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TEXTO 02 - Primórdios do Behaviorismo Pavlov, Watson e Guthrie

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3).
Aprendizagem: Uma Explicação do Condicionamento 
Clássico
A explicação de Watson (1930) para a aprendizagem é baseada no modelo de Pavlov 
de condicionamento clássico. Os homens nascem com um certo número de reflexos, 
diz Watson. Isso inclui reações físicas e glandulares, como salivar em resposta ao ali-
mento, ou piscar em resposta a uma lufada de ar, e um pequeno número de respostas 
8 “E, possivelmente, as mulheres também”, murmurou a Velha Senhora, em adendo. Watson viveu numa 
época mais chauvinista e menos politicamente correta.
Os behavioristas 
tentaram limitar a 
psicologia ao estudo 
dos comportamentos 
concretos e observáveis.
Primórdios do Behaviorismo: Pavlov, Watson e Guthrie 47
emocionais como medo, raiva e amor. Cada um desses reflexos pode ser provocado 
por um estímulo específico. Por exemplo, sentimentos de amor poderiam resultar de 
ser acariciado; o medo, de cair de repente de um lugar alto; e a raiva, de ser podado. 
O modelo de Pavlov de condicionamento clássico deixa bem claro, insiste Watson, 
que qualquer estímulo nítido presente no momento em que uma resposta reflexa é 
dada pode servir como um CS. Se esse estímulo estiver presente com mais freqüência 
poderá, finalmente, ser associado à resposta.
Aprendizagem Emocional
Segue-se a isso, diz Watson, que o comportamento emocional, como todos os outros 
comportamentos, é exemplo de condicionamento clássico. Ele presumia que as dife-
renças individuais são praticamente inexistentes no início da vida – ou seja, todas as 
pessoas nascem com os mesmos reflexos emocionais de medo, amor e raiva. E eles se 
manifestam, de início, apenas em resposta a certos estímulos específicos, como sons al-
tos, uma súbita perda de apoio ou um afago. Com o tempo, os humanos reagem emo-
cionalmente a uma série de coisas que não têm, a princípio, significado emocional. 
Watson se dispôs a explicar esse importante fenômeno por meio do condicionamento 
clássico. Todas as reações emocionais futuras, explicou ele, resultam da associação 
de estímulos inicialmente neutros a estímulos relacionados a respostas emocionais. 
Para ilustrar e validar essa crença, ele, assistido pela sua então discípula Rayner, reali-
zou uma de suas mais famosas e polêmicas investigações: o estudo do pequeno Albert 
(Watson e Rayner, 1920).
O Pequeno Albert
O estudo do pequeno Albert é mais uma demonstração do que propriamente um expe-
rimento; descreve um condicionamento emocional, mas não se apóia na manipulação 
sistemática de uma variável para investigar seu efeito em outra. Na verdade, como des-
tacam Paul e Blumenthal (1989), o estudo original é fraco, no que se refere ao aspecto 
científico, e tem sido apenas maquiado pelos escritores recentes.
O objeto desse estudo era “o pequeno Albert”, um bebê de 11 meses. No início, 
ele não demonstrava nenhum medo de objetos e pessoas. “Tudo o que chegava perto 
dele, a uma distância de 30 centímetros, ele queria pegar e manipular”, conta Watson 
(1930, p. 159). Uma das coisas de que mais gostava era um ratinho branco com o qual 
brincou durante várias semanas.
No entanto, Watson e Rayner queriam averiguar se Albert, como a maioria dos 
bebês, reagiria com medo a um som alto. “Um martelo de carpinteiro, batendo numa 
barra de aço de aproximadamente 2,5 centímetros de diâmetro e 1 metro de compri-
mento, produziu o mais acentuado tipo de reação”, informa Watson (1930, p. 159). 
E então começou o condicionamento do pequeno Albert, com 11 meses e 3 dias de 
idade, sentado no colchão, brincando com o ratinho branco, a mão a ponto de tocá-lo 
quando – Kaboom! – Watson golpeou a barra de ferro “bem atrás da cabeça [dele, Al-
bert]”. O pobre Albert “deu um pulo e caiu para a frente, o rosto no colchão”. Contu-
do, Albert era um camarada rijo; não chorou. Na verdade, procurou de novo o rato – e 
novamente, Watson (ou Rayner, isso não fica claro nas anotações dele) golpeou a barra 
O fundador do behaviorismo norte-ameri-
cano, John Watson, nasceu em Greenville, 
Carolina do Sul, em 1878. Garoto aparente-
mente agressivo, foi preso pelo menos duas 
vezes (uma por brigar; outra por disparar um 
revólver dentro dos limites da cidade). Se-
gundo sua própria avaliação, não foi bom 
estudante, embora, certa vez, tenha sido o 
único a passar num exame final de grego. 
