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TEXTO 02 - Primórdios do Behaviorismo Pavlov, Watson e Guthrie

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de levantar e não 
mais urinar na cama. (Outras técnicas de modificação comportamental são discutidas 
no Capítulo 4.)
O Behaviorismo de Watson: Uma Avaliação
Como acabamos de ver, a teoria de Watson, que se tornou muito popular nos Estados 
Unidos, exerceu profunda influência na criação das crianças e nas práticas educacio-
nais. Teve também papel importante no desenvolvimento do pensamento e da teoria 
psicológica na América do Norte. “No início dos anos de 1920”, escreve Mills, “o 
behaviorismo acabou se confundindo com as doutrinas de John B. Watson” (1998, 
p. 55). Essas doutrinas eram uma forma de psicologia que considerava as qualidades 
54 Teorias da Aprendizagem
UR
NS
Antes do Condicionamento
Nenhuma resposta
(ou resposta neutra)
A matemática, por si só, não elicia nenhuma 
resposta emocional forte; 
o estímulo incondicionado elicia reações negativas.
A matemática é repetidamente associada
ao estímulo incondicionado (professor).
UR
NS
Matemática
US
Processo de Condicionamento
A matemática tornou-se um estímulo 
condicionado associado a reações negativas.
CR
Desconforto, 
antipatia, 
medo
CS
Depois do Condicionamento
Matemática
US
Desconforto, 
antipatia, 
medo
Desconforto,
antipatia, 
medo
Matemática elicia
elicia
elicia
elicia
Professor antipático
com voz 
desagradável e
giz que arranha a 
lousa
Professor antipático 
com voz desagradável 
e giz que arranha a 
lousa
15
Figura 2.8
Condicionamento clássico 
de fobia à matemática, de 
Guy R. Lefrançois, Psychology 
for Teaching (10a edição). 
Reprodução autorizada.
15 NS é a sigla de estímulo neutro. Em inglês, neutral stimulus. (NRT)
Primórdios do Behaviorismo: Pavlov, Watson e Guthrie 55
mentais e abstratas não dignas de estudo, ao passo que enfatizava a importância dos 
agentes sociais, e especialmente da mãe, para moldar a criança. Watson defendia com 
veemência a aplicação da doutrina behaviorista para produzir seres humanos com ca-
racterísticas desejáveis.
Como ficará mais claro, quando considerarmos o desenvolvimento das teorias psi-
cológicas modernas, muitas das idéias nas quais acreditavam os primeiros teóricos, 
como Watson e Pavlov, foram suavizadas ou reavaliadas por não se enquadrarem no 
espírito dos novos tempos. Como O’Donohue e Ferguson (2001) destacam, Watson 
provavelmente foi culpado de exagerar o papel da aprendizagem na determinação do 
comportamento, e subestimar o papel da hereditariedade. Além do mais, hoje parece 
óbvio que ele tentou explicar coisas demais com base em um modelo demasiadamente 
simples que vê os humanos como menos complexos e mais parecidos entre si do que 
na verdade o são.
Watson foi mais um porta-voz do behaviorismo do que um pesquisador rigoroso 
que procurou descobrir novos fatos a respeito do comportamento humano. Não é de 
surpreender, por exemplo, que algumas de suas primeiras teorizações sobre o desen-
volvimento emocional não tenham passado pelo teste da investigação objetiva. Apesar 
das tentativas que fez de trabalhar apenas com variáveis objetivas, o medo, a raiva e 
o amor são reações emocionais que continuam a ser de difícil identificação em crian-
ças pequenas. Estudos mostraram, por exemplo, que bebês deixados nus, com ampla 
liberdade de movimento, em ambientes com temperatura controlada, demonstravam 
ter tanta raiva quanto os que foram vestidos com roupas que atrapalhavam os movi-
mentos (Irwin e Weiss, 1934).
Apesar disso, continua verdadeira a afirmação de que comportamentos humanos 
resultam de condicionamento clássico: medo em resposta ao som de um tiro, embora 
apenas o som não machuque; salivar ao ver o alimento (usualmente com mais limitação 
do que o cachorro); e outras incontáveis respostas automáticas que resultam de empa-
relhamentos prévios do estímulo.
