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TEXTO 02 - Primórdios do Behaviorismo Pavlov, Watson e Guthrie

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de relaxamento, 
porque esse é incompatível com o medo ou com a ansiedade. A etapa final é apre-
sentar o estímulo mais suave enquanto o paciente está relaxado e aumentar progres-
sivamente a intensidade, com estímulos mais potentes, até que o paciente comece a 
se sentir desconfortável. Nesse ponto, o terapeuta dá uma parada e pratica de novo o 
relaxamento. O objetivo é apresentar o estímulo mais forte sem evocar a reação inde-
sejada. (Esse procedimento é uma versão sofisticada da técnica do limiar de Guthrie, 
descrita no Capítulo 2.)
Os procedimentos de contracondicionamento também foram usados com suces-
so na área médica. Smeijsters e Van den Berk (1995), por exemplo, trataram uma 
paciente que sofria de uma forma de epilepsia facilmente evocada por música (epi-
lepsia musicogênica) – no caso dela, por qualquer tipo de música. Com o tempo, os 
pesquisadores conseguiram condicionar imagens e palavras-chave específicas para os 
estímulos musicais de forma que, no final, a mulher podia ouvir certos tipos de música 
sem ter ataques. Um segundo exemplo de contracondicionamento na prática médica 
envolveu associar atividades agradáveis a rotinas médicas simuladas com crianças pe-
Condicionamento Operante: O Behaviorismo Radical de Skinner 137
quenas, para conseguir respostas contracondicionadas incompatíveis com medo, dor 
e ansiedade antes da realização de procedimentos médicos concretos (procedimentos 
invasivos como aspiração de medula óssea, punção lombar ou venosa) (Slifer, Babbitt 
e Cataldo, 1995).
Extinção
Do mesmo modo como os ratos de Skinner aprenderam a pressionar uma barra para 
acionar o mecanismo que liberava o alimento, os humanos podem deixar de apresentar 
formas indesejáveis de comportamento com a remoção da fonte de reforçamento. Essa 
técnica pode ser usada sempre que um comportamento é mantido por reforçamento 
positivo que está sob controle do pesquisador ou do terapeuta. Por exemplo, em crian-
ças pequenas, certos tipos de comportamento de busca de atenção podem ser extintos 
simplesmente ignorando-os. Walker e Shea (1991) descrevem uma situação na qual 
John, um estudante, perturbava sua classe com barulhos esquisitos que faziam todos 
rirem. Toda vez que o professor chamava atenção para esse comportamento repreen-
dendo John, a classe ria novamente (e John mais ainda). Por fim, a classe foi instruída 
a ignorar o que John fazia; todos os alunos que o fizessem seriam recompensados com 
tempo livre. John seguiu fazendo graça por alguns dias, mas ninguém mais prestou 
atenção. Uma semana depois, o comportamento parecia ter sido extinto.
Extinção Usando Reforçamento Não Contingente
Como o exemplo de extinção, Hanley, Piazza e Fisher (1997) trataram com sucesso 
um comportamento destrutivo reforçado pela atenção em dois meninos (de 11 e 16 
anos de idade), dando-lhes atenção deliberada e sistemática quando eles não estavam 
sendo destrutivos. Isso, o uso do reforçamento não contingente, é um procedimento 
de extinção largamente utilizado. Um procedimento de extinção, com base no refor-
çamento não contingente não remove o reforçamento que vem mantendo o compor-
tamento indesejável, mas rearranja sua apresentação de forma que ele não se torne 
mais contingente em relação ao comportamento indesejável. Em vez disso, o reforça-
dor é apresentado em outras ocasiões.
A Posição de Skinner: Uma Avaliação
“A ciência comportamental”, escreve Mills “atingiu o seu mais elevado e completo 
desenvolvimento com os escritos de Skinner” (1998, p. 123). Mais de meio século 
depois que sua teoria foi apresentada pela primeira vez, continua a ser a análise mais 
pesquisada e compreensível sobre o comportamento humano (Vargas, 2001). Não 
é à toa que Skinner é considerado um dos “mestres construtores” da Psicologia; ele 
se destaca no pensamento psicológico como um dos seus maiores e mais populares 
porta-vozes.
