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 São modalidades o fomento:
\u2014 à produção sustentável;
\u2014 à produção de conhecimentos;
\u2014 ao desenvolvimento sustentável;
\u2014 incentivos fiscais, tributários e creditícios.
 Observação
Externalidade: uma empresa pode gerar fatores que prejudicam 
empresas e as pessoas ao seu redor que não estão diretamente relacionados 
com os bens que produz, mas sim com suas consequências.
3.2 Política ambiental no Brasil e no mundo, ontem e hoje
Entende\u2011se por política ambiental as normas, leis e ações públicas visando à preservação do meio 
ambiente em um território. No Brasil, essa prática só foi adotada a partir da década de 1930. Nessa 
época, não se falava em desenvolvimento sustentável, porém já havia uma vertente de política ambiental 
orientada apenas para preservação. O primeiro Código Florestal Brasileiro foi instituído pelo Decreto 
nº 23.793/1934, no qual eram definidas bases para proteção dos ecossistemas florestais e para regulação 
da exploração dos recursos madeireiros.
 Saiba mais
Você pode conhecer toda a legislação do Código Florestal Brasileiro por 
meio do site:
BRASIL. Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Brasília, 2012c. Disponível 
em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011\u20112014/2012/lei/l126 
51.htm>. Acesso em: 10 jul. 2015.
A política ambiental preservacionista da década de 1930 foi colocada em segundo plano nas décadas 
de 1940 e 1950, quando foram concentrados esforços na industrialização do país.
O processo de expansão industrial se intensificou no Brasil a partir da década de 1950, quando, 
em seu segundo mandato presidencial, Getúlio Vargas tomou importantes iniciativas nas áreas 
sociais e econômicas.
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Nesse período, foram fundados o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico, hoje com 
a denominação de Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em 1952, e a 
Petróleo Brasileiro S/A (Petrobras), em 1953. Após ser muito pressionado, Getúlio Vargas não suportou e 
supostamente se suicidou com um tiro no peito em 24 de agosto de 1954.
Após a morte de Vargas, João Fernandes Campos Café Filho \u2013 vice de Vargas \u2013 assumiu o poder. 
Nas eleições de 1956, o candidato Juscelino Kubitschek de Oliveira venceu, tendo João Belchior 
Marques Goulart (Jango) como vice\u2011presidente. Ele ficou no poder do dia 31 de janeiro de 1956 até 
31 de janeiro de 1961, quando passou o cargo para Jânio da Silva Quadros. Seu grande objetivo era 
atrair indústrias estrangeiras.
O governo de Juscelino foi marcado pelas políticas cambial e de comércio exterior, bem como 
pela política industrial, delineada pelo Plano de Metas e apoiada num complexo sistema cambial 
e numa nova tarifa alfandegária. Essas políticas provocaram grandes mudanças na sociedade e na 
economia brasileira.
No começo de seu governo, Juscelino Kubitschek apresentou ao povo brasileiro o seu Plano de 
Metas, cujo lema era \u201ccinquenta anos em cinco\u201d, com a pretensão de desenvolver o país cinquenta 
anos em apenas cinco anos de governo. O plano previa investimentos em áreas necessárias para o 
desenvolvimento econômico, principalmente infraestrutura (rodovias, hidrelétricas, aeroportos) e 
indústria, como as Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A (Usiminas).
Foi na área do desenvolvimento industrial que ele teve maior êxito, com a abertura da 
economia para o capital internacional, atraindo o investimento de grandes empresas, como as 
montadoras de automóveis.
Para impulsionar o desenvolvimento econômico\u2011financeiro do país, as políticas ambientais foram 
deixadas de lado e, consequentemente, seus avanços estagnaram.
Apenas nos primeiros anos da década de 1960, algumas ações foram realizadas, como a 
aprovação da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, que instituía o novo Código Florestal 
Brasileiro, estabelecendo novos parâmetros, como a criação das Áreas de Proteção Permanente 
(APPs), que permaneceriam intocáveis para garantir a integridade dos serviços ambientais, e da 
Reserva Legal, que transferia compulsoriamente para os proprietários rurais a responsabilidade e o 
ônus da proteção e a responsabilização dos produtores rurais sobre a criação de reservas florestais 
em suas áreas, demonstrando preocupação com a conservação do meio ambiente e visando, 
sobretudo, à conservação dos recursos florestais.
Quase dois anos após a origem do novo Código Florestal brasileiro, foi criado o Instituto Brasileiro de 
Desenvolvimento Florestal (IBDF), que tinha a missão de formular a política florestal no país e adotar as 
medidas necessárias à utilização racional, à proteção e à conservação dos recursos naturais renováveis.
Além da realização da Conferência de Estocolmo de 1972, na qual o Brasil defendia a ideia de que 
o melhor instrumento para combater a poluição era o desenvolvimento econômico e social, nos anos 
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seguintes, graças às pressões realizadas pelos movimentos ambientalistas, o Brasil retomou o emprego 
de ações destinadas a ampliar a política ambiental no país. A primeira atitude foi a criação, no ano de 
1973, da Secretaria Especial de Meio Ambiente (Sema), vinculada ao Ministério do Interior e orientada 
para a preservação do meio ambiente e a manutenção dos recursos naturais no país para conservação 
do meio ambiente e uso racional dos recursos naturais, passando a dividir funções com o Instituto 
Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF).
Na década de 1980, abriu\u2011se espaço para novos órgãos, como o Sistema Nacional de Meio Ambiente 
(Sisnama), o Conselho Nacional