Sua explicação para esse fato foi que passara 
a tarde anterior bebendo, até se empanturrar, 
um galão inteiro de xarope de Coca-Cola©9 
(Murchison, 1936).
Watson se diplomou na Chicago Universi-
ty. Trabalhou, todo o tempo do curso superior, 
como tratador de ratos. Depois de graduado, 
lecionou nessa mesma universidade. Aos 29 
anos, foi convidado para assumir uma cadeira 
na Johns Hopkins. Lá, sua carreira ascendeu 
rapidamente, em parte por causa dos infor-
túnios do chefe de seu departamento, James 
Baldwin, que, após ter sido preso, numa ba-
tida policial, em um bordel de Baltimore, se 
viu forçado a renunciar ao cargo. Foi o edi-
tor de uma das mais influentes publicações 
de psicologia da época, a Psychological Review. 
Aos 36 anos, tornou-se presidente da Ame-
rican Psychological Association. Já era, nessa 
ocasião, considerado uma das mais poderosas 
vozes da psicologia contemporânea.
Poucos anos depois, Watson levou a cabo 
o estudo pelo qual ficou famoso: o condiciona-
mento do pequeno Albert (descrito na p. 47). 
Sua assistente, nesse experimento, era uma jo-
vem estudante graduada chamada Rosalie Ray-
ner. Watson, então com 42 anos, envolveu-se 
com Rayner, romance que foi descoberto por 
sua esposa.10 Ela pediu o divórcio e, durante 
o conturbado julgamento que se seguiu, usou 
as cartas de amor de Watson para Rayner 
(que ela roubou do quarto de Rayner) para 
justificar a depravação de Watson. O acordo 
do divórcio, memorável para os anos de 1920, 
deixou Watson com menos de um terço do 
seu salário da universidade (ver Buckley, 
1994). O escândalo forçou Watson a renun-
ciar aos cargos que tinha na Johns Hopkins.
Foi, então, para Nova York, onde se ca-
sou com Rayner no Ano Novo, em 1920; 
teve com ela dois filhos (já tinha tido dois) 
e foi trabalhar com publicidade na J. Walter 
Thompson Company, recebendo um salário 
de U$ 25 mil por ano – quatro vezes mais do 
que ganhava na universidade.
Durante o tempo que trabalhou como 
executivo de publicidade e, mais tarde, 
como vice-presidente da J. Walter Thomp-
son Company, Watson escreveu artigos so-
bre psicologia para revistas como Harper’s, 
McCall’s, Liberty, Collier’s e Cosmopolitan. Foi, 
John Broadus Watson (1878-1958)*
* Baseado, em parte, em Benjafield, 1996; Buckley, 1994; Burnham, 1994; Todd e Morris, 1994.
9 Eu disse à Velha Senhora que o símbolo © não era necessário, mas ela explicou que não tinha interesse 
em subverter a ordem natural – nem acabar envolvida em alguma ação penal por falta de sensibilidade e 
correção social, política ou legal.
10 Foi em referência a essa passagem, e à menção feita na terceira edição sobre o boato amplamente divulga-
do, mas totalmente infundado, de que Watson envolvera Rosalie Rayner numa série de investigações sobre 
alterações psicológicas durante o sexo, que um dos revisores da terceira edição alertou, “A discussão da vida 
sexual de Watson é inapropriada num livro didático. Nosso propósito é educar, não deleitar” (Revisor E.). 
Quando chamei a atenção da Velha Senhora para isso, ela bufou e disse que não havia nenhuma menção a 
essa pesquisa sexual não comprovada de Watson na quinta edição. E explicou que até havia deixado de lado 
muito material interessante sobre a vida pessoal dele, por exemplo, as várias entrevistas feitas por Burnham 
com pessoas que conheciam Watson e a conclusão de que “ele pode muito bem ter sido um dos maiores 
amantes de toda a história” (Burnham, 1994, p. 69). Burnham se apoiou no fato de que as pessoas ouvidas 
por ele sempre mencionavam as muitas aventuras românticas

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