Embora tenha sido Watson quem definiu o behaviorismo, e muitos outros teóricos 
tenham contribuído significativamente para seu desenvolvimento, o nome de Skinner 
está, mais que qualquer outro, ligado à psicologia behaviorista.
138 Teorias da Aprendizagem
Contribuições
Quando pediram a 186 psicólogos que listassem os principais autores e os livros 
mais importantes na área da Psicologia, o Beyond Freedom and Dignity,13 de Skinner 
(1971), ficou entre os cinco primeiros indicados. Esses mesmos psicólogos aponta-
ram Skinner como um dos cinco autores mais importantes da Psicologia (Norcross 
e Tomcho, 1994).
Provavelmente a maior contribuição de Skinner para a compreensão do compor-
tamento humano seja a sua descrição dos efeitos do reforçamento sobre a resposta. 
Além disso, ampliou essas descobertas para indivíduos e grupos sociais, e até mesmo 
para culturas inteiras (ver, por exemplo, Skinner, 1948, 1953, 1971). Como destacam 
O’Donohue e Ferguson (2001), muitos dos problemas atuais – superpopulação, po-
luição, conflitos e guerra – estão relacionados ao comportamento humano. O sonho 
de Skinner era de que uma ciência do comportamento humano que buscasse prever e 
controlar o comportamento e pudesse também ajudar a solucionar esses problemas.
Por meio de seus numerosos livros e apresentações, e também por sua incontestá-
vel habilidade de liderança, Skinner exerceu enorme influência sobre vários teóricos, 
muitos dos quais incorporaram grande parte do seu sistema a suas próprias posi-
ções. Sua teoria foi aplicada diretamente em muitas áreas. Por exemplo, na instru-
ção programada – uma técnica de ensino baseada especificamente nos princípios do 
condicionamento operante. Uma segunda aplicação muito importante dos princípios 
skinnerianos, como vimos, é a modificação do comportamento.
Avaliação como uma Teoria
No que diz respeito aos critérios para avaliação de boas teorias, descrito no Capítulo 1, 
o sistema de Skinner se sai relativamente bem. É muito pesquisado e bem definido, 
reflete os fatos, especialmente aqueles ligados às relações entre eventos de reforça-
mento e as características da resposta. Claro e compreensível, esse sistema explica per-
feitamente bem alguns aspectos do comportamento e permite fazer prognósticos que 
podem ser verificados. Não se baseia em pressupostos inverificáveis e resultou numa 
enorme quantidade de pesquisas e avanços na compreensão do comportamento.
Algumas Objeções Filosóficas
Certos críticos insistem que o condicionamento operante de Skinner não explica os 
processos simbólicos e diz pouco sobre outros tópicos de interesse dos teóricos cog-
nitivos contemporâneos (tomada de decisão, solução de problema, percepção etc.). 
Outros estão insatisfeitos com a tentativa de explicar a linguagem por meio da teoria 
do reforçamento. Há ainda os que, como veremos no próximo capítulo, pensam que 
Skinner negligenciou o papel da biologia na aprendizagem.
13 SKINNER, B.F. O mito da liberdade. São Paulo: Summus Editorial, 1983. (NRT)
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Do outro lado, psicólogos alegam que o sistema de Skinner lida, sim, com tópicos 
cognitivos e que muitos apenas confundiram a rejeição do behaviorismo radical à uti-
lidade de evocar eventos mentais como explicações, com a rejeição à existência desses 
eventos mentais. O trabalho de Skinner foi quase sempre mal compreendido, alegam 
Malone e Cruchon (2001). Por exemplo, resumos da teoria tendem a menosprezar a 
contribuição dele à compreensão do comportamento verbal. Do mesmo modo, psi-
cólogos tendem a ignorar a explicação de Skinner para os conceitos “mentalísticos” 
como a autoconsciência – a qual, ele acreditava, surge daquelas contingências ambien-
tais que reforçam os humanos para a discriminação (estar consciente) de seu próprio 
comportamento (O’Donohue e Ferguson, 2001).
Se os comportamentos humanos mais importantes são operantes, a importância 
das explicações de Skinner não podem ser subestimadas. Há

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