A contribuição de Watson para a compreensão do comportamento humano é di-
fícil de estimar, principalmente porque a abordagem behaviorista da qual ele foi, sem 
dúvida, o mais forte defensor, continua a exercer profunda influência no pensamento 
psicológico contemporâneo. Entre outras coisas, ele contribuiu para fazer a ciência 
da psicologia mais rigorosa e objetiva, popularizou a noção de que as experiências 
ambientais são forças potentes para moldar padrões comportamentais e elaborou um 
modelo de aprendizagem (condicionamento clássico) que explica, pelo menos, al-
guns aspectos dos comportamentos animal e humano. Além disso, exerceu profunda 
influência no pensamento de outros psicólogos como Guthrie, cuja teoria veremos 
em seguida.
E dwin Guthrie (1886-1959)
Olhando para trás, talvez seja surpreendente o fato de que os livros de psicologia ainda 
discutam alguém que escreveu tão pouco como Edwin Guthrie (apenas um punha-
jon_m
Balão de comentário
Final da parte sobre Watson
128 Teorias da Aprendizagem
A plicações do Condicionamento Operante
Embora no início tenha se desenvolvido basicamente pelo estudo do comportamento 
de ratos e pombos em ambientes controlados, a explicação de Skinner para o condicio-
namento operante é mais uma ciência humana do que de outros organismos. Ele não 
via lacuna importante entre humanos e não humanos no que se refere às contingên-
cias de seus comportamentos. E não aceitava as críticas que acusavam seu sistema de 
negligenciar os processos mentais mais complexos, como o pensamento, tornando-o, 
portanto, inválido e defeituoso. “Uma ciência do comportamento não deve, como ge-
ralmente se afirma, ignorar a consciência”, declarou. “Pelo contrário, ela vai além das 
psicologias mentalistas ao analisar o comportamento autodescritivo” (Skinner, 1969, 
p. 245). Num artigo intitulado Por Que não Sou um Psicólogo Cognitivo, Skinner (1986) 
deixa claro que, em nenhuma instância, nega a existência e a importância de fenôme-
nos cognitivos, como o pensamento, a resolução de problemas e a imaginação. Esses 
são tópicos interessantes, diz Skinner; mas é um erro tentar explicá-los fazendo refe-
rência a processos “cognitivos” inferidos.
O sistema behaviorista de Skinner não negligencia linguagem e pensamento. 
Como explica Lana (2002), adquirir e emitir comportamentos lingüísticos são ações 
que estão sujeitas às mesmas regras do condicionamento operante da mesma forma 
que qualquer outro comportamento. Para Skinner, conceitos como estar consciente 
e propósito dependem das regras verbais que resultam da análise da relação entre o 
comportamento e suas contingências: “Uma comunidade avançada no que se refe-
re ao aspecto verbal gera um nível alto de consciência” (1969, p. 245). Inicialmente, 
argumenta Skinner (1989), as palavras eram usadas não para descrever consciências, 
propósitos ou sentimentos, mas para descrever comportamentos específicos ou situa-
ções nas quais eles ocorriam. Assim, por exemplo, uma palavra como “amor” pode ser 
usada para descrever a ação de segurar um bebê. Com o tempo, entretanto, a palavra 
acabaria associada a estados corporais – a mudanças fisiológicas – que acompanham a 
Cogumelos S1 R1 (Comer)
Cogumelos S0 R2 (Não comer)
venenosos
Cogumelos S1
Aspargos S2
Couve-flor S3
Nabo S4
Salsa S5
R1 (Comer)
Generalização
(Responder a similaridades)
Discriminação
(Responder às diferenças)
Figura 4.8 Discriminação e generalização.
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Balão de comentário
Início da parte sobre Skinner
Condicionamento Operante: O Behaviorismo Radical de Skinner 129
ação. Daí, a palavra finalmente, passa a descrever uma emoção e pode, então, ser ge-
neralizada para outras situações e comportamentos que despertam as mesmas reações 
fisiológicas – como beijar alguém ou mesmo acariciar um gato.
Parece claro que os humanos são responsivos às contingências comportamentais 
(às conseqüências do comportamento). Por exemplo, 25 estudos separados revistos 
por Kollins e colaboradores (1997)

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