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TEXTO 02 - Primórdios do Behaviorismo Pavlov, Watson e Guthrie

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condicionado, como um qua-
drado negro, também ele poderá evocar salivação. Esse exemplo de condicionamento 
de ordem superior algumas vezes é chamado de condicionamento de terceira ordem.
Como veremos adiante, muitos behavioristas, incluindo Skinner, utilizaram muito 
o conceito de condicionamento de ordem superior em suas teorias. Esse conceito am-
plia a aplicabilidade das teorias de condicionamento e oferece uma explicação para a 
Figura 2. 7
Representação hipotética de 
recuperação espontânea após 
a extinção. Note como a força 
da CR é menor após cada 
período de extinção e como 
são necessárias cada vez menos 
tentativas para a extinção.
1o dia 4o dia 7o dia 10o dia
Extinção e Recuperação Espontânea
Número de tentativas
Fo
rç
a 
da
 C
R
44 Teorias da Aprendizagem
observação de que as respostas, os estímulos e os reforços, em geral, ligam-se uns aos 
outros de maneiras complexas.
Implicações Educacionais do Condicionamento 
Clássico de Pavlov
Embora não estejamos sempre atentos a isso, o condicionamento clássico, especial-
mente o das respostas emocionais, ocorre em todas as escolas, todo o tempo. Pelo me-
nos em parte, é por meio dos processos não conscientes do condicionamento clássico 
que os estudantes vêm a gostar ou desgostar da escola, dos professores e de determi-
nadas matérias.
Para ilustrar o assunto, vamos assumir que, de início, uma determinada matéria, 
como matemática, seja um estímulo neutro, ou seja, não acarreta nenhuma reação 
emocional positiva ou negativa na maioria dos estudantes. Segue-se a isso o que sa-
bemos sobre o condicionamento clássico, isto é, que estímulos não neutros, que são 
repetidamente apresentados quando o estudante fica exposto à matemática, podem 
servir como estímulos incondicionados. Esses estímulos incondicionados poderiam 
estar associados a reações positivas (um professor sorridente e camarada, uma mesa 
confortável, um ambiente acolhedor) ou poderiam estar associados a reações negativas 
(um professor severo, exigente, cuja voz é desagradável, áspera; uma mesa desconfor-
tável, fria, e um ambiente não amistoso). Depois de um tempo, a matemática pode se 
tornar um estímulo condicionado associado a reações positivas ou negativas, depen-
dendo do estímulo incondicionado com o qual é repetidamente associada. Assim, é 
perfeitamente possível ensinar matemática enquanto se ensina os estudantes, por meio 
do condicionamento clássico, a gostar ou desgostar da matemática (ver Figura 2.8).
Dentre as implicações educacionais mais úteis do condicionamento clássico de 
Pavlov estão (Lefrançois, 2000):
• Os professores precisam fazer tudo o que puderem para maximizar a freqüência, a 
nitidez e a potência dos estímulos incondicionados agradáveis, na sala de aula.
• Os professores precisam tentar minimizar os aspectos desagradáveis da sala de 
aula, aprendendo a reduzir o número e a potência dos estímulos incondicionados 
negativos que atuam nela.
• Os professores precisam saber o que está sendo associado a que na sala de aula.
O Condicionamento Clássico de Pavlov: Uma Avaliação
Como ficará mais evidente nos próximos capítulos, a descrição do condicionamento 
clássico de Pavlov foi de fundamental importância no desenvolvimento inicial da psi-
cologia. É extraordinário que o trabalho realizado por esse fisiologista russo, exem-
plificado no estudo clássico de um cachorro que aprende a salivar em resposta a um 
tom, ainda seja, mais de um século depois, parte essencial de todo curso introdutório 
à psicologia, na maioria dos países do mundo. Mais que isso, muitos dos princípios do 
Primórdios do Behaviorismo: Pavlov, Watson e Guthrie 45
condicionamento clássico (como o de generalização e extinção) continuam a ser apli-
cados em psicologia clínica, na educação, na indústria, em todo lugar.
J ohn B. Watson (1878-1958)
Profundamente influenciado pelo modelo do condicionamento clássico, um jovem 
rebelde e determinado se dispôs a revolucionar a psicologia norte-americana – e con-
seguiu. Seu nome era John Broadus Watson.
Behaviorismo
No início do século XX, a psicologia era uma disciplina intuitiva e muito subjetiva. 
Seu desenvolvimento inicial baseou-se essencialmente nas idéias de Wundt, que a via 
como uma disciplina cujos principais métodos de indagação eram a contemplação e 
a especulação (introspecção) e cujas questões mais importantes tinham a ver com a 
consciência. Como Watson descreveu, a maioria dos seguidores da psicologia acre-
ditava que ela era “um estudo da ciência dos fenômenos da consciência” (1914, p. 1). 
Isso, argumentou Watson, era uma idéia equivocada. Achava que, por força dessa 
crença, não aconteceram descobertas significativas em psicologia desde que Wundt 
criou o seu laboratório. “Agora”, disse Watson, “foi provado, conclusivamente, que 
a assim chamada psicologia introspectiva da Alemanha, baseou-se em hipóteses erra-
das” (1930, p. 5). “A matéria-prima da psicologia humana”, insistiu ele “é o comporta-
mento do ser humano” (p. 2; em itálico no original). Para fazer dessa abordagem uma 
ciência, é preciso que ela seja objetiva; que se preocupe apenas com o comportamento 
concreto, e não com aspectos mentais, como pensamentos e emoções. Essa ciência 
seria chamada de behaviorismo.
Em 1913, Watson escreveu um artigo curto, freqüentemente citado como o ma-
nifesto behaviorista, intitulado “A psicologia como o behaviorista a vê”. A frase inicial 
já define seu posicionamento – e seu antagonismo à introspecção – de maneira bem 
evidente: “A psicologia, como a vêem os behavioristas, é um ramo puramente experi-
mental da ciência natural. Seu objetivo teórico é a previsão e o controle do comporta-
mento. A introspecção não faz parte essencial dos seus métodos” (p. 158).
Watson acreditava que a consciência é um conceito irrelevante, porque as ações 
humanas podem ser compreendidas por meio do comportamento concreto, facilmen-
te observável e estudado. Limitar a psicologia aos comportamentos concretos, insiste, 
acabaria com muitas das contradições que existem nela. “Consciência”, diz ele, “não é 
um conceito nem definido nem utilizável” (Watson, 1930, p. 2).
O termo behaviorismo acabou por significar uma preocupação com os aspectos 
observáveis do comportamento. Segundo essa linha teórica, o comportamento com-
preende respostas que podem ser observadas e relacionadas a outros eventos observá-
veis, como as condições que o precedem e se seguem a ele. “O behaviorismo é o estudo 
científico do comportamento humano”, escreveu Watson. “Seu objetivo é oferecer 
condições para prever e controlar os seres humanos: numa dada situação, dizer o que 
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o ser humano fará; e quando o homem estiver em ação,8 ser capaz de dizer por que 
ele está reagindo daquela maneira” (1928, p. 2). Em última análise, o objetivo do 
behaviorismo é inferir leis para explicar a relação existente entre condições anteriores 
(estímulos), comportamento (respostas) e condições conseqüentes (recompensa, puni-
ção ou efeitos neutros).
Em suma, usando aquilo a que Watson se referia como sendo “linguagem técnica”, 
o trabalho do behaviorista é: “dado o estímulo, prever a resposta – dada a resposta, 
prever o estímulo” (Watson, 1928, p. 2).
Mills resume as crenças básicas e os propósitos do behaviorismo inicial como:
Todos (os behavioristas) negavam qualquer vida intrínseca à mente, nenhum deles aceitava 
que a mente era a área primária do estudo da psicologia, e todos acreditavam que a introspec-
ção era um meio fútil e enganoso de coletar dados psicológicos… Todos compartilhavam a 
fé de que a doutrina behaviorista poderia ser aplicada diretamente aos seres humanos e que 
as experimentações com eles era o caminho para o conhecimento. Quase todos aceitavam 
também que a pesquisa psicológica teria implicações sociais diretas (1998, p